Curso de Expressão Verbal

Entrevista - Eduardo Suplicy - Revista Veja - nov/00

Entrevista - Eduardo Suplicy


(...)
Veja - Qual o seu principal defeito, senador?
Suplicy - Eu tenho consciência de que, se fosse uma pessoa que falasse mais rapidamente e fosse sempre ao ponto, isso poderia agradar mais às pessoas. Mas também tenho consciência de que minha forma de falar melhorou bastante ao longo dos anos. Em alguns momentos, as pessoas podem achar que eu me prendo a detalhes e, segundo alguns interlocutores mais amigos, eu, de fato, trato muito de detalhes que não precisariam ser tratados.

Veja - O senhor concorda com isso?
Suplicy - Acho que posso melhorar. Quando em 1995 eu, como senador, fui enviado à reunião de cúpula da ONU para um encontro de chefes de Estado, fiquei impressionado com os oradores. Estavam lá o presidente Fidel Castro, o presidente François Mitterrand e a Hillary Clinton, entre outros. Todos, até Fidel, que é famoso por suas falas muito longas, falaram por exatamente três minutos e fizeram discursos fantásticos. Quando voltei ao Brasil, cheguei ao meu gabinete e disse: daqui para a frente, vou tentar fazer somente discursos de três minutos, porque percebi que dá para dizer coisas relevantes em apenas três minutos.

Veja - O senhor não cumpriu a promessa.
Suplicy - Não. Mas tenho feito exercícios e procurado melhorar. Há algum tempo, li uma entrevista com o Reinaldo Polito (autor do livro Como Falar Corretamente e sem Inibições) em que ele dizia que, se eu fizesse o curso dele, poderia melhorar muito. Há dois meses, decidi procurá-lo. Foi ótimo. Aprendi, sobretudo, a usar bem o tempo definido. Fiz exercícios de expor uma idéia em trinta minutos, depois a mesma idéia em vinte, e assim sucessivamente, até chegar a três minutos.

Veja - Dois meses atrás foi justamente quando o senhor lançou sua pré-candidatura. Uma coisa tem a ver com a outra?
Suplicy - Tem a ver com o fato de eu estar querendo me preparar para a missão que considero ser a mais importante da minha vida.