Curso de Expressão Verbal

Tão importante quanto ser líder é saber mostrar - O Estado de São Paulo - jun/02

Tão importante quanto ser líder é saber mostrar

Habilidade de falar com diplomacia e inteligência é cada vez mais importante

As incertezas e rápidas mudanças da economia atual têm exigido novas habilidades e conhecimentos dos executivos. No plano profissional, não basta ser um líder.

É preciso saber analisar o quebra-cabeça de informações para antecipar estratégias dos concorrentes, ser rápido na tomada de decisões, estar sempre em busca de rentabilidade, personificar a imagem da empresa e, o que é talvez mais importante, saber transmitir todas essas habilidades para analistas, investidores, clientes e parceiros.

Para o presidente da Mahle Metal Leve do Brasil, Claus Hoppen, que acaba de fazer um curso de expressão verbal com o professor Reinaldo Polito, a habilidade de falar com diplomacia e inteligência é cada vez mais importante no relacionamento profissional. 'Aperfeiçoar a comunicação não é um capricho, mas uma necessidade', destaca.

Essa opinião é compartilhada pelo consultor de recursos humanos do Instituto de Estudios Superiores de Empresas de Madri (Iese), José Ramon Pin. Ele avalia que para refletir a imagem institucional, o executivo precisa ter uma visão clara do negócio e ser capaz de comunicar esta visão aos demais, com primazia para sua equipe e depois ao público externo.

Essas condições essenciais eram plenamente preenchidas pelo novo garoto-propaganda da Ford do Brasil. Bonito, com ar de bom moço e com uma imagem que transmite autoconfiança, Antônio Maciel Neto, o presidente da empresa, foi escolhido pelo departamento de marketing da companhia para levantar as vendas da montadora no País.

O executivo já participou de duas campanhas, elevou as vendas em 20% na primeira semana das campanhas e deve estar presente, também, nos comerciais de lançamento do Fiesta quatro portas.

Dicas - Entre as características fundamentais para que o executivo consiga refletir a imagem da empresa, o economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate, um dos mais requisitados comentaristas de economia pela imprensa, cita algumas que podem servir de guia para qualquer executivo diante de qualquer tipo de público. 'É preciso conhecer as características de cada veículo.' Segundo ele, veículos de comunicação como rádio e TV necessitam de respostas rápidas, concisas, pontuais.

Reinaldo Polito, professor do executivo da Mahle Metal Leve do Brasil ensina que dificilmente uma pessoa consegue prender a atenção de outra por mais de dez minutos sem o uso de brincadeiras, slides e jogo de cintura.

Outra dica de Abate é evitar o economês e isso não vale apenas para a TV, mas outro tipo de público como o cliente e empregados. Neste contexto, também é imprescindível utilizar conceitos legíveis, não assumir uma postura pessoal, evitar posições emocionais, manter distanciamento e não deixar vazar opiniões muito agressivas que poderão provocar choques desnecessários.

Ainda em relação à formação adequada para o bom desempenho desta tarefa, Abate considera que os hobbies e leituras formam um background importante.

Ele, por exemplo, gosta muito de astronomia. 'Tenho um telescópio em minha casa de campo, e relaxo muito com esta atividade', conta.

Polito também é categórico neste quesito. Afinal, só pode prender atenção do público aquele que tem algo a transmitir e se esse algo não for entediante.

Jornais são um bom começo, mas os livros, ideais. Quanto às leituras, por exemplo, Abate se diz interessado por um amplo leque de assuntos. 'Devorei as quatro edições de Harry Potter, simultaneamente à História da Filosofia Ocidental de Bertrand Russell. Leio vários jornais e revistas por dia, além de acessar a Broadcast e a Bloomberg o tempo todo que estou no escritório', destaca.

Imprensa - Além do desafio de falar em público, uma nova geração de executivos também está sendo requisitada, de maneira crescente, pela imprensa. Isso porque as lideranças empresariais de maior tradição e com amplo espaço na mídia vêm sendo substituídas, como o surgmento de novas e efervescentes companhias com uma legião de executivos.

'Já vi muitos executivos desmoronarem diante da imprensa, outros, fugirem da mídia alegando motivos fúteis', comenta o presidente da M&A, Marcelo Lins, assessoria de imprensa de companhias do porte da Visa e United Airlines.

Antes de montar seu próprio negócio, Lins passou 15 anos na Dow Química, onde treinou diversos gerentes para serem porta-vozes da indústria. Hoje, ainda promove programas intensivos de media trainning, atendendo a grupo de 12 funcionários. Nesses treinamentos, os executivos passam a ter uma noção do funcionamento da imprensa e de como se comportar diante de um microfone ou gravador.