Curso de Expressão Verbal

Entrevista para o Hoje em Dia - jun/07

Hoje em Dia - jun/07

Junho / 2007 - Maristela Bretas

 

Quem fala com desenvoltura sai de uma posição defensiva e passa a se integrar mais com os grupos a que pertence, torna-se mais participativo, mais tolerante e mais feliz.

Percebe-se que a boa comunicação funciona como uma chave para abrir as portas que necessita para crescer na vida pessoal e nas atividades profissionais. Além de falar bem, no mercado de trabalho a pessoa precisa dominar a sua atividade e ser muito coerente com o que fala e o que faz. É a posição do escritor Reinaldo Polito, autor do livro 'Assim é que se fala', editado pela Saraiva.

Antes mesmo de seu lançamento, a obra já teve três edições esgotadas. Essa é uma prova de que a comunicação hoje é um dos mais importantes requisitos em praticamente todas as atividades. O livro, segundo ele, é útil para supervisores, gerentes, diretores, professores, estudantes e profissionais liberais que tenham de fazer exposições diante de grupos.
Polito explica que, em seus 24 anos lecionando expressão verbal, já treinou mais de 30 mil alunos e nunca encontrou um sequer que não conseguisse melhorar sua comunicação.
A dica para todos que querem falar bem e com desenvoltura é ter vontade, disciplina e determinação, que as metas serão conquistadas.
Nesta entrevista ele ensina um pouco mais como soltar um pouco a palavra.


Hoje em Dia - Este novo livro é uma complementação da obra 'Como falar corretamente sem inibições', sucesso de edição?

Reinaldo Polito - O livro 'Assim é que se fala' é o aprofundamento de dois aspectos importantes da comunicação, tratados no livro 'Como falar corretamente e sem inibições'. Ensina como identificar as características predominantes da platéia para que se possa adaptar a mensagem para cada tipo de ouvinte e orienta, principalmente como organizar com eficiência qualquer tipo de apresentação, desde uma simples conversa até uma sofisticada conferência. Com ele, o leitor saberá qual a forma mais apropriada para iniciar a fala, dependendo do tipo de platéia que irá ouvi-lo; quais as orientações adequadas para que os ouvintes entendam bem a mensagem; em que ordem deverá apresentar seus argumentos e como defendê-los das objeções, e a maneira correta de encerrar sua exposição.

HD - Qual o motivo do sucesso de livros abordando esses temas?

RP - A insegurança é um dos motivos pelos quais as pessoas procuram os meus livros Entretanto, outros motivos levam à leitura das obras, principalmente porque, nos dias atuais, quem não souber se comunicar de maneira eficiente não conseguirá conquistar novos espaços e, o que é pior, perderá os espaços já conquistados.

HD - As pessoas ainda sentem muito medo de falar em público?

RP - As pessoas sentem medo de falar em público, independentemente do comportamento exterior, quando sentem o risco de que a sua imagem possa ser prejudicada. Esse temor ocorre principalmente por três motivos essenciais:
1 - falta de conhecimento sobre o tema que irão tratar e por não saberem como planejar a melhor seqüência da apresentação;
2 - falta de experiência ou de prática no uso da palavra em público;
3 - falta de autoconhecimento, isto é, por imaginarem que só possuem defeitos, quando, na verdade, têm inúmeras qualidades para se expressar em público.

HD - Que orientações básicas seus livros passam para as pessoas?

RP - Os livros cobrem todos os aspectos referentes à arte de falar. Ensinam como planejar corretamente a fala de acordo com o tipo de público a ser enfrentado, como participar de reuniões, responder perguntas da platéia, usar com eficiência a voz, o vocabulário e a expressão corporal, além de orientar sobre o uso de recursos audiovisuais e todas as técnicas para a melhor apresentação da mensagem, como por exemplo a leitura, o roteiro escrito, o cartão de notas, o esquema mental, o improviso inesperado, até a fala decorada, considerada o pior recurso para exposição de uma mensagem.

HD - Como deve ser a preparação da pessoa que terá de se dirigir a outras, principalmente quando o público é desconhecido?

