Curso de Expressão Verbal

O papa do papo - Playboy - jun/99

Perfil - Reinaldo Polito

O papa do papo

Houve um tempo em que o piloto Christian Fittipaldi, hoje uma das estrelas brasileiras da Fórmula Mundial, a antiga Fórmula Indy, corria também o risco de ficar empacado no grid de largada de uma simples entrevista à imprensa. O mesmo pânico ameaçava apagar os motores verbais de dois de seus colegas -- o veterano Ingo Hoffmann, 28 anos de automobilismo, onze vezes campeão na categoria stock cars, e o praticamente estreante Mario Haberfeld, campeão da Fórmula 3 inglesa na última temporada agora promovido à Fórmula 3000, a ante-sala da Fórmula 1. Já a cantora Vanusa, com todos os seus anos de palco, via a voz sumir quando, em vez de um dó-ré-mi, precisava desfiar um blablablá -- explicação para os minguados 11.000 votos que teve, em 1994, como candidata derrotada a deputada federal por São Paulo pelo PDS, hoje PPB. Vanusa sentia o mesmo pavor que se apossou do então desconhecido proprietário rural paulista Antônio Cabrera quando, no início do governo Collor, em 1990, um convite para assumir o Ministério da Agricultura plantou na sua frente uma touceira de microfones.

Um pronto-socorro verbal para o sr. ministro

A salvação da lavoura, para Cabrera como para os demais citados e toda uma multidão de encabulados, foram as artes do professor paulista Reinaldo Polito, 48 anos, reconhecidamente a maior autoridade brasileira em matéria de destravar gogós paralisados pelo medo de falar em público.

Por seu Curso de Expressão Verbal, criado há 24 anos, já passaram nada menos de 30 000 alunos -- para não falar dos leitores de seus sete livros sobre o assunto, que segundo o autor já venderam 350.000 exemplares. O carro-chefe é Como Falar Corretamente e Sem Inibições, de que saíram até agora 65 edições, ultimamente acompanhadas com um CD com trechos de discursos incluídos no livro.
Polito tem alunos vindos do país inteiro e de tudo quanto é ramo de atividade. Dois terços deles são homens, assim como dois terços, de ambos os sexos, congestionam a faixa dos 19 aos 35 anos de idade -- aquela em que é mais intensa a briga para abrir espaço no mercado de trabalho. Ao contrário do que se poderia imaginar, os políticos representam apenas 1% dos alunos de Polito e só costumam aparecer em tempo de eleição. A maioria dos que o procuram não está interessada em discursos, no sentido mais corrente da palavra, e sim em ganhar desembaraço para falar em público, seja numa reunião de empresa, seja numa apresentação, exigência cada vez maior onde quer que se trabalhe.

O grosso dos alunos de Polito é formado por engenheiros, profissionais da área comercial, administradores de empresas, estudantes, professores, analistas de sistema, psicólogos e empresários, nessa ordem, mas também por médicos, funcionários públicos, dentistas, veterinários... A última leva de interessados em fazer o curso tinha tudo isso e mais: um leiloeiro rural, um músico, um físico, um especialista em classificação de frutas e um pastor anglicano que admitiu estar ali na esperança de aprender a pregar sem que os fiéis dormissem no meio do sermão.


Coisa de maluco, essa mania de ouvir discurso

A julgar pelos depoimentos entusiásticos de muitos ex-alunos, é bem provável que as preces do pastor sejam ouvidas. Foi assim, por exemplo, com Christian Fittipaldi, que lá chegou aos 17 anos, levado pela mãe, Suzy, já de olho num futuro que necessariamente haveria de incluir uma profusão de entrevistas e palestras. O piloto, agora com 28 anos, conta que no início estava travado ao ponto de não conseguir dizer o próprio nome. 'Hoje me saio muito bem', comemora Christian, que já não derrapa nas entrevistas e palestras -- sobretudo, não lhe perguntem por quê, se for em inglês. 'Estou sempre me lembrando de lições e truques que o Polito me ensinou', atesta por sua vez o loquaz prefeito de Santos, Paulo Roberto Mansur, o Beto Mansur, do PPB, radialista que no começo da carreira política, dez anos atrás, não sabia encarar uma câmera de televisão.

