Curso de Expressão Verbal

Tribuna Impressa - set/07

 

Polito: ensino e encantamento

Fernando Passos

Na Uniara, dia 6, apresentou-se o araraquarense Reinaldo Polito, o 'principal professor de oratória do País', na opinião de Oswaldo Melantonio, o pai da oratória do Brasil.
Chega Yolanda Monteiro, a professora de Português do Polito na adolescência. Emociono-me ao lembrar-me ter sido ela também minha professora. Todos ficamos comovidos com o reencontro da mestra com seu aluno dileto, hoje um dos principais palestrantes do país.

Polito começa a sua fala. Imaginava que viria uma fala técnica sobre como se falar muito bem em público, sobre a correta utilização de postura, voz, entonação, uso de gