Curso de Expressão Verbal

Terra - out/99

Reinaldo Polito, considerado um dos maiores especialistas em expressão verbal, está nas listas dos livros mais vendidos do País com a obra Como Falar Corretamente e Sem Inibições, que explica como controlar o medo de falar em público, preparar palestras, falar de improviso e participar de reuniões, entre outros assuntos. Autor de outras oito obras, Polito é formado em ciências econômicas e administração de empresas pela Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo, e pós-graduado em administração financeira pela Fundação Getúlio Vargas. A cada ano, ele forma cerca de 1,2 mil alunos, como empresários e políticos, em seus cursos.

Allora - Prezado senhor Polito, sou consultor e como tal efetuo apresentações e sempre tentei desenvolver minha técnica, que, ao longo dos anos, acredito tenha se aperfeiçoado. Gostaria de saber qual a dica principal que o senhor usa quando encontra uma platéia muito mal humorada?

Recado do ADMIN - Olá, caprichem nas perguntas, por favor. Os dois autores das questões mais criativas e inteligentes na opinião de nosso convidado serão presenteados com os livros 'Como Falar Corretamente e Sem Inibições' e 'Assim é que se Fala'(acompanhados de CDs). Por favor, enviem suas perguntas com e-mail e telefone (se possível, endereço completo).

João - Já fiz um curso de relações humanas (Dale Carnegie) - o que você acha desse curso?

Reinaldo Polito - Allora, é importante saber o motivo do mau humor. Se for uma hostilidade com relação ao assunto, deveríamos iniciar tocando nos pontos comuns que temos com os ouvintes, para que eles se desarmem. Se a hostilidade for com relação ao apresentador, deveríamos mostrar sutilmente que temos autoridade para falar sobre o tema. Se a hostilidade for com relação ao ambiente, deveríamos também sutilmente prometer brevidade. Assim talvez fiquem mais bem humorados.

Hippie - Gostaria de saber o que fazer para uma palestra não ficar muito chata e cansativa.

Flavita - O senhor recomenda algum curso que possa complementar o seu livro, para que eu possa ficar realmente 'expert' em falar em público?

Reinaldo Polito - João, é um curso excelente e já tive um professor na minha escola que atuou como instrutor durante anos no Dale Carnegie. Atualmente, tenho dois diretores deste mesmo curso do Rio de Janeiro freqüentando a minha escola. Posso dizer que as áreas de atuação são diferentes. Eu ensino a falar em público e eles, a melhorar o relacionamento pessoal.

Weber - Vendo uma entrevista com o candidato a prefeito Enéas em um programa popular, achei de temendo mau gosto dizer 'simbiotismo incestuoso', já que é um auditório de um nível cultural baixo. Acho que ele precisa de ler alguns livros seus...

Reinaldo Polito - Hippie, a cada 10 minutos aproximadamente, precisamos mudar o foco de atenção que fica viciado. Podemos, por exemplo, mudar a nossa posicão física, saindo da extremidade de uma sala e indo para a outra. Usar um recurso audiovisual ou contar uma história leve, para que a concentração volte ao ambiente.

N@ne - Senhor Polito, tenho 21 anos, sou secretária e bastante desinibida entre os amigos, mas, na hora de falar ao público ou cantar, tremo igual a 'vara verde', por mais que eu tenha treinado pra falar, dá um branco. O que faço?

Reinaldo Polito - Flavita, se você puder freqüentar o meu curso, encontrará aplicação prática de todos os conceitos que pôde observar nos livros. Lá você será gravada em videotape e a sua apresentação, analisada para que possa identificar sempre os seus pontos positivos de comunicação. O telefone é (11) 5581-6574.

Allora - E quanto a utilização de leves comentários engraçados? Muitas pessoas dizem que é muito perigoso! e Flavita completa E o que o senhor acha das piadas que muitas vezes são feitas nos discursos para animá-lo?

Reinaldo Polito - Weber, algumas pessoas, como Enéas e como de certa forma o Jânio Quadros, usam alguns termos incomuns como uma espécie de folclore das suas apresentacões, é mais para chamar a atenção. E nesses casos, conseguem. Mas vamos deixar essa técnica para eles.

Flavita - O que fazer quando se tem que fazer um discurso para crianças e adolescentes, que geralmente conversam e brincam no meio das palestras?