O piloto Mario Haberfeld tinha o mesmo defeito e mais este: sua fala era atravancada por detritos vocabulares do tipo 'né' e 'acho'. Polito deu jeito nele -- e também em Vanusa, a cantora que só cantava. Meses atrás, para lançar seu livro Ninguém é Mulher Impunemente, ela quis fazer uma série de palestras e recorreu ao professor. 'Ele me tirou o medo de falar', diz Vanusa. Tão empolgada ficou que vem receitando doses de Polito ao cantor Leonardo, seu amigo.

Se Leonardo aceitar, será mais um daqueles 50% que chegam ao curso por indicação de gente que por lá passou. O ex-ministro Cabrera pertence à outra metade. 'Nunca imaginei que ia precisar disso', ele diz. O convite para a pasta da Agricultura colheu-o de surpresa aos 29 anos e fez com que o moço, já tímido, se encaramujasse ainda mais. Polito viu a primeira entrevista dele no Bom Dia Brasil, da Rede Globo, e balançou a cabeça: 'Esse não vai longe'. No mesmo dia, porém, foi procurado por assessores do ministro, que lhe pediram um pronto-socorro verbal para o chefe. Tão angustiosa era a situação que só faltaram levar Cabrera de ambulância até a sede do curso, instalada numa casa de dois andares no bairro do Planalto Paulista, na Zona Sul de São Paulo. (Uma nova sede, nas vizinhanças do Museu do Ipiranga, estará terminada até o fim do ano.) O intensivo foi feito debaixo de sigilo, em horários não usuais, para não atrair aquela touceira de microfones.

Cabrera não se arrependeu. Ganhou tanto desembaraço que pouco tempo depois estava discursando como paraninfo de uma turma do curso de Reinaldo Polito. É uma distinção que o professor em geral reserva a talentos indiscutíveis da palavra, como o ex-apresentador de televisão Blota Jr. ou o advogado paulista Waldir Troncoso Peres, que ele considera os maiores oradores do país -- mas também, desconcertantemente, a alguém que se poderia situar no extremo oposto dessa arte, o tartamudo senador Eduardo Suplicy, do PT de São Paulo, que chegou a merecer do falecido jornalista Paulo Francis o apelido 'Mogadon', tão soporíferos costumam ser os seus pronunciamentos (no quadro da página anterior, Polito avalia o desempenho de personalidades no uso da palavra).

O próprio Polito, com sua voz redonda, radiofônica, poderia ser tomado como prova de que, havendo cordas vocais, há solução. No princípio, para ele, não era o verbo: aos 3 anos de idade, sofreu queimaduras num incêndio na casa da família, em São Paulo, e, traumatizado, ficou mudo. Quando voltou a falar, meses depois, voltou gago. O médico recomendou aos pais que lhe enchessem a boca não de pedras, como teria feito o filósofo grego Demóstenes para vencer a gagueira, mas de versinhos.

Funcionou, e é pena que Polito não se lembre de uma só daquelas rimas terapêuticas. De volta a Araraquara, a cidade paulista onde nasceu, o menino Reinaldo, já sem repicar a fala, fez sucesso como declamador, brilhando em concursos. Ganhou ainda mais desenvoltura no teatro amador, sob o comando do falecido diretor Luiz Antônio Martinez Corrêa, irmão de José Celso. Aos 15 anos foi um dos Pequenos Burgueses de Máximo Górki. Na vida real, seu drama era outro: tinha pavor de falar em público. 'Mas falava', ele conta.

Em São Paulo, para onde se mudou em seguida, Polito formou-se em Economia e Administração de Empresas e embicou por uma carreira de bancário que parecia ser o destino final deste homem afável, de olhos circunflexos e cabelos impecavelmente escuros, para quem o adjetivo polido é mais que um péssimo trocadilho. Até que, em 1975, o acaso lhe trouxe o professor Oswaldo Melantonio, durante meio século (de 1944 a 1994) dono da mais procurada escola de oratória de São Paulo. Tinha ido apenas levar um amigo para fazer o curso, encantou-se, resolveu fazer também. Terminado o curso, Polito foi ficando, tornou-se assistente de Melantonio, de quem acredita ter até hoje uns 'trejeitos'. O mestre, aos 75 anos, não esquece o pupilo 'famélico de cultura': 'Se eu deixasse, ele assistia a todas as aulas das turmas todas, e eram doze.'

