Curso de Expressão Verbal

Falar e escrever bem - Revista Vencer - fev/03

Falar e escrever bem

Margot Cardoso

O domínio do idioma é hoje elemento de primeira necessidade, seja na vida pessoal ou profissional.

Você elaborou mentalmente inúmeras vezes o seu pedido de transferência de departamento e na hora H - a exemplo dos diversos ensaios - foi um fiasco. Não encontrou as palavras certas, não conseguiu ser convincente e seu superior encerrou o assunto no primeiro argumento. Você estreou em um novo cargo e sua apresentação à nova equipe foi lastimável, o discurso foi desconexo e sem objetividade. Fora da esfera profissional, as dificuldades não são diferentes. Um suposto amigo foi desleal e você ensaiou um monólogo indignado e magnânimo. Na hora (prejudicado pelo nervosismo, é verdade), o discurso saiu piegas, sem força argumentativa, faltando palavras...

Quando se trata da escrita, a resultado não é muito diferente. Para redigir uma proposta são dias e dias de trabalho árduo. Um e-mail importante, então, é uma grande e dolorosa jornada com direito a várias expedições ao dicionário. E o tormento não tem fim. Um dia depois de um texto enviado, você encontra uma avalancha de erros, desde os vergonhosos ortográficos até os de interpretação, porém, tarde demais... Já está nas mãos do destinatário. O seu despreparo e sua inabilidade no idioma já foram documentados, já têm testemunhas, já são públicos...

A dificuldade com o idioma não é nova, mas ela nunca foi tão notada e apreciada como atualmente. Na vida pessoal, o domínio do idioma pode ser a base de projetos de vida bem-sucedidos e no campo profissional pode fazer a diferença entre emprego e desemprego.

Se, socialmente, um indivíduo que se expressa ou escreve mal é visto com ressalvas, na esfera profissional, as ressalvas multiplicam-se, com uma agravante: a desconfiança não fica restrita à habilidade de comunicação, a competência profissional também é questionada.

Sem contar, que a forma como você se expressa, seja oralmente ou por escrito, é o indicativo primeiro do seu grau de instrução, sua postura diante da vida, seu tipo de personalidade. Quem escreve e fala bem demonstra pensamento sistematizado, raciocínio lógico, clareza de idéias...

É como se a sua forma de se comunicar 'contasse' um pouco da sua história. E mais do que isso: é o meio que você utiliza para se relacionar com as outras pessoas, com o mundo.

Português fluente?
Tempos globais, a exigência hoje é de um terceiro idioma (o inglês já é uma espécie de pressuposto), porém, muitos estão se dedicando ao aprimoramento do seu primeiro idioma. Os sinais estão por toda parte. Nunca foram publicados tantos livros sobre o uso correto do idioma; há sites que literalmente dão aulas do idioma e tiram dúvidas via internet, como, por exemplo, www.portugues.com.br e www.gramaticaonline.com.br; aulas de português na televisão e no rádio.

Sem contar que bons profissionais deste ramo, como o professor de português Pasquale Cipro Neto, e o de expressão verbal Reinaldo Polito, ganharam status de celebridade. São convidados para palestras com auditórios lotados, participam de programas de entrevistas, disparam o índice de audiência de programas de auditório.

Dificuldade coletiva
Apesar da preocupação com o domínio efetivo do idioma, a realidade é que a maioria dos brasileiros tem um nível de conhecimento sofrível e poucos são os que dominam a norma culta do idioma. Tanto, que o domínio do português passou de obrigação a diferencial. E esta não é uma realidade nova. Há anos a prova de língua portuguesa (gramática, literatura e a temida redação) é eliminatória nos vestibulares do País para qualquer curso, mesmo para os ligados às disciplinas de Exatas e Biológicas. Para ingressar no mercado de trabalho, a exigência permanece no processo seletivo. Por motivos óbvios. Afinal, na era do conhecimento e da informação, uma comunicação com clareza e objetividade é obrigatória.

Alicerce humano
Se você sempre encheu o peito para declarar o seu ódio ao idioma e na escolha do curso universitário fugiu das carreiras da área de humanas para livrar-se do incômodo de estudar a língua portuguesa... pior para você. A linguagem é a base de tudo. Sem ela, o domínio de todos os outros aprendizados fica comprometido. Sem dizer que não há mais lugar para o engenheiro que não sabe redigir um relatório, o médico que não tem habilidade para 'traduzir-se' para o paciente, o líder - de qualquer segmento - que não consegue conduzir uma reunião com começo, meio e fim.

