Curso de Expressão Verbal

O poder da Comunicação - Tribuna Impressa - set/07

 

O poder da Comunicação

Comunicação eficiente é a especialidade do mestre em Comunicação e professor de expressão verbal Reinaldo Polito

Comunicação eficiente é a especialidade do mestre em Comunicação e professor de expressão verbal Reinaldo Polito, que escreve para a Tribuna aos domingos, no caderno Comportamento.

Na semana passada, ele esteve na cidade em palestra aos alunos e professores de Direito da Uniara falando sobre as qualidades de um orador e dando dicas para um discurso bem elaborado e preciso.

Apesar de ter um público certeiro, Polito deixou claro que todas as lições podem ser adotadas por qualquer tipo de orador e comunicador, em diferentes ocasiões e situações. “O que serve para os advogados serve para todas as profissões que necessitam de boa comunicação”, afirma Polito.

A primeira lição de Polito – e também a mais importante – é mostrar ao orador suas próprias qualidades e fazer com que ele as use e explore, como bem o faz o articulista José Simão. Isto garante a naturalidade na comunicação – e como conseqüência, a segurança, a demonstração de conhecimento do assunto e a credibilidade por parte da platéia.

A segunda lição é a organização do discurso. “Quem não tiver organização em seu discurso está se comunicando de forma errada”, diz. Para uma comunicação eficiente, o orador precisa, segundo Polito, seguir os seguintes passos: organizar o raciocínio, conquistar o ouvinte com elogios, contar sobre o que vai dizer, apresentar o problema que pretende solucionar, desenvolver o assunto, dar a solução, argumentar contra questionamentos e finalizar propondo reflexões sobre as mensagens que transmitiu.

O professor – que administra uma escola de comunicação verbal em São Paulo – conta que é muito comum profissionais como advogados, psicólogos, fonoaudiólogos e jornalistas não terem o preparo e expressão oral correspondentes à imagem de bons comunicadores que carregam por natureza. E, para não ‘desmentir’ o senso comum, estas pessoas acabam seguindo o caminho inverso e se escondem: “Alguns ficam com tanto medo que passam só a escrever”, observa, acrescentando que, em casos que envolvem ascensão profissional, as carreiras são seriamente comprometidas para aqueles que não falam bem.

Em sua escola, o professor já assistiu, emocionado, a muitos de seus alunos vencerem a timidez, a gagueira e o medo. “Tive alunos que iam desistir da defesa do mestrado por não conseguir falar em público e ter medo de apresentar a pesquisa para a banca”, conta Polito.

O maior exemplo público de superação e aprendizado é justamente o senador Eduardo Suplicy, até então conhecido como o pior orador da política no Brasil, nas palavras de Polito.

“Ele tem a voz bonita, é muito culto, elegante, mas tinha um sério problema de objetividade e de vaidade intelectual. Ele não resistia a mostrar que conhecia o assunto e abria o leque a ponto de não saber mais do que estava falando”, diz Polito. Em uma entrevista à Revista Playboy, Polito afirmou que em seis horas resolveria o problema de Suplicy e, dias depois, foi procurado pelo senador. Polito, como todos podem constatar, cumpriu sua promessa. “Na primeira aula, eu pedi para ele falar por três minutos sobre o programa de renda mínima. Ele falou por 48 minutos. No final, acabou apaixonado pelos três minutos de discurso”, brinca.

Polito tem 15 livros de comunicação publicados. Deles, o mais conhecido é “Superdicas para falar bem”, que ficou entre os dez mais vendidos no Brasil em 2006 e vendeu mais de 200 mil exemplares em dois anos.
Dicas para falar bem

Desenvoltura
• Uma pessoa só se comunicará com naturalidade quando conhecer todas as suas características
• O orador precisa se envolver com aquilo que está dizendo, mostrar disposição em falar e demonstrar conhecimento sobre o assunto
• Falar sem hesitar, sem explicitar timidez, caso contrário não demonstrará conhecimento sobre o assunto

Voz e vocabulário
• Não é preciso ter voz bonita; o mais importante é ter uma voz com personalidade
• Pronunciar bem as palavras, com bom volume e alternar a intensidade para que o discurso não seja monótono
• Ter um bom vocabulário, que transmita seu pensamento e seja adequado à situação e ao público a que fala
• Evitar palavrão e gíria, tanto quanto termos incomuns
• Não errar gramática
• Usar pausas – muitas vezes elas falam mais que as palavras

Gestual
• Não pecar nem pela falta nem pelo excesso de gestos
• Olhar para as pessoas quando falar com elas – a falta de contato visual soa falso, mesmo quando se está diante de grandes platéias
• Ter um semblante expressivo para ajudar na transmissão da mensagem
• Não ficar torto diante da platéia, manter o corpo em equilíbrio e em movimentos naturais