Foi por essa altura que Polito pegou a mania ('meio maluca', admite) de ouvir discursos -- volta e meia, em casa, põe para rodar a sua coleção de pronunciamentos do falecido governador carioca Carlos Lacerda, não só por ele considerado um dos grandes tribunos brasileiros do século. O gosto pela oratória é compartilhado pela filha Rebeca, que aos 15 anos já fala em seguir a profissão do pai. Polito, que está no segundo casamento, tem mais três filhos -- rigorosamente em R: a arquiteta Roberta, 23, que em abril fez dele avô pela primeira vez, Rachel, 22, formada em Comunicação, e Reinaldo, 13.

Ainda com um pé na carreira de bancário, da qual sua cabeça a cada dia mais e mais se desgarrava, no mesmo ano de 1975 Polito formou as primeiras turmas do que viria a ser o seu curso de expressão verbal. Improvisou uma sala de aula nos fundos da mesma casa onde hoje comanda cinco professores e quatro funcionárias; a sala da frente era ocupada pelo consultório dentário de sua primeira mulher. No início da década de 1980 achou que era tempo de promover sua primeira grande aula de apresentação, espécie de vitrine do curso. Arrebanhou cinqüenta inscrições, mas na hora só apareceram três almas penadas. Ficou arrasado. 'Acho que nunca chorei tanto', rememora.

Nem por isso desistiu. Em 1984, pegou tudo o que tinha e jogou na profissionalização do empreendimento. Um anúncio na edição de domingo de O Estado de S. Paulo consumiu quase todo o seu salário de gerente de banco -- e, quando Polito abriu o jornal, lá estava o desastre: o texto, que ele havia passado por telefone, trazia um enorme, vexatório 'espressão' com S. Não tardaram as piadinhas do outro lado da linha: 'E Português, vocês ensinam?' A agência responsável pela catástrofe desculpou-se e reprisou o anúncio, dessa vez com X. 'Foi até bom', avalia Polito, 'houve duas divulgações.' E o curso deslanchou, engolindo o consultório da mulher e estimulando Polito, no ano seguinte, a fechar seu guichê de bancário. 'Todo mundo me chamava de maluco', ele ri. Parecia mesmo, mas já na primeira semana conseguiu contrato para treinar pessoal de uma empresa, em troca de um cheque seis vezes mais gordo que o antigo holerite de gerente.

Seu primeiro livro, o best-seller Como Falar Corretamente e Sem Inibições, saiu em 1986 -- e nunca mais parou de vender, contribuindo para estabelecer o nome de Polito como referência obrigatória no ramo da comunicação oral. Prova disso é a sua fornida galeria de ex-alunos famosos. 'Já tive três ministros e meio em Brasília', gaba-se o professor: um no governo Itamar Franco (Walter Barelli, na pasta do Trabalho), dois e meio no governo Fernando Collor (Antônio Cabrera, na Agricultura, João Mellão Neto, no Trabalho, e Marcelo Ribeiro, na Secretaria Nacional dos Transportes). A julgar pelo que diz, o curso e os livros lhe deram mais prestígio que fortuna. Dirige um Jaguar nas ruas de São Paulo, mas afirma que rico não está; mora num apartamento de três quartos no bairro de Campo Belo. 'Pago todos os cursos de que meus filhos precisam, mas não poderia deixar de trabalhar', baliza Polito.

Sua competência é atestada por mestre Oswaldo Melantonio, que contabiliza: de seus 47 ex-alunos que hoje vivem do plá, nenhum chegou mais longe que Polito. 'Ele foi o que melhor soube divulgar a necessidade de falar corretamente', entoa Melantonio, professor, entre outros, dos ex-governadores paulistas Franco Montoro e Orestes Quércia.