E mais: o mundo do trabalho, com o avanço tecnológico, mudou muito... Hoje predominam a força do trabalho em equipe, negociações, fusões, cooperações. Ações estas que exigem habilidade para comunicação articulada, fluente, clara.
Aqueles que só se preocuparam com o ato de falar saibam que grande parte da comunicação com o mercado, que antes era feita por telefone, agora é feita por e-mail. Já imaginou a idéia que um cliente poderá fazer de você e da sua empresa vendo erros grosseiros de troca de 's' por 'ç' , crimes com as conjugações verbais e, pior, texto confuso, desconexo...

Vários passos para trás
É verdade que a exigência hoje - principalmente nos mercados das grandes cidades, mais exigentes e seletivos - é de um domínio avançado do português. Porém, é preciso que se encare que só uma minoria domina o idioma. O brasileiro médio está longe do domínio que seria razoável para a língua.

De acordo com a consultora empresarial em língua portuguesa Laurinda Grion, autora do livro Manual de redação para executivos (Editora Madras) muitos não dominam a parte formal do idioma. Sabem, mas não sabem bem, falam e são entendidos. Mas há vários níveis de aprendizado e de uso do idioma. 'Há muitos analfabetos funcionais. Entendem, mas não sabem falar sobre aquilo. Lêem, mas não sabem redigir um texto sobre o assunto. Não sabem literatura, gramática, redação. Não sabem o que é prosa, o que é dissertação. Já aconteceu, em muitos cursos para pessoas de nível superior, alguns deixarem de fazer algum exercício porque não sabiam o que era escrever 'em prosa'', diz ela.

Segundo o professor Reinaldo Polito, o maior estudioso em expressão verbal do Brasil, há cerca de 30,5% de analfabetos funcionais no País. Pessoas que aprenderam a ler e a escrever e não sabem como usar isso. 'Há muitas pessoas bem preparadas que não sabem transmitir o que conhecem. Falam mal, expressam-se mal ou simplesmente não falam', diz Polito.
'A forma como você fala e escreve mostra e mede o seu preparo, a sua formação.

Se um profissional comete erros de concordância, de vocabulário, poderá ser avaliado como alguém sem preparo, com lacunas na sua formação e sua credibilidade e competência como profissional poderão ser postas em causa e até diminuídas. Para cada atividade há exigências diferentes. Porém, hoje na vida profissional não se admitem deficiências na expressão verbal e escrita. É claro que isto prejudica mais um advogado, por exemplo, mas também prejudica o engenheiro. A maneira como você se expressa não pode comprometer a qualidade do conhecimento que você tem', diz Polito.

Ok. Você sabe disso, conhece as suas deficiências e já encontrou a solução: a partir de agora, vai se disfarçar de samambaia nas reuniões, vai... Pasquale Cipro Neto, o professor de português mais famoso do Brasil, diz que os novos tempos exigem que se abra a boca. 'O abrir a boca é dominar o idioma, com conteúdo, com clareza, é ser convincente, saber estruturar as informações. Quem não abre a boca hoje está perdido. E quem abre a boca melhor, sai-se melhor', afirma.

Um bom texto, faz favor!
A maestria de Machado de Assis, a contundência de Nélson Rodrigues, a argumentação de Padre Vieira... O bom texto consegue-se com treino, treino e muito treino.

Ortografia impecável, concordância e conjugação verbal vá lá... Mas, conteúdo, clareza, objetividade? Exatamente. A exigência atual vai além de um texto sem erros de ortografia e com começo, meio e fim. Na era da agilidade da informação a exigência é a habilidade para redigir ou falar de forma clara, objetiva e concisa.
É. O caminho é árduo e não tem fim. Mas com estudo, o cultivo de alguns hábitos e treino você pode melhorar a cada dia.

Sem preconceito - Primeiro de tudo livre-se do fantasma que sobrevoa o 'curso de português'. Independentemente da sua idade ou do seu grau de escolaridade, estudar o idioma mostra que você atingiu um grau de maturidade e sofisticação extrema. Indica seriedade e preocupação com o seu desenvolvimento. Não tenha medo de mencionar até mesmo no seu currículo. Estudar a língua portuguesa é um diferencial. Outra coisa: a reciclagem no estudo faz que com que você se livre dos preconceitos, mitos e teorias ultrapassadas que insistem em rondar o idioma.