David - Caro Reinaldo, poderíamos talvez dividir o processo da comunicação, por parte do locutor em três partes:
1 - O sentimento de quem fala (se é tímido, se está com raiva ou desinteressado, com medo, etc.);
2 - As técnicas e recursos de apresentação que possui;
3 - O momento propriamente da palestra. Não sei se concorda com esse ponto de vista, mas, eu particularmente fiz um curso de técnicas de apresentação (Com o Caalex, conhece?), sendo que domino razoavelmente os itens 2 e 3... Mas às vezes não consigo controlar minhas emoções. O que poderia fazer para melhorar esse ponto?

Reinaldo Polito - N@ne, você já sabe como agir. Basta apenas falar em situações mais formais da mesma forma como você fala no dia a dia. Se conseguir falar diante de uma platéia da mesma forma como você fala com os amigos, estará desenvolvendo um excelente nível de comunicação e se sentirá muito à vontade. Esses conceitos, desenvolvi no livro 'Vença o medo de falar em público', publicado pela Saraiva.

Recado do ADMIN - Olá, caprichem nas perguntas, por favor. Os dois autores das questões mais criativas e inteligentes na opinião de nosso convidado serão presenteados com os livros 'Como Falar Corretamente e Sem Inibições'e 'Assim é que se Fala'(acompanhados de CDs). Por favor, enviem suas perguntas com e-mail e telefone (se possível, endereço completo).

Reinaldo Polito - Alora e Flavita, devemos evitar piadas no início das apresentações, porque é o momento em que estamos mais nervosos. e se a piada não tiver graça a situação ficará pior ainda. Se for engraçada e todo mundo conhecer, o resultado também será negativo. A solução é usar no início fatos bem humorados, ou seja, aproveitar as informações que surgem no momento da apresentação e exagerá-las para que fiquem engraçadas. Neste caso, se o público não rir, não havia a responsabilidade de provocar o riso como no caso da piada. Se desejar contar piadas, faça mais no meio da apresentação. Se desejar saber se tem jeito para contar piadas, faça o teste em casa e com os amigos. Se nem eles rirem, desista.

FalarBem - Tenho 21 anos e estou cursando administração de empresas, este ano esta sendo muito comum que os professores cobrem os trabalhos em forma de seminários, mas tenho muita dificuldade com alunos (colegas) que ficam brincando durante a apresentação? Qual é a melhor forma de lidar com essas situações?

Reinaldo Polito - Flavita, primeiro não os trate como crianças ou como jovens sem experiência. Procure descobrir o que efetivamente interessa àquele grupo. Tocando no seu campo de interesse, com certeza ficarão atentos.

Fala - É interessante saber o nome de alguns participantes da palestra e citá-los em certos momentos para despertar os participantes?

N@ne - Já me disseram pra quando eu estiver falando, manter o olhar fixo num ponto da sala. Isso funciona?

Reinaldo Polito - David, parabéns por se interessar pelo assunto e procurar ajuda. Quanto ao primeiro item, o que faco no meu curso é mostrar sempre as qualidades e os pontos positivos dos comunicadores, para que possam a partir desse autoconhecimento, também positivo, encontrar a segurança e a tranqüilidade para falar. Porque não adianta nada aprender a falar bem, se, ao falar, não souber que fala bem. Se tiver oportunidade, leia o capítulo sobre o medo no livro 'Como Falar Corretamente e Sem Inibições', de minha autoria, publicado pela Saraiva. E você está na lista para ganhá-lo aqui...

Reinaldo Polito - FalarBem, a melhor forma de preparar apresentações para seminários é treinando antes, com os próprios colegas do grupo. Além de adquirir mais confiança, saberá também como se comportar diante da reação dos colegas.

Cris - Irá parecer bobagem, mas lá vai: o que fazer com as mãos ao falar em público, não consigo controlá-las?

Reinaldo Polito - Fala, sim. Essa é uma forma muito apropriada para integrar o público na nossa apresentação. Além disso, ao mencionar alguém da platéia, estabelecemos uma identidade com o grupo, pois demonstramos que também conhecemos pessoas que fazem parte daquele público.

Claudio - No livro 'Como se tornar um bom orador e se relacionar bem com a imprensa' o senhor diz que é necessário ter, entre outras coisas, uma conduta exemplar. Como que um recém-formado (e desconhecido) pode obter sucesso em uma organização?