O sucesso de Polito certamente tem a ver com a sua concepção moderna de oratória, situada a anos-luz dos empolados e tremelicantes gorjeios de águias como Ruy Barbosa. Ele trabalha sobre a convicção de que uma pessoa, para falar bem em público, não precisa mudar suas características. Não precisa e não deve: 'Nenhuma técnica é mais eficaz que a naturalidade', ensina Reinaldo Polito. 'Voz boa é a que passa credibilidade.' Não existe, pois, uma fôrma de fazer orador; a oratória postiça não funciona e convém que cada um aprenda a explorar o que tem de mais genuíno. No caso do Faustão ou de Jô Soares, por exemplo, é a presença de espírito. Mesmo a fala cavernosa e a gesticulação rebarbativa de Gil Gomes, que as leis do bem falar em público condenariam, podem ser usadas com êxito na comunicação se assumidas como marca registrada.

São lições básicas que Polito procura inculcar em seus alunos, aos quais oferece treinamento individual (duas sessões de 3 horas cada, ao preço de 2400 reais) ou em turmas (uma aula semanal com 3h45 de duração, durante três meses, cerca de 2000 reais). Empresas mandam grupos inteiros de funcionários. Por ocasião do lançamento do Viagra, no ano passado, o laboratório Pfizer constatou que muito médico se sente pouco confortável quando, em suas palestras, precisa falar de questões ligadas ao sexo, como as disfunções eréteis que o novo remédio procura solucionar -- e resolveu patrocinar aulas de Polito para que três dúzias deles aprendessem a levantar a voz. 'Já soube do bom desempenho de vários deles em palestras e conferências depois do curso', diz Antônio Flávio de Lima, gerente de produto do laboratório.

(Solicitações como a do Pfizer estão perfeitamente dentro do previsível no Centro de Expressão Verbal. Fora do programa, até hoje, apenas a história de uma empresária do Nordeste que, transplantada para São Paulo, foi pedir a Polito que examinasse seu filho de 18 anos e lhe dissesse se o rapaz estava ou não enveredando pelo homossexualismo, já que ultimamente dera para falar de um jeito muito esquisito. Polito recebeu o moço e em poucas sessões pôde tranqüilizar a angustiada mãe: o tal jeito esquisito era só o resultado de uma desastrada tentativa de substituir por qualquer outro o sotaque nordestino, de que o garoto se envergonhava.)


Falta água na mesa? Basta morder a língua

O ex-ministro Cabrera é um dos que desencalacraram a garganta em aulas individuais, mas há quem, mesmo podendo gastar mais, prefira o treinamento em grupo -- caso do piloto Ingo Hoffmann: 'O que adianta é falar na frente dos outros', julga ele. E isso, falar na frente dos outros, é o que se faz já na aula de apresentação, gratuita, ao fim da qual cada um é chamado ao palco do auditório do Curso de Expressão Verbal para dizer seu nome, sua profissão e o motivo que o levou até ali. Quase sempre é a necessidade de melhorar o desempenho no trabalho, embora não falte quem simplesmente queira deixar de ser um bicho-do-mato (veja quadro 'Dicas de Reinaldo Polito para abordar o sexo feminino').

'Prazer em conhecê-lo', vai saudando o professor Polito, que grava em teipe e em seguida exibe os minidepoimentos dos calouros. Faz comentários, corrige posturas e, com bom humor, se esforça por desembaçar o 'branco' que com freqüência fecha a goela de um aspirante à fluência. Esses terríveis parênteses mentais vitimam até mesmo oradores traquejados. O próprio Polito, certa vez, numa aula, perdido num branco particularmente espesso, não viu outra saída senão simular um desmaio.

Não é, evidentemente, o que ele recomenda em suas aulas e seus livros, recheados de conselhos práticos às vezes tão úteis quanto curiosos . A comprometedora tremedeira nas mãos diante da platéia, por exemplo, pode ser disfarçada com a escolha de um papel mais encorpado. Se a boca estiver seca e faltar água na mesa, bastará morder de leve a ponta da língua para aumentar a salivação. Se o problema for o inverso, saliva demais, deve-se pressionar a língua contra os dentes dianteiros, junto ao céu da boca. Um gole de água não serve apenas para aplacar a sede, ensina o professor, mas também para manter cativos os ouvintes -- como já foi provado que a cada 6 minutos a platéia tende a se desinteressar, é preciso jogar com pausas ou mudanças de posição para evitar que ela decole. O curso de Polito inclui ainda uns tantos ensinamentos, digamos, subliminares. A máquina de lustrar sapatos instalada na ante-sala lá está para lembrar que o brilho de uma apresentação oral depende também do visual do apresentador.