Realismo e disciplina - Segundo os especialistas, um ponto importante que precisa ser encarado é que o estudo do idioma é eterno. 'Não tem fim. É um eterno desafio', diz Pasquale. O professor explica ainda que a tarefa vai além do estudo permanente, inclui também uma postura favorável ao aprendizado contínuo. 'É preciso estar inquieto, ser curioso, é preciso pesquisar', completa. De acordo com Laurinda Grion, a busca deve ser o errar menos, porque o erro vai sempre acontecer, é inevitável: 'A língua portuguesa é complexa', diz.

Reciclagem e atualização - Isto é feito com leitura atenta de jornais, revistas, observar os outros. Cursos de reciclagem em ortografia, análise sintática, redação são fundamentais, principalmente para que você se liberte de certos conceitos errados. 'Afinal, quem é que nunca ouviu falar que vírgula serve para respirar?', pergunta Pasquale.

Gramática? - O ensino do idioma melhorou muito. Há bons cursos e o inadequado método de decorar regras já ficou para trás. Pasquale afirma que é necessário dominar certos mecanismos, o resto é entendimento. 'Gramática não é o fim. Nunca foi e nunca será. Ela é o meio. Fico doido com perguntas de certo e errado. Depende. Tudo depende', diz ele.

Para quem tem medo de nomenclaturas e teorias complicadas, o conselho é não se preocupar. Pasquale afirma que muitas vezes nem é necessária a utilização de terminologia e dá um exemplo: há dificuldade de entender o tempo verbal 'passado (pretérito) mais-que-perfeito'. Vamos lá. O passado perfeito refere-se a uma ação inteira, completa. Um passado feito completamente, acabado até o fim. Portanto, passado perfeito: eu fiz o pacote. No passado mais-que-perfeito a conjugação é fizera. 'Quando ela chegou (passado perfeito) eu já fizera (mais-que-perfeito) o pacote.' É uma ação mais velha do que o passado perfeito, portanto é um passado 'mais-que-perfeito'. Para aprender o português não é preciso decorar regras e palavras difíceis.

Cultive o hábito de ler - Pasquale afirma que o exercício que não pode faltar no aprimoramento do idioma é o ato de ler. E reconhece a dificuldade que envolve a leitura, principalmente na vida atual. 'Ler é uma atividade penosa, exige concentração, silêncio, raciocínio, solidão. Ler não se faz com a galera, com a turma. Hoje as pessoas vivem em bando e tudo tem que ser feito em bando. Ler não é algo que se faz em bando. É o oposto disto. Em tempos de vida moderna, do celular, cadê a concentração? Cadê a solidão? Nestes tempos, ler é difícil', conclui. O professor acredita que há muita hipocrisia. Não se enfrentam as coisas como elas são. 'As pessoas querem o tempo todo confusão, se afastam de si, têm medo delas mesmas. Neste contexto não há espaço para a leitura.'

É bom lembrar que para a apreensão do conteúdo (sem este componente, a leitura é inútil) do que é lido é preciso acuidade intelectual, capacidade de abstração, refinamento, imaginação, sensibilidade. Caso contrário, o leitor não entenderá a ironia, a metáfora, o simbolismo de certas narrativas... Pasquale conta que certa vez uma aluna pediu uma indicação de um livro que fosse rápido de ler, que não fosse 'pesado'. Ele indicou A metamorfose, de Franz Kafka. Dias depois, a aluna disse que havia começado, mas não havia terminado, pois não gostou do conteúdo de uma das maiores obras-primas da literatura mundial e explicou o motivo: 'Credo! O sujeito vira uma barata!'.

E por último, mas fundamental: ler com qualidade, com atenção, com reflexão e, se necessário, ler, reler.
Laurinda concorda e recomenda a leitura acompanhada de anotações sobre o texto. 'A leitura deve ser vagarosa, prazerosa. Esqueça a idéia de ler rápido, de procurar literatura leve para começar e terminar um livro rapidamente', completa.

