Curso de Expressão Verbal

Revista Ser Mais

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Falar em público
Não é bicho de 7 cabeças                                      
                                    

Seja qual for a atividade que você tenha abraçado, uma das competências mais importantes que deverá desenvolver e aprimorar é a habilidade para falar em público. A boa comunicação será essencial para que você participe das reuniões com subordinados, pares e superiores hierárquicos. Para que apresente projetos, propostas, defenda causas e atinja seus objetivos nos processos de negociação.

Veja quais são os pontos que deverá observar para que a sua comunicação tenha qualidade e seja eficiente. São cuidados aparentemente elementares, mas que poderão fazer a diferença no momento em que tenha de falar diante de um grupo de pessoas.

Conheça muito bem o assunto – Sem conteúdo não há comunicação que se sustente. Por isso, conheça o assunto com a maior profundidade que puder. Procure saber mais do que precisará para fazer sua apresentação. Será interessante que tenha sempre de quinze minutos a meia hora de informações suplementares para que se sinta confortável diante do público, sem receio de esgotar a matéria antes do tempo determinado. Essa folga permitirá que se apresente com mais desenvoltura e demonstre confiança e domínio sobre o tema.

Organize a sequência da fala – Tenha começo, meio e fim. Parece um conceito tão óbvio, mas quantas pessoas metem os pés pelas mãos e encerram quando deveriam reforçar a linha de argumentação, ou voltam a argumentar no momento em que deveriam concluir. Saiba o que fazer em cada etapa da apresentação.

Conquiste os ouvintes no início – O objetivo da introdução da fala deve ser o de conquistar os ouvintes. Fazer com que torçam pelo seu sucesso, prestem atenção e tenham interesse na mensagem, e se desarmem de suas resistências. Depois de cumprimentar o público de acordo com a formalidade da circunstância, agradeça ao convite que recebeu para falar, ou a presença das pessoas que aceitaram seu convite. Revele com clareza quais os benefícios que os ouvintes terão com sua mensagem. Você também poderá levantar uma reflexão ou contar uma pequena história para que acompanhem com mais interesse o assunto que irá abordar.

Facilite o entendimento dos ouvintes – Assim que conquistar os ouvintes na introdução, ajude-os a compreender a mensagem que será transmitida. Conte em uma ou duas frases qual o assunto que irá desenvolver, o problema que pretende solucionar e as partes do tema que deseja cumprir.

Desenvolva o assunto – Após conquistar os ouvintes na introdução, facilitar o seu entendimento na fase de preparação, chegou o momento de desenvolver o assunto propriamente dito. Para isso, ao mesmo tempo em que expõe o assunto anunciado, soluciona o problema proposto e cumpre as etapas prometidas use exemplos, comparações, estatísticas, pesquisas, teses, depoimentos e todos os argumentos de que puder dispor para dar consistência ao seu discurso. Se julgar apropriado, aqui poderá contar uma pequena história ou dar um exemplo para ilustrar.
Se, por acaso, sentir alguma resistência por parte dos ouvintes, este é o momento adequado para refutar a essas objeções.

Conclua – Tendo passado por todas as etapas da apresentação, desde o início com a conquista dos ouvintes, pela preparação facilitando o entendimento deles, pelo assunto central com a exposição da proposta, e refutar
as objeções chegou o momento de concluir. No final peça aos ouvintes que reflitam ou ajam de acordo com a mensagem ou a proposta apresentada.

Preste atenção na voz – Fale para fora, com personalidade. Quem fala para dentro, com voz abafada demonstra falta de confiança e de domínio sobre o assunto. Por outro lado, quem fala gritando pode passar a ideia de desequilíbrio e excesso de ansiedade. Use o volume de voz de acordo com o ambiente, considerando o tamanho da sala, a distância que ficará dos últimos ouvintes e se contará ou não com a ajuda de microfone.
Pronuncie bem as palavras para que sejam compreendidas com facilidade. Alterne o volume da voz e a velocidade da fala para que o ritmo seja agradável e motive as pessoas a acompanhar sua exposição.

Use o vocabulário apropriado – Se você usar o vocabulário que já usa no dia a dia, provavelmente, terá à disposição as palavras de que necessita para vestir e identificar bem seu pensamento. Evite palavrões e excesso de gírias. Não que não possam ser usados em nenhuma circunstância, mas é um tipo de vocabulário que precisa ser bem contextualizado para não levar à vulgaridade. Não abuse dos termos incomuns ou das palavras muito rebuscadas, pois se os ouvintes tiverem dificuldade para compreender seu significado deixarão de prestar a atenção na mensagem. Reserve o vocabulário técnico apenas para aqueles que atuam na mesma atividade. Lembre-se de que pessoas leigas dificilmente conseguem entender os termos específicos de atividades fora da sua área de atuação. Fique atento também aos vícios como né?, tá?, ok? no final das frases e os ããããã, ééééé nas pausas.