RP - Quando o público for desconhecido, o orador deverá usar alguma informação que sirva para construir um elo de identidade com os ouvintes. Poderá mencionar a presença de alguém na platéia, que seja seu conhecido e ao mesmo tempo respeitado e admirado pelo auditório. O mesmo objetivo será conquistado se fizer menção a alguma informação do local, rapidamente identificada pela platéia, como o prédio, o bairro, a cidade etc. E, finalmente, valer-se de um fato que acabou de ocorrer, ou que esteja para acontecer e que seja também conhecido do público.

HD - Como o orador deve fazer para despertar o interesse de seus ouvintes no tema sobre o qual está falando?

RP - Entre os diversos recursos que o orador tem à disposição para conquistar o interesse dos ouvintes, o mais eficiente é o de mencionar, logo no início, quais os benefícios que a platéia terá ouvindo a apresentação. Se o auditório sentir que obterá qualquer vantagem (lucro, poder, prestígio, segurança, conhecimento, prazer), ficará atento e interessado na exposição.

HD - Toda platéia é fácil de ser conquistada ou há algum macete para atingir cada uma?

RP - Todas as platéias poderão ser conquistadas, dependendo do tipo de apresentação que é feita. Se o público for hostil com relação à pessoa do orador, caberá a este mostrar, o mais depressa possível, que tem autoridade para tratar do tema. Se a hostilidade for com relação ao assunto, deverá o orador tocar no início em todos os pontos comuns que possui com os ouvintes, pois ao imaginar que a forma de pensar é coincidente se desarmará das resistências. Se a hostilidade for com relação ao ambiente (calor, frio, barulho, desconforto, compromissos), deverá o orador dizer que não consumirá muito tempo, prometendo brevidade.

HD - Quem tem mais medo de falar - o estudante, o trabalhador comum ou o executivo?

RP - O medo não está relacionado à atividade profissional ou ao sexo do orador. Todas as pessoas, indistintamente, poderão sentir medo para falar - e geralmente sentem.

HD - Recursos visuais são boas saídas para ajudar uma pessoa a se desinibir e falar com mais facilidade?

RP - Os recursos audiovisuais devem atender a três requisitos fundamentais: destacar as informações mais importantes na mensagem; facilitar o acompanhamento do raciocínio, por parte do ouvinte; fazer com que a platéia se lembre de mais informações, por tempo mais prolongado. A estatística é curiosa - se transmitirmos as informações apenas verbalmente, depois de três dias os ouvintes se lembrarão apenas de 10% do que falamos; se transmitirmos as informações verbalmente, com o auxílio de um visual, no mesmo período, a retenção da mensagem será de 65%. Tenha muito cuidado para não usar o recurso visual só porque todo mundo usa, porque é bonito, para impressionar, ou como um tipo de 'cola'. Cuidado também com muita 'parafernália', pois quanto mais botões, maior o risco de ter problemas.

HD - Através da forma de se dirigir a outras pessoas, é possível traçar um perfil do orador? Suas obras literárias trabalham a partir de perfis predeterminados?

RP - Cada orador deve ter acima de tudo seu estilo e as suas próprias características. Ninguém deve copiar ninguém. Por isso, as minhas obras procuram não traçar tipos específicos de comunicadores e, sim, a idéia das características individuais.

HD - O que uma pessoa precisa fazer para se tornar uma boa oradora?

RP - Para ser uma boa oradora a pessoa precisa aprender a identificar o seu melhor estilo para falar, conhecer com profundidade o assunto e aperfeiçoar seus atributos como a voz, o vocabulário e a expressão corporal.

HD - Existem realmente pessoas que nascem com o 'dom da palavra', ou elas, que têm facilidade de comunicação, também precisam ser trabalhadas?

RP - Talvez não exista uma pessoa, por melhor que seja a sua comunicação, que não necessite de algum tipo de orientação para aperfeiçoar sua forma de se expressar. Alguns possuem mais facilidade do que outros, mas todos podem aprender a se comunicar de maneira mais eficiente. Todas as pessoas, medianamente preparadas intelectualmente, podem aprender a falar de maneira objetiva, simples e eficiente.