Escreva hoje - O bom texto escrito não é um dom, é o resultado de muito treino. Veja o método de escrita de alguns escritores famosos e observe o número de vezes que os seus textos foram reescritos. 'Amar se aprende amando e escrever se aprende escrevendo', diz Pasquale. Mas, treino só não basta, é preciso expor o exercício da escrita. 'O texto deve ser submetido a alguém. Até nos meios profissionais se faz isto, no jornalismo tem a dupla, onde os jornalistas trocam leituras de textos. Deve-se procurar este retorno de um jeito ou de outro, saber se o seu texto foi claro, se foi entendido. É preciso perder o medo e a vergonha de expor o que foi escrito', diz o professor.

Pensar, conhecer - Porém, não se deixe seduzir por regras gramaticais e técnicas de escrita. 'Se fosse assim, todos os professores de português seriam escritores. Muitos não dominam regras e são excelentes escritores', diz Laurinda. O ato de escrever bem vai além. É preciso cultura, conhecimento, pensamento de qualidade, crítica. 'É preciso saber que o texto está ruim, ter disposição para refazer. É inspirar-se nos versos de Bilac: 'Lima, malteia, dá brilho'. É igual ao trabalho do ourives. É reescrever, lapidar, achar as palavras mais adequadas', continua ela.

A sua vez de falar
Saber falar com descontração e simplicidade, clareza e objetividade é diferencial obrigatório para qualquer carreira.

O ato de falar é um diferencial que vale ouro para aqueles que dominam bem a arte. Em contrapartida, a falta de domínio pode significar o passo de gigante para o fracasso em negociações, relacionamentos e empreendimentos. Cerque-se de cuidados e comece o seu desenvolvimento. Há muitos cursos e workshops de expressão verbal (uma dica: os mais eficientes são os que contam com muitos exercícios práticos), porém, verifique a qualidade do seu domínio na escrita e não esqueça de estar atento ao conteúdo. Afinal, técnicas para falar melhor, sem conteúdo, são um exercício inútil.

Seja você mesmo - A linguagem precisa ser adequada - mais formal ou menos formal - à ocasião e este é um dos motivos do erro número um da comunicação verbal: a falta de naturalidade. Segundo Reinaldo Polito, a maioria das pessoas, quando precisa ser mais formal, adota um estilo que não é dela. Por quê? 'Primeiro é inconsciente. Quando mais importante for o ouvinte, mais tendência você terá para tentar impressioná-lo, para que ele tenha uma idéia positiva a seu respeito. Como você tenta projetar uma imagem que não é sua, acaba ficando uma comunicação deficiente, artificial', diz.
'Ela também precisa ser adequada à ocasião, é como usar uma roupa. Imagine você em uma pelada dizendo: por favor, passe-me a bola', completa Laurinda Grion.

Escrevo bem, logo falo bem? - Se você tem um bom texto e acha que será fácil... Reinaldo Polito explica que não é bem assim. Escrever e falar são atividades diferentes. Tanto o ato de escrever como o de falar exigem conhecimento e treinos específicos. O mestre dá o exemplo de dois brasileiros famosos. 'O escritor Luis Fernando Veríssimo se preparou ao longo da vida para o ato da escrita. Ele é muito preparado intelectualmente, escreve maravilhosamente bem, mas para falar... nada. Já o comunicador Silvio Santos não tem preparo intelectual, nem escreve, fala maravilhosamente bem', afirma.

De acordo com Polito, muitas pessoas que falam bem atrapalham-se na hora de escrever, pois a escrita não tem a liberdade que se tem na fala.. Do outro lado, aqueles que dominam a habilidade de escrever têm dificuldade de falar bem, pois se preocupam tanto com o rigor que se sentem tolhidos. Sem contar que na expressão verbal entram outros elementos como a entonação, o ritmo da fala, o pensar rápido, que não existe na escrita. Já no texto escrito, pode-se corrigir, ratificar, substituir palavras, rever', explica Polito.

Mas atenção: a base de ambas é o ato de pensar bem. 'Quem pensa bem e fala bem tem condições de escrever bem. Quem pensa bem e escreve bem nem sempre tem condições de falar bem', afirma Polito. Isto não quer dizer que quem escreve bem não fale bem. Quer dizer que o aprendizado não é tão automático.

O dia-a-dia é uma escola - Um ponto de apoio importante é o hábito de, antes de falar, organizar o raciocínio. Faça isto sempre. No cotidiano, seja um observador atento da sua forma de comunicação e das outras pessoas do seu convívio. Tenha consciência dos seus erros e lute para consertá-los. Polito explica que algumas pessoas têm o hábito de interromper a fala e esperar que o outro termine a frase ou entenda-a incompleta mesmo. Se for o seu caso, livre-se já deste vício. 'Além de correr o risco de não ser compreendido, ou ser mal interpretado, você deixa de exercitar a sua capacidade de verbalização, a sua articulação', diz ele.

