Curso de Expressão Verbal

A arte de falar em público. Reinaldo Polito ensina macetes de oratória para ajudar a vencer a timidez diante de uma platéia - Diário da Manhã - Goiânia - jun/03

A arte de falar em público. Reinaldo Polito ensina macetes de oratória para ajudar a vencer a timidez diante de uma platéia

Falar em público sem tremer, sem tropeçar nas palavras e sem adotar uma postura enrijecida não é para qualquer um. Para muitos, porém, não existe escapatória: seja nas reuniões de trabalho, de condomínio ou diante de uma platéia maior, têm que controlar o suor frio e soltar o verbo. A desenvoltura de encarar um auditório cheio e transmitir a mensagem de forma clara são técnicas que podem ser aprendidas até pelo mais inibido dos mortais, garante o professor Reinaldo Polito no livro Fale Muito Melhor (Editora Saraiva, 208 páginas, R$ 28).

Considerado um dos gurus da arte de bem falar, Polito mantém uma escola de expressão verbal em São Paulo e já publicou quatro outros livros sobre o assunto, todos com várias edições esgotadas. Como Falar Corretamente e sem Inibições, sua obra de maior sucesso, está na centésima edição, e Fale Muito Melhor está no segundo lançamento.

O autor defende a tese de que se expressar bem verbalmente não é privilégio de poucos, como acredita a maioria das pessoas. Segundo ele, a dificuldade encontrada por muitos em comunicar suas idéias com eficiência, principalmente diante de uma platéia, é causada pela interrupção do aprendizado ainda na infância. Mas ele afirma que nunca é tarde para começar. Ao contrário do que alguns possam imaginar, o livro de Polito não é exaustivo. Utilizando exemplos práticos de suas próprias palestras e falas de personalidades com facilidade de expressão verbal, o autor está sempre lançando mão dos recursos que tenciona passar ao leitor. O livro analisa vários incidentes que podem ocorrer durante a exposição de um assunto, para que a pessoa não corra o risco de ser pega desprevenida. O autor repete que não é um manual de instrução; no entanto, não deixa de elaborar regras para que uma apresentação seja bem-sucedida.

Polito fala sobre o uso do humor, o risco de cair na vulgaridade e como estar pronto para retroceder quando a piada não surte o efeito desejado, citando o estilo adquirido pelo humorista e entrevistador Jô Soares, que adquiriu técnicas de provocar risos mesmo quando a história contada não tem a menor graça. Enumera formas eficientes de persuasão, dá dicas de como se preparar para uma apresentação de última hora, fala sobre a importância da gesticulação, dos recursos audiovisuais e até ensina a lidar com a agressividade gratuita de ouvintes.

Um capítulo inteiro é dedicado a diversos discursos feitos pelo Papa João Paulo II na primeira visita que fez ao Brasil, onde dá dicas de como agradar a platéia logo na introdução. O autor aponta a maneira inteligente do papa de alinhavar informações e adaptá-las às diferentes platéias.

Um de seus discursos mais lembrados pelos brasileiros, diz Polito, foi proferido em Belo Horizonte, quando fez o seguinte jogo de palavras: 'Pode-se olhar as montanhas atrás e se deve dizer: belo horizonte. Pode-se olhar a cidade e se deve dizer: belo horizonte. Mas, sobretudo, pode-se olhar para vocês e se deve dizer: que belo horizonte.

Autocrítica - A importância da autocrítica inteligente e do bom humor com as próprias gafes é exemplificada num episódio protagonizado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Durante um jantar na Associação dos Correspondentes de Rádio e Televisão, realizado anualmente em Washington, Bush não titubeou em ler uma coletânea de seus deslizes, publicada sob o título Bushismos de George W. Bush. Além de conquistar de imediato a simpatia do público, o poderoso ainda usou a autogozação para afirmar que uma coisa que sabia fazer era governar com seriedade.

A postura corporal é classificada em todos seus aspectos, desde a posição em que o orador se mantém até os gestos. Polito diz que o segredo da boa gesticulação é não chamar atenção e ser um complemento da comunicação no destaque das informações importantes.

O livro ultrapassa os limites do aprendizado da boa comunicação e serve como auto-ajuda também em outras áreas. Usando máximas de Aristóteles, Polito discorre sobre a inveja e dá dicas de como evitar que adversários invejosos se transformem em inimigos para toda a vida.

Saiba como falar com fluência

Procure estudar profundamente o assunto. Converse com outros palestrantes, vá a bibliotecas, mergulhe na internet. Quanto mais você souber sobre o assunto, mais seguro se sentirá. Vá para a frente do público e procure se comportar como se estivesse diante de um grupo de amigos. Não mude sua forma de ser e não use palavras que não façam parte de seu vocabulário.
O humor é um excelente recurso, mas arriscado. Uma piada muito conhecida ou preconceituosa pode desgastar a imagem do orador. Histórias longas não costumam funcionar no humor. Quanto mais breves, melhor. Aumente um pouco o volume da voz, para demonstrar envolvimento e interesse pelo assunto. Torne seus gestos e sua fisionomia mais expressivos para corresponder ao volume da voz.
Quando questionado com agressividade e inesperadamente, o palestrante pode concordar com o ouvinte, não responder ao ataque ou saber as razões da agressividade. Não vá a uma apresentação sem estudar bem qual seria sua melhor argumentação e a maneira mais adequada para defender seu ponto de vista. Se errar, não se leve tão a sério, não fique se justificando e seja o primeiro a rir dos próprios deslizes.

Fale Muito Melhor
Reinaldo Polito
Editora Saraiva
208 páginas
Preço médio: R$ 28