Curso de Expressão Verbal

'Quem não fala bem está fora do mercado' - Revista Um - mar/05

'Quem não fala bem está fora do mercado'

O professor de expressão verbal Reinaldo Polito diz que não adianta um profissional ter experiência e conhecimento técnico se não sou ber se cominicar

A necessidade de se manter atualizado dentro de sua área de atuação corre paralela à obrigação de saber falar bem, seja em reuniões, palestras, congressos ou na vida social. Da mesma forma que uma boa comunicação pode decidir uma vaga de emprego, a falta dela tem tudo para atrapalhar o desenvolvimento profissional. REINALDO POLITO, mestre em ciências da comunicação, professor de expressão verbal e autor de 12 livros sobre o tema, dá dicas para quem quiser se dar bem na hora de soltar o verbo diante do chefe e dos colegas de trabalho, ou até na roda de amigos.

UM - Basicamente, o que é preciso para perder a timidez em reuniões ou congressos?
Reinaldo Polito - É importante que você conheça muito bem o assunto que vai apresentar. Por exemplo, às vezes, como o que será falado é da área dele, um executivo chega despreparado, achando que na hora ele resolve. Daí, percebe que há outras pessoas ali mais preparadas que ele, e começa a se intimidar com isso. É necessário saber organizar bem o que será dito, como será feita a introdução, e de que maneira se poderá ajudar o ouvinte a entender uma informação que ele talvez não conheça. Se a pessoa se fechar nas reuniões, se ficar no seu cantinho e não praticar, não exercitar, toda vez que for falar estará fazendo uma atividade desconhecida para ela. O mais importante é você ter um autoconhecimento de suas características e de seu estilo para ser natural nas reuniões. Quanto mais espontâneo, mais credibilidade terá. O medo não irá desaparecer, mas estará sob seu domínio.

UM - O que causaria essa trava, só essa intimidação diante de outras pessoas ou há outras razões mais fortes?
RP - Quando você não se conhece de uma forma efetiva, é um problema. Por exemplo, um executivo numa reunião em que o presidente da empresa está lá. Ou ele é gerente e está lá o diretor. A opinião dessa pessoa em relação a ele é muito importante, então, ele quer passar uma imagem positiva. Se ficar com receio de não transmitir uma boa imagem, ficará intimidado, vai falar mais baixo, demonstrará nervosismo, apertará as mãos e desviará o olhar. O pior é que foi a presença dessa pessoa importante que o intimidou, porém, para os outros, ele está com essa hesitação porque não conhece o assunto.

UM - Até que ponto a aparência pode influenciar negativamente, mesmo que o sujeito fale bem?
RP - Em primeiro lugar você precisa observar como é que os profissionais de sua área de atuação se vestem. Segundo, saber qual é a formalidade da circunstância. Se você for para uma situação mais formal, deve se vestir formalmente. Se tiver dúvida, é melhor que vá formalmente vestido. Se na hora perceber que está todo mundo à vontade, tira o paletó, a gravata, arregaça as mangas. Nada de tentar lançar uma novidade. Tudo o que pode causar uma certa estranheza deve ser evitado.

UM - Vamos supor um homem que fala bem, não é tímido, usa a roupa apropriada, mas comete muitos erros de português enquanto se comunica. Como dar um jeito nisso?
RP - O erro de português pressupõe a falta de preparo e de informação, mas, nesse caso, vai depender da atividade. Jogadores de futebol, por exemplo, costumam cometer erros gramaticais, entretanto as pessoas levam na brincadeira e ninguém os censura porque o negócio deles é jogar bola. Não é necessário o perfeccionismo. Para escrever, talvez, mas no dia-a-dia, na fala do cotidiano, não existe um rigor tão grande. Só que os erros mais básicos, primários, são muito vistos. Agora, é preferível a pessoa apresentá-los de forma espontânea do que tentar acertar na gramática e colocar algum tipo de artificialismo. Uma questão interessante é o uso do estrangeirismo. Tenho dado aulas em empresas onde as pessoas falam inglês o dia todo. Se você utilizar algumas expressões nessa língua, até fará parte do grupo, contudo há outros que não estão acostumados e, se você abusar do estrangeirismo, receberá avaliação negativa.