Uma aula começa com meia hora de aquecimento -- exercícios de fonoaudiologia a cargo da professora Sonia Corazza, destinados a dissolver bloqueios físicos que impedem a fluência verbal. Problema sobretudo masculino, diz ela. 'Quando um homem assume uma posição de responsabilidade no trabalho, muitas vezes assume também uma rigidez corporal. Adquire a forma de seu paletó.'

Outro professor, Jairo Del Santo Jorge, que há quase vinte anos trabalha com Polito, causa hilariedade entre os alunos com os recursos galhofeiros que utiliza para facilitar a assimilação de ensinamentos teóricos. Alto, jovial, bigodeira grisalha em linha reta, Jairo não hesita em aparecer de capa, chapéu e olho roxo para viver o papel de um mafioso que discursa em homenagem a um capo da organização. Ou de padre, envergando uma batina verde que Polito lhe trouxe da Itália especialmente para essas performances pedagógicas.

Elas divertem e funcionam -- e ajudam a explicar histórias como a do advogado paulista Hamilton Proto, circunspecto juiz do Trabalho aposentado, 66 anos de idade. Em meio ao curso, o dr. Proto teve um problema de saúde e precisou ser internado. Tão logo lhe deram alta, numa manhã de sábado, mandou tocar, não para casa, mas direto para o curso de Reinaldo Polito. 'Tão empenhado estava em não perder nada', ele conta, 'que, quando vi, no meio da aula, ainda levava no braço a pulserinha de identificação posta no hospital...'

- Mulher não cai no colo. Portanto, mexa-se. Arrume lugares (festas, bares) que combinem com o seu estilo;
Procure agir no seu território. Se já está inseguro, imagine como vai se sentir num lugar que não conhece ou conhece mal;
- Não queira, de cara, fazer amizade com mulher bonita. Faça amizade com mulher feia. Ela sempre tem uma amiga bonita;
- Capriche no visual. Com bom gosto e sem exagero;
- Para ter assunto, mantenha-se atualizado com noticiário.Música, cinema, turismo e literatura são os temas que mais agradam;
- Modere a língua. Para ser agradável você nã precisa falar muito;
- Saiba ouvir, prestar atenção e fazer perguntas que demonstrem inteligência, presença de espírito e interesse pelo assunto. Procure não ter uma audição seletiva, ou seja, ouvir só aquilo que lhe interessa;
- Aprenda a contar histórias interessantes - bem curtinhas. Teste suas histórias e tiradas espirituosas em casa ou com amigos. Se nem com eles funcionar, esqueça: com ela será ainda pior;
- Seja bem-humorado (elas gostam muito!);
- Não leve muito a sério. Aprenda a brincar com seus erros e defeitos. Ah, não se esqueça de elogiá-la com sinceridade.

Reinaldo Polito avalia o desempenho de algumas personalidades brasileiras

Padre Marcelo
'O bom orador tem que saber explorar seus melhores atributos. Por isso o padre Marcelo se transformou nesse fenômeno da comunicação. Dança, canta e reza com o público, é alegre, simpático, tem jeito de bom menino, é profundo conhecedor dos ensinamentos da Bíblia, fiel aos dogmas da Igreja e tem sempre respostas prontas para encorajar e dar felicidade às pessoas. Como conhece bem o ser humano, suas mensagens sempre dão a impressão de responder às perguntas que todos gostariam de fazer.'

Jô Soares
'Tudo o que faz como comunicador dá certo. É um gênio. Transita do mais elevado humor à mais acentuada seriedade com desenvoltura incomparável. Canta, dança, conta piadas, toca instrumentos, faz pronunciamentos arrebatadores, entrevista com sabedoria e conta histórias como se fosse um especialista em cada uma dessas atividades. Como pensa muito rápido, às vezes as palavras não aparecem com a mesma velocidade e Jô atropela a mensagem. Mas contorna esse obstáculo com facilidade.'

