Curso de Expressão Verbal

Linguagem corporal é importante, mas não é tudo

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“Alguns pecam por desconsiderar totalmente a importância de gestos, expressão facial e posturas em uma apresentação ou reunião de negócios. Outros supervalorizam a gesticulação. O mestre em Ciências da Comunicação, Reinaldo Polito dá dimensão exata da importância da expressão corporal.”

Steve Jobs, uma das personalidades consideradas mais brilhantes do mundo da comunicação, é um exemplo de que a expressão corporal mais moderada pode trazer melhores resultados. A avaliação é do mestre em Ciências da Comunicação, professor de oratória, palestrante e escritor Reinaldo Polito. Ele falou à revista Mundo Corporativo sobre a importância da expressão corporal no desempenho de executivos.

Segundo ele, o fundador da Apple usava minimamente o corpo em suas apresentações. “Não que ele não usasse o corpo para falar, mas não era um item que poderia ser considerado exemplar para as regras que normalmente se deseja pregar”, afirma. “Os gestos de Steve Jobs estavam sempre em perfeita harmonia com a inflexão da voz e com as informações que transmitia.” Com isso, Polito chama atenção para a supervalorização da expressão corporal, atualmente. Ele afirma que alguns chegam ao absurdo de imaginar que só sabe falar quem souber gesticular.

“A postura e os gestos são relevantes, mas é preciso tomar cuidado para não dar a esses aspectos da comunicação mais importância do que efetivamente merecem. Há outros detalhes da comunicação até mais importantes, como conteúdo e a ordenação didática da fala.” Se há aqueles que não dão tanta atenção à postura, usam pouco os gestos e conseguem resultados excepcionais em suas exposições, Polito alerta que há também executivos que não sabem usar bem o corpo na comunicação e acabam prejudicando o resultado de suas apresentações.

Antes de mais nada é importante saber exatamente em que consiste a expressão corporal. Esta considera apenas a postura, os gestos e a comunicação facial. “Todos esses aspectos devem estar em harmonia com o tom da voz e a mensagem. Se a expressão corporal aparecer mais que esses outros aspectos poderá haver um desvio da atenção dos ouvintes”, explica Polito.

Toda vez que a expressão corporal demonstrar hesitação, inibição, desconforto do orador, estará prejudicando o processo da comunicação. “Observamos essa atitude negativa quando as pessoas falam com as mãos nos bolsos, com os braços nas costas ou com eles cruzados. Quase sempre o defeito aparece também com o posicionamento desequilibrado das pernas, quando o orador se posiciona ora sobre uma perna, ora sobre a outra”, diz Polito. “Não significa, entretanto, que falar com os braços nas costas ou com as mãos nos bolsos seja sempre um erro. Em determinados momentos, desde que o comportamento seja natural, pode até ser uma atitude recomendável.”

Dentro dessa lógica a expressão corporal inadequada pode e não pode colocar determinada situação em risco. Polito explica. “Pode porque se o orador gesticular demais ou de menos, se mantiver postura deselegante e comunicação facial incoerente com a mensagem, com certeza o resultado será negativo”, diz. “Não pode, porque se a pessoa falar com as mãos nos bolsos, sentar-se na ponta da mesa ou apresentar qualquer outro comportamento criticável pela maioria das cartilhas, desde que aja com naturalidade, apresente um conteúdo consistente e projete uma personalidade confiante não haverá nenhum prejuízo.”

Não há exatamente um manual. No entanto, Polito diz que há algumas regrinhas gerais, que não são rígidas e imutáveis, que podem ajudar. Os gestos devem ser normalmente moderados. Os dois erros mais comuns são a falta e o excesso de gestos. “Quanto maior e mais inculto o público, mais ampla deve ser a gesticulação. Quanto menor e mais bem preparada a plateia mais moderados devem ser os gestos”, diz. Assim, para animar equipes os gestos devem ser abrangentes e largos, pois devem atender mais à emoção que a razão.

Em uma reunião com diretores, por exemplo, os movimentos devem ser mais discretos, pois vão atuar mais na razão do que na emoção. “Lembrando sempre que essas sugestões são relativas. Em algumas reuniões com a diretoria os gestos largos poderão dar melhores resultados. Enquanto que em eventos que animam equipes, às vezes, gestos mais contidos podem funcionar com mais eficiência.” É sempre importante ter em mente que os gestos devem atuar para destacar a mensagem relevante, complementar as informações e, em determinadas situações, substituir palavras que não foram ditas. “Gestos fora dessas medidas ou que contrariem esses objetivos serão, normalmente, inadequados.”

 

Mundo Corporativo - Edição novembro/dezembro - número 42  Unimed Londrina/PR.