UM - Falar errado em inglês é pior ainda?
RP - Sim. É preferível tentar falar bem sua língua paterna do que pronunciar errado uma outra.

UM - Como agir na questão dos gestos?
RP - Tanto a falta de gestos como o excesso deles são erros. O gesto tem que corresponder à inflexão da voz, ao ritmo da fala e à mensagem que se está transmitindo. Quando existe essa harmonia, a pessoa não está gesticulando nem muito nem pouco. Às vezes você está sendo enfático em algo que quer dizer, e o gesto precisa acompanhar isso. Há uma regrinha boa que os políticos utilizam bastante: quanto maior o público e mais inculto, maior e mais abrangente tem que ser a gesticulação. Isso porque, nesse caso, você fala mais pela emoção.

UM - E se o profissional fala bem, está com roupa apropriada, enfim, está tudo certo e, de repente, comete uma gafe?
RP - É bom lembrar que trata-se de um ser humano. Vamos pegar como exemplo o Jô Soares. De vez em quando, no programa, ele conta uma piada sem graça, ninguém ri. Então, o que ele faz? Inteligentemente, arma uma autogozação. Brinca com o fato, e essa brincadeira acaba tendo mais graça do que a piada. Outro caso: o ex-presidente Ronald Reagan estava fazendo uma palestra e a esposa, saltitante, foi sentar em uma cadeira ao lado. Desastradamente, caiu e ficou com as pernas para cima. O que ele fez? Viu que não havia acontecido nada, que ela estava bem e transformou o fato em algo bem humorado. Disse: 'pessoal, eu havia combinado com a minha mulher que, se eu não estivesse agradando, ela faria isso. Só que não pensei que seria tão cedo'. Se você cometer uma gafe e tomar esse tipo de atitude, vai passar uma imagem muito mais positiva do que se ficar se desculpando.

UM - Até que ponto a oratória influencia o marketing pessoal?
RP - Aquele que fala bem faz, naturalmente, uma boa propaganda pessoal. Imagine um gerente simpático, comunicativo, persuasivo. Ele sempre será convidado para falar sobre lançamentos de produtos, vai representar a empresa em entrevistas, fará a abertura das convenções. Isso tudo é essencial. Quem não fala bem está fora do mercado. Pode reparar. Um engenheiro, por ter um preparo técnico excelente, cresce rápido na empresa. Como ele tem lógica e bom raciocínio, vai subindo. Quando chegar ao cargo de gerente ou de diretor, o que menos vai usar é a engenharia. Ele irá apresentar projetos, participar das negociações e, se não tiver comunicação, não crescerá mais ou perderá o que conquistou.

UM - A má comunicação pode ser um caráter de exclusão durante uma entrevista de emprego, mesmo que o candidato seja tecnicamente muito bem preparado?
RP - Sem dúvida. Hoje, quando uma grande empresa faz uma triagem nos currículos, a proporção chega a ser de 100 mil candidatos para 15 vagas. Se você é chamado para uma entrevista, já passou por essa seleção. Você está lá porque fez faculdade, tem experiência, viveu no exterior, fez MBA, fala duas línguas, mas verá que os outros também têm história semelhante. Qual é o diferencial? A comunicação.

UM - E na vida social? Teoricamente a oratória não seria tão importante, já que você está mais descontraído.
RP - Descontraído, mas com qualidade. Se você vai a uma roda de pessoas e lá tem alguém simpático, que sabe contar uma história, que é um bom ouvinte, então todo mundo vai querer se juntar a ele. Outra coisa: todo mundo sabe que muito emprego se arruma por indicação. Se você é comunicativo, abre portas.

Esses e outros conceitos são desenvolvidos no curso de expressão verbal ministrado pelo Professor Reinaldo Polito.
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