Curso de Expressão Verbal

Entrevista com escritor Reinaldo Polito

Carlos Dias - Editora Ser Mais

Chamada também publicada no facebook da Editora Ser Mais 

Polito, diante de toda sua experiência profissional como professor, palestrante, orador, quais são suas especialidades?

Atuo como professor de oratória há 38 anos. Embora desenvolva várias atividades, como professor, palestrante e escritor só trato do tema da minha especialidade. Desde o princípio tomei a decisão de só abordar assuntos relacionados diretamente à oratória. Principalmente depois de ter atingido sucesso com a venda dos livros a tentação de incursionar por outras áreas é grande, pois a boa exposição das obras ajudaria a comercialização de outros títulos. Hoje sei que valeu a pena resistir e permanecer cem por cento no ramo da arte de falar, caso contrário poderia ter perdido o foco de atuação.

Em seus cursos e palestras, quais assuntos são abordados? E os seus principais objetivos?

O objetivo maior dos cursos, palestras, livros e textos é ajudar as pessoas a falar bem, com segurança e desembaraço. Ensino a identificar as características predominantes dos ouvintes, quais as possíveis aspirações do publico e como estruturar o discurso para que o resultado final seja bem-sucedido. Oriento também sobre os aspectos estéticos como voz, vocabulário e expressão corporal. O orador precisa saber como adequar o volume da voz de acordo com o ambiente e a posição diante do microfone, estabelecer um ritmo agradável, alternando o volume da voz e da velocidade da fala. O vocabulário precisa ir ao encontro do nível intelectual, da faixa etária e do conhecimento técnico dos ouvintes.

Em sua opinião, o que faz suas apresentações despertarem tanto a atenção das pessoas?

Sempre levantei uma bandeira para a arte de falar e conversar – a naturalidade. Considero essa a “técnica” mais importante. Os alunos dos nossos cursos, os ouvintes das minhas palestras e leitores dos meus livros e textos aprendem desde o início que é preferível cometer erros técnicos de comunicação, mas falar com naturalidade, a usar a melhor das técnicas com artificialismo. A naturalidade é o primeiro e dos mais importantes passos para conquistar a credibilidade. Essa talvez seja a maior atração do meu trabalho – saber que é possível melhorar, aprimorar e aperfeiçoar sem mudar as próprias características pessoais.

Entre as técnicas para falar em público, qual você apontaria como fundamental ou que não pode faltar em uma apresentação?

Além da naturalidade, o orador deve falar com energia, envolvimento, emoção. Ninguém pode pretender o envolvimento e o interesse dos ouvintes se ele mesmo não se mostra interessado pelo que diz. Julgo como fundamental também, além do domínio dos aspectos estéticos já mencionados, a correta organização da fala, com começo, meio e fim. O orador deve se preparar bem para escolher com propriedade os argumentos mais adequados e saber se precisará ou não refutar possíveis objeções do público.

O sucesso da comunicação depende também da técnica de apresentação ideal. Há apresentações que precisam ser lidas, outras podem ser desenvolvidas com recursos de apoio e até, em determinadas circunstâncias, ser improvisadas. Para alguns oradores e determinados tipos de apresentação vai muito bem o uso de recursos audiovisuais, para outros o resultado passa a ser melhor se forem eliminados.

De que forma ter vários livros publicados no exterior colabora/colaborou para seu desenvolvimento profissional? E junto aos seus clientes?

Publicar livros no exterior é sempre um grande desafio. O primeiro cuidado é o de desenvolver o conteúdo e de eleger uma linguagem sem excesso de regionalismo. Hoje escrevo meus livros já pensando no mercado externo. A vantagem para o meu desenvolvimento profissional é ter de conhecer cada vez mais a realidade intercultural e saber como a informação deve ser adaptada as mais diferentes sociedades. Para o meu trabalho robustece a credibilidade. Saber que um autor consegue transmitir seu conhecimento para diferentes países faz com que alunos do curso, assistentes das palestras e leitores dos textos confiem mais no profissional. Os negócios com o exterior não chegam a ser expressivos, embora já tenha ministrado palestras e cursos nos Estados Unidos, México e Argentina. Foi emocionante entregar aos participantes livros de minha autoria escritos na língua deles.

Recentemente você lançou dois livros na Rússia. Conte-nos mais sobre essa experiência.

O primeiro passo para se dar bem com publicações no exterior é escolher um bom agente literário. Tive a sorte de encontrar a Kátia Schumer. A Kátia vai todos os anos para a Feira de Frankfurt, onde são realizados os maiores e mais importantes negócios do mundo editorial. Para facilitar seu trabalho providenciei uma boa versão dos meus livros em inglês. É difícil seduzir países como a Rússia, por exemplo, a avaliar livros publicados em Português. Outro ponto importante para que os países se interessem pela obra é o sucesso das edições brasileiras. A Rússia, por exemplo, optou por dois dos meus livros “Como falar corretamente e sem inibições” e “Superdicas para falar bem em conversas e apresentações”, os dois venderam no Brasil mais de 900 mil exemplares. Com essas cifras o risco de que façam um mau negócio diminui muito. Consideram também o percurso dos livros em outros países. O sucesso das obras em países como Espanha, Colômbia e Itália também é um bom incentivo.

Reinaldo Polito é um dos maiores comunicadores do Brasil e é uma referência em cursos de oratória.