E, detalhe, se você se acostuma, a tendência é ir reduzindo cada vez mais a sua verbalização. 'Isto é muito comum em ambientes familiares. Muitas famílias comunicam-se por grunhidos. Às vezes, somos entendidos pela inflexão da voz, pelo gesto, mas não podemos deixar que isto substitua a verbalização', completa. Mas a reflexão sobre a comunicação vai além disto. Procure pensar no sentido das palavras que você costuma usar. Os adjetivos, por exemplo, varie-os. Estude outros sinônimos dos adjetivos mais recorrentes no seu dia-a-dia e alterne o uso dos sinônimos. Estude mesmo, entenda o significado, não vá cometer gafes.

E não esqueça de 'usar' o conhecimento do seu interlocutor. Quando não entender uma palavra ou expressão pergunte, peça detalhes, aprenda e incorpore ao seu vocabulário.

Ative o vocabulário - E por falar no assunto. Não adianta você ler um livro, descobrir uma palavra nova, pesquisar o significado e depois não utilizar. Polito explica que há um vocabulário ativo e outro que conhecemos mas não usamos, está desativado. Ative! O domínio só vem com o uso. Não há nada pior do que ficar substituindo palavras por 'coisa', 'troço', 'aquela pecinha' etc. Muitas vezes a falta de palavras para se comunicar não é nervosismo, é falta de vocabulário mesmo. E não economize no aprendizado. 'Quanto mais amplo e abrangente for o vocabulário, mais pronta, desenvolta e segura será sua comunicação', afirma Polito.

Plante-se em terreno fértil - O ambiente em que você vive é muito importante. Se você convive com intelectuais, com pessoas bem formadas, automaticamente se expressará melhor. 'Veja o Lula, as conquistas dele na capacidade de expressão vêm do estudo, mas também do seu convívio com intelectuais que sempre se aproximaram do PT. Como ele é inteligente, aprendeu. É o mesmo com a criança. Se os pais conjugam bem os verbos, articulam mais as palavras, elaboram concordâncias, a criança aprenderá a falar bem de forma mais rápida', atesta.

Tudo automático - Depois de tantas lições, cuidados e regras, a pergunta que vem é: como pode haver naturalidade, depois de tudo isto? A naturalidade, na verdade, é a prova da assimilação das lições e só vem com o tempo mesmo. Nesse caso, a naturalidade é o fruto do empenho. No seu livro Como se tornar um bom orador e se relacionar com a imprensa (Editora Saraiva), Polito cita o depoimento do famoso advogado criminalista Waldir Troncoso sobre a sua luta para a automatização de conceitos aprendidos no seu ato de comunicar. 'Enquanto o orador estiver preocupado com a apalavra que vai dizer, com o verbo que vai conjugar, com o adjetivo e o substantivo que irão compor a frase que deverá refletir o seu pensamento, estará preso à forma da comunicação e sofrerá, com isto, um rebate de produtividade.

Só depois que o orador não tiver mais que pensar no que vai dizer e em como vai dizer é que terá incorporado a automatização da fala e poderá transmitir suas idéias sem o atrelamento à forma.'

Essa é uma conquista que requer anos de estudo, experiência, prática e observação. 'É importante observar e aprender novos termos para a ampliação do vocabulário, mas é fundamental que eles sejam usados. Se não existir a prática, as novas palavras serão inúteis', conclui Polito.

'A palavra é o dorso por onde caminham nosso raciocínio e sentimentos. Sem ela, dificilmente poderíamos externar o que pensamos ou queremos.'
Reinaldo Polito

'A busca deve ser o errar menos, na língua portuguesa o erro é inevitável.'
Laurinda Grion

'Ler não se faz com a galera, com a turma. A leitura é uma atividade penosa, exige concentração, silêncio, raciocínio, solidão.'
Pasquale Cipro Neto

'Quando não houver vento, reme.'
Provérbio romano

'A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal.'
Machado de Assis

Esses e outros conceitos são desenvolvidos no curso de expressão verbal ministrado pelo Professor Reinaldo Polito.
Escolha o mais apropriado para você - Cursos