Curso de Expressão Verbal

Folha On line - jun/00

Como manter o emprego - Falar em público é mais fácil do que você pensa

Para muitos falar em público é fácil, mas para outros, constitui-se em um grande pesadelo. Mais do que medo, essas pessoas sentem-se 'bloqueadas' quando precisam pegar em um microfone e ministrar um seminário ou uma palestra.
Mas, mesmo sem ter o dom da oratória, é possível desenvolver algumas técnicas para se aprimorar. Para contornar essa situação, muitas pessoas (empresários e profissionais liberais) têm procurado cursos de comunicação verbal.

Durante esses cursos, os alunos desenvolvem sua auto-estima e segurança, além de aprender uma série de técnicas para se saírem bem diante de uma platéia. Entre os milhares de segredos de como falar bem, manter a naturalidade é a principal. 'Naturalidade é fundamental. É a melhor técnica e a mais importante', afirma Reinaldo Polito, professor de expressão verbal.

Reinaldo Polito é o autor do livro 'Como Falar Corretamente e Sem Inibições', que há mais de dois anos figura entre os mais vendidos do país e que está em sua edição de número 88, e dono da maior escola de comunicação verbal da América Latina, o Curso de Expressão Verbal Reinaldo Polito, que já formou mais de 30 mil pessoas em 25 anos de existência.

Perfil

O perfil de quem procura um curso de comunicação verbal mudou muito nos últimos anos. Antes eram advogados, executivos e diretores de grandes empresas que, em função da sua profissão possuíam necessidades específicas, tais como obterem melhores resultados em palestras e uma participação mais efetiva em reuniões e situações de liderança.
A partir daí, o palestrante desenvolve sua argumentação. Prever as reações do público e se preparar para responder às dúvidas são boas formas de se preparar. A conclusão é o último passo e deve sempre ser bem clara, conduzindo a uma reflexão.

Dicas para usar e preservar a voz

Para falar em público

  • Certifique-se de que o ambiente está silencioso o suficiente para que você possa falar sem fazer esforço;
  • Em palestras, fale sempre de frente para a platéia e mantenha uma distância máxima de dez centímetros do microfone. Usar recursos audiovisuais, como vídeos, 'slides' e retroprojetores é uma boa forma de dar uma folga à garganta;
  • Durante a apresentação, beba vários goles de água. Isso hidrata as cordas vocais e ajuda a falar melhor;
  • Depois de falar por um período prolongado, faça um pausa mínima de cinco minutos e evite fumar durante meia hora;
  • Evite café, chá com cafeína, alimentos achocolatados e derivados de leite, uma hora antes de falar em público. Esses alimentos ativam a mucosa e deixam a saliva 'grossa';
  • Se for falar sentado, procure sentar-se sempre com a coluna ereta e de maneira confortável. A postura pode influenciar na emissão da voz;
  • Procure não pigarrear ou 'raspar' a garganta na tentativa de remover corpos estranhos ou aliviar o sintoma de pressão. Isso proporciona eventual melhora na voz, mas piora a condição da laringe e irrita as cordas vocais.


No escritório

  • Fuja de ambientes com ar-condicionado. Caso não seja possível, beba água o maior número de vezes durante o dia. Isso ajuda a hidratar a garganta e limpar as cordas vocais;
  • Quando usar o telefone, evite apoiar o aparelho no ombro e ficar com a cabeça inclinada, o que pode exigir mais esforço ao falar. Tome vários goles de água enquanto mantém a conversa;
  • Tente não permanecer em locais muito barulhentos. Elevar o tom da voz, assim como cochichar ou sussurrar, exige muito esforço das cordas vocais e pode causar rouquidão;
  • Durante o almoço ou horário de pausa, cuidado com bebidas e alimentos muito quentes ou gelados. O ideal é consumí-los em temperatura ambiente;
  • Evite bebidas alcóolicas, que atuam como anestésicos. O abuso da voz acaba sendo 'mascarado' pela sensação de conforto causada. O mesmo ocorre com pastilhas e sprays.


Sintomas que sinalizam problemas

  • Ardor;
  • Dor ou ressecamento da garganta;
  • Perda parcial ou total da voz no final do dia;
  • Rouquidão por mais de 15 dias;
  • Alteração do timbre ou da tonalidade da voz;
  • Sensação de cansaço;
  • Esforço exagerado para falar.