Curso de Expressão Verbal

Apresentação não: Show! - Correio Braziliense - abr/03

Apresentação não: Show!

Apresentar projetos e trabalhos de escola com o computador pode ser fascinante - mas PowerPoint e projetos não são tudo para quem quer prender a atenção

Quem manda bem, manda bem só de abrir a boca. Olha o Sílvio Santos, só com aquele microfone imenso pendurado na gravata há décadas. Mas não é todo mundo que tem o dom da comunicação - e para nós, mortais e tímidos, o jeito é compensar a falta de talento com bastante técnica. E aí entra o computador, que de uns anos para cá vem se tornando elemento cada vez mais presente em todo tipo de apresentação. A ponto de que alguns executivos e palestrantes parecem até depender dele para a arte de convencer os espectadores.

Com os recursos de multimídia dos computadores de 1995 em diante, tornou-se possível incorporar às palestras vídeos, sons, textos e desenhos animados, usando-se diversos programas - dos quais o líder absoluto é o PowerPoint, lançado há exatos 16 anos. Hoje, a Microsoft estima que o programa seja usado para exibir simplesmente 30 milhões de apresentações por dia no mundo inteiro. Mas não é o único: ainda existem concorrentes que podem ser até melhores para certas aplicações.

Mas também não basta somente a técnica de saber usar um programa desses para fazer apresentações capazes de manter a plateia acordada. Acima de tudo, é preciso ter bom senso. O professor Reinaldo Polito, que há anos dá cursos de oratória e já preparou cerca de 50 mil alunos na arte da persuasão, lançou este mês a quinta edição do seu livro Recursos Audiovisuais nas Apresentações de Sucesso (R$ 22,00, da Editora Saraiva). 'O objetivo do livro é ensinar a usar o PowerPoint. Muitas vezes não é nem o próprio palestrante que faz os slides', aponta o professor. O texto, de fácil e rápida leitura, é bem objetivo em apontar diversas dicas para tornar as apresentações mais atraentes e eficazes.

Polito acredita que a multimídia é uma ferramenta importante. 'Em apresentações usando apenas a voz, três dias depois os espectadores só lembram de 10% do que foi falado. Quando se usa audiovisual, a memorização sobe para 65% a 90%, compara. Mas a facilidade propiciada pelos programas e o baixo custo de produção acabam induzindo a um erro comum: excesso de informação, em slides demais ou telas muito poluídas.
À vezes, o palestrante pode acabar se atrapalhando com o computador, e em várias situações ele sequer é necessário: 'Em reuniões pequenas, ou em eventos em que seja importante dar a impressão de improviso e naturalidade, não justifica usar micro e projetor'.