FHC
'Um dos melhores oradores brasileiros da atualidade. Sua maior qualidade é falar diante de 500.000 pessoas com a mesma naturalidade e desenvoltura que demonstra diante de um pequeno grupo. Corrigiu o grave problema de tratar de temas de importância sem emoção. Hoje, fala com envolvimento, entusiasmo e sem comprometer a espontaneidade. Nem mesmo um pequeno problema de dicção, que dificulta a pronúncia de alguns sons, prejudica a qualidade da sua comunicação.'

Lilian Witte Fibe
'Admirada até por aqueles que não gostam dela. Mesmo as pessoas que criticam seus trejeitos, sua voz metálica e sua falta de emoção se dobram diante da sua competência e credibilidade. Corrigiu muitos defeitos. Agora está diminuindo o balançar da cabeça quando encerra a transmissão e mostrando um sorriso mais natural. Usa com sutileza a ironia quando volta a falar depois do pronunciamento de um entrevistado com o qual não concorda.'

Suplicy
'Tem voz bonita, postura elegante, inteligência e credibilidade. Mas nem um pingo de objetividade. Não consegue pegar um raciocínio e ir em frente. Com muita informação, começa a associar idéias, vai ramificando e o ouvinte fica sem saber que linha acompanhar. Garanto: com 6 horas de treinamento ficaria ótimo.'

Luíza Brunet
'Uma das mulheres mais bonitas e simpáticas do Brasil. Mas não conseguiu corrigir o problema de falar muito rápido e com dicção defeituosa, atropelando as palavras, o que comprometeu suas tentativas de atuar em novelas. O defeito poderia ser atenuado com exercício de leitura de poesias em voz alta.'

Lula
'Aprimorou muito a sua comunicação, principalmente corrigindo bem os erros gramaticais. Exemplo raríssimo de pessoa que começa a falar dando a impressão de que já participa há algum tempo da conversa. O maior defeito é bater de frente com as opiniões opostas logo no início, reforçando a resistência daqueles que precisa conquistar.'

Faustão
'É o comunicador com melhor presença de espírito da história da televisão brasileira. É capaz de transformar cada detalhe do ambiente num fato inteligente e bem-humorado. Quando me entrevistou no seu programa, conseguiu fazer com que a platéia de mais de 1.000 pessoas parasse de brincar e acompanhasse com seriedade as minhas explicações.'

Hebe Camargo
'É tão encantadora e competente que consegue interromper um entrevistado desagradável sem que ele se sinta humilhado e às vezes nem perceba que está sendo interrompido. Arruma problemas quando se entusiasma com comentários sobre política.'

Edir Macedo
'Parece ironia, mas para analisar a comunicação do bispo Edir Macedo vou utilizar os ensinamentos de um sacerdote. O padre Vieira disse, no Sermão da Sexagésima (aula incomparável de oratória), que o orador deve tomar apenas um assunto de cada vez. Edir Macedo consegue falar durante horas tratando de um único tema.'

Sílvio Santos
'Sabe tudo de comunicação. Pode exemplificar toda recomendação técnica para falar bem em público. Postura perfeita, gesticulação harmoniosa, semblante expressivo, fala melodiosa, ritmo agradável, raciocínio pronto e o profundo conhecimento do sentimento dos ouvintes. Algumas das suas brincadeiras, entretanto, não chegam a agradar pessoas com nível intelectual mais elevado.'

Tiazinha
'Deve procurar um fonoaudiólogo o mais rápido possível, para aprender a colocar melhor a voz. Quando precisar voltar a ser Suzana Alves essa voz que tem hoje não conseguirá sustentar a fama. Falando melhor ela ficaria ainda mais bonita. Canta melhor do que fala.'

Paulo Maluf
'De todos os políticos brasileiros, é o que mais vai direto ao tema central. Usa com perfeição exemplos, estatísticas, pesquisas e todos os recursos de uma boa linha de argumentação. Ao mudar as lentes dos óculos, em 1986, diminuiu um pouco o ar arrogante, mas para ficar mais natural e mais simpático precisaria mudar a maneira afetada de pronunciar as palavras. Quando está com a razão, torna-se imbatível nos debates.'