Reinaldo Polito - N@ne, não. É muito importante olhar para todos os lados da platéia. Assim, estaremos analisando o comportamento do grupo, para saber se precisamos mudar o que tínhamos planejado e também valorizando a presença de todos os ouvintes. Sem contar que, ao olhar para um lado e para outro, quebramos a rigidez de postura e a apresentação fica mais natural.

Reinaldo Polito - Cris, é engraçado mesmo. Parece que descobrimos que temos mãos quando estamos na frente do público. Algumas dicas: evite gesticular abaixo da linha da cintura; não fale o tempo todo com as mãos nos bolsos, nas costas, com os braços cruzados. E o conselho mais importante: entre os dois erros da gesticulação, a falta e o excesso, prefira sempre a falta do gesto. Já que você se interessa por esse assunto, pode ler o livro 'Gestos e Postura para Falar Melhor', de minha autoria, publicado pela Saraiva.

Reinaldo Polito - Claudio, podemos demonstrar essa conduta exemplar nas mínimas atitudes. Por exemplo: ser pontual quando diz que pontualidade é importante. Ser organizado se falar que a organização é fundamental. Ser participativo quando julgar que a participação também é importante. Nós somos observados o tempo todo. Às vezes queremos agir tanto de uma determinada maneira que imaginamos que já estamos agindo assim. Só que a atitude não caminhou com a mesma velocidade da nossa vontade. Ou seja, falamos que somos, quando ainda não somos.

Tulio - Professor Polito, estou no 2º ano de jornalismo aqui, em Itu, e pretendo me tornar locutor espotivo. Existe alguma técnica específica para se aperfeiçoar melhor na comunicação com os ouvintes ou telespectadores?

Flaviano - Professor, o senhor poderia citar alguns pecados, atitutes que jamais devem ser cometitas durante o discurso?

Taynah - Quais os cuidados para se utilizar bem os recursos visuais numa apresentação?

Reinaldo Polito - Tulio, rapidamente, eu poderia dar duas sugestões. Seja natural e fale com muito envolvimento. Evite também falar com voz monótona, se alternar a velocidade e a intensidade, o ritmo será mais agradável. Tome sempre muito cuidado com erros gramaticais e tente aflorar cada vez mais a presença de espírito e o bom humor.

Reinaldo Polito - Taynah, o recurso audiovisual precisa atingir três objetivos. Destacar as informações importantes, facilitar o acompanhamento do raciocínio, e fazer com que o ouvinte se lembre de mais informações, por tempo mais prolongado. É um erro usar um visual como 'colinha', porque é bonito ou porque todo mundo usa. Provavelmente assim vai atrapalhar mais do que ajudar. Em tempo, evite a parafernália, o recurso audiovisual tem que servir de apoio e não ser o item mais importante da apresentação.

Pergunta da Flavinha - Olá! O senhor é formado em Economia. Estou no primeiro semestre de Ciências Econômicas na UFSC. Meu sonho sempre foi fazer Medicina Veterinária. Meu pai proibiu pq temos empresa e ele quer eu continue os negócios. Ele mandou eu fazer a faculdade de Direito. Acabei optando por Economia pq dois motivos: É um curso que abre um rande campo de trabalho e acho que o curso de Direito está saturado. Essa é a terceira semana que não vou na aula. Não aguento mais. Vou mudar de curso pq Economia não é nada do que sonhei na vida. Minha mãe não entende e diz que não me esforço o suficiente. Depois de MUITA conversa ela acabou se conformando... O que o senhor acha de tudo isso? Poderia dizer algo pra me animar?

Reinaldo Polito - Flavinha, é mais importante brigar agora com seu pai e com a sua mãe e seguir a sua vocação, do que se arrepender mais tarde por não ter feito uma opção de vida. O curso de economia abre um campo muito vasto para diversas opções de trabalho, assim como o de administração de empresas e o direito. Não existe esta história de atividade saturada; os bons profissionais sempre se destacarão. Eu estou com o mesmo problema na minha casa... o meu filho Reinaldinho está com 14 anos, já decidiu que vai fazer veterinária, contrário de você. Já dei carta branca, mas tenho esperança que a Letícia, que é a minha neta, possa junto com a Rebeca, minha filha, lecionar oratória. Seja feliz e troque quantas vezes desejar!!

As ganhadoras dos livros são Flavita e N@ne. Obrigado pela participação de todos!!!

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