Curso de Expressão Verbal

329 - Trump se livrou das próprias armadilhas e evitou que Hillary vencesse o debate

 

Donald Trump, candidato republicano, e Hillary Clinton, candidata democrata, se confrontaram no segundo debate dentro da campanha à Presidência dos Estados Unidos, na noite deste domingo (9). Hillary havia levado boa vantagem no primeiro debate, fazendo com que Trump perdesse vários de seus importantes apoiadores.

Para as pretensões de Trump, portanto, esse confronto era uma espécie de tudo ou nada. Para dar uma ideia de como a situação estava tensa no início, eles não se cumprimentaram ao se encontrar.

Embora o resultado não tenha sido decisivo como se esperava, Trump terminou como vencedor. A candidata democrata não conseguiu colocar seu oponente nas cordas, mesmo estando com a faca e o queijo nas mãos. O vídeo veiculado na sexta-feira (7) com Trump falando o que pensa sobre as mulheres poderia ter sido o tiro de misericórdia. Não foi.

Trump usou uma estratégia que garantiu sua sobrevivência na corrida à Casa Branca. Em vez de ficar se defendendo, partiu para o ataque e deixou Hillary na defensiva. Na verdade, seu plano havia sido arquitetado antes do debate. Nos momentos que antecederam o confronto, o candidato republicano promoveu um encontro com mulheres que declararam ter sido assediadas por Bill Clinton, marido de Hillary e ex-presidente americano.

O argumento foi um gancho no fígado da oponente – por que ela não defendeu essas mulheres quando esses fatos ocorreram? A situação ficou dramática porque Bill estava na plateia acompanhando a disputa.

Para a acusação de que havia se beneficiado com descontos no imposto de renda, Trump afirmou que os apoiadores de Hillary tiveram benefícios semelhantes.

Dessa forma, tentou retirar as estacas que apoiavam Hillary em cada um dos ataques que recebia. A partir desse momento, o debate ficou equilibrado, com os temas sendo debatidos da maneira como ocorreu desde o início da campanha eleitoral. Exceto no momento em que disse que prenderia Hillary se ele ganhasse as eleições.

O final será sempre lembrado como momento especial. Instigados a apontar uma qualidade no oponente os dois foram geniais. Hillary disse que admirava os filhos de Trump e como ele os tratava - touché. Trump disse que admirava a garra de Hillary, sua determinação para nunca desistir - touché. Fizeram essas afirmações depois de deixarem claro que não concordavam com as posições do adversário.

Foi uma ótima saída para demonstrarem grandeza sem caírem na armadilha de elogiarem alguma qualidade que pudesse fortalecer a posição política da campanha do oponente. Provavelmente essas respostas tenham sido planejadas e até ensaiadas. Ainda assim devem ser elogiadas e admiradas pelo brilhantismo como foram utilizadas.  

Não importa se você torce pela Hillary e detesta o Trump, como ocorre com a maioria das pessoas com as quais tenho conversado. Temos de reconhecer que a estratégia que ele adotou talvez fosse sua única saída. Fazer do ataque a melhor forma de se defender. Foi feliz. Os próximos dias nos dirão como os eleitores americanos perceberam o desempenho dos dois candidatos.

Ah, no final apertaram as mãos. Pareciam estar aliviados pela forma como se comportaram diante de uma situação tão adversa.

Os ataques, defesas e contra-ataques dos dois candidatos, por iniciativa própria, ou aconselhados por seus assessores, poderão se transformar em lances cada vez mais interessantes para quem gosta de política, ou se interessa por estratégias de comunicação.

     Superdicas da semana

  • Às vezes a melhor defesa é o ataque
  • Diante de situações muito adversas, quem mantém a calma conquista pontos positivos
  • Por pior que possa parecer a situação, sempre haverá uma saída
  • O mesmo empenho para preparar os argumentos deve ser usado para organizar a defesa deles

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante, e "Assim é que se Fala", "Oratória para advogados", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva.

Autor de 25 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.