Observe a expressão corporal – Antes de tudo saiba que os dois maiores defeitos da gesticulação são a falta e o excesso de gestos. Sendo que o excesso é ainda mais grave que a falta. Faça gestos moderados que acompanhem de maneira harmoniosa o ritmo e a cadência da fala. Evite ficar o tempo todo com os braços nas costas, com as mãos nos bolsos. Também não se apoie sem objetivo ora sobre uma perna, ora sobre outra. Procure se posicionar com elegância sobre as duas pernas e se movimente diante do público quando sentir que essa movimentação ajudará a dar ênfase à determinada informação, ou a resgatar a atenção de parte do grupo que começa a perder a concentração.

Use recursos de apoio – Uma das maiores preocupações de quem fala em público é o fato de perder a sequência do raciocínio e não saber o caminho que deveria ser tomado para continuar falando. Falar em público não é teste de memória. Não se pressione pelo receio de que possa se esquecer de algum dado relevante. Para isso, conte com o auxílio de recursos de apoio. Pode ser um roteiro escrito ou um simples cartão de notas, dependendo da complexidade da exposição. Se por acaso se esquecer de alguma informação ou da sequência que havia planejado, poderá recorrer às anotações.
Conte com a ajuda de recursos visuais – Os recursos visuais devem atender a três objetivos principais: destacar as informações importantes, facilitar o acompanhamento do raciocínio e permitir que os ouvintes se lembrem de mais informações por tempo mais prolongado. O resultado é impressionante. Se uma pessoa transmitir a mensagem apenas verbalmente, depois de três dias os ouvintes se lembrarão apenas de 10% do que foi comunicado. Se, por outro lado, a mesma mensagem for transmitida verbalmente com auxílio de visuais, depois dos mesmos três dias os ouvintes vão se lembrar de 65% do que foi comunicado. A influência do visual, portanto, é fundamental para que uma apresentação seja bem sucedida. Temos que considerar, entretanto, que o excesso de visuais pode atrapalhar mais que ajudar. Portanto, use, mas não abuse dos visuais. Para a elaboração de um visual arejado use a regra dos sete. Sete palavras no máximo em cada linha e sete linhas para cada tela.

Leia quando for preciso – Em certas circunstâncias você poderá ler o discurso. Quando a mensagem não puder conter erros ou incorreções, pois só com a leitura terá certeza de que nada foi deixado do lado. Em pronunciamentos oficiais. Nas posses de presidentes das mais diferentes instituições, pois precisarão transmitir as bases da sua administração. Na saída de presidentes, porque é nesse momento que precisam fazer uma espécie de balanço do que realizaram. Nos momentos em que seja necessário representar a opinião de outras pessoas, como em discursos de oradores de turma de formandos, em agradecimentos de homenagens quando tiver de falar sobre o pensamento do grupo que estiver representando.
Para que a leitura seja eficiente deixe o papel na parte superior do peito. Assim ficará mais elegante e facilitará o contato visual com o público. Marque a linha de leitura com o dedo polegar para não se perder quando tiver de olhar para a plateia. Faça marcações com traços verticais nas pausas mais expressivas para que possa interpretar o texto com mais eficiência. Os gestos durante a leitura devem ser moderados e quando não estiver gesticulando segure a folha com as duas mãos. Ao levantar a cabeça para olhar uma vez dirija-se às pessoas que estejam de um lado da sala. Quando olhar a outra vez dirija-se aos que estiverem do outro lado. Dessa forma a comunicação visual cumprirá bem seu papel que é o de valorizar e prestigiar a presença dos ouvintes no ambiente.

Fale com naturalidade – Um dos maiores problemas de quem fala em público é o artificialismo. Muitos que são comunicativos, expressivos nas conversas do cotidiano se transformam, perdem a leveza, a simpatia e a graça diante da plateia. Tente falar diante do público como se estivesse conversando de forma animada com um grupo de amigos. Tenha em mente que se cometer erros técnicos de comunicação, mas conseguir falar com espontaneidade as pessoas ainda poderão confiar na sua mensagem. Se, ao contrário, acertar em todas as técnicas, mas se expressar com algum tipo de artificialismo, talvez ponham em dúvida suas intenções. Embora os erros e defeitos devam ser afastados da comunicação, é preferível o erro técnico com naturalidade ao acerto com artificialismo.

Fale com envolvimento e emoção – Embora a naturalidade seja importante no processo de comunicação, se você falar só com naturalidade irá apenas transmitir a mensagem. E quando falamos não queremos só passar a informação, desejamos envolver as pessoas e fazer com que participem efetivamente da nossa causa. Por isso, além da naturalidade é preciso falar com energia, disposição, entusiasmo, com emoção. É simples deduzir que se não demonstrarmos interesse pelo assunto e envolvimento com a mensagem que transmitimos não poderemos pretender que os ouvintes se interessem e se envolvam pela apresentação. Antes de falar esteja consciente de que para interessar e envolver as pessoas você deverá estar interessado no assunto e envolvido com a mensagem. Nunca fale só por falar.  Se uma mensagem merece ser transmitida é preciso que seja comunicada com a disposição e o interesse que ela merece.

Reinaldo Polito é Mestre em Ciências da Comunicação, professor de oratória, palestrante e escritor. Publicou 20 livros sobra a arte de falar com mais de um milhão de exemplares vendidos. Seu site www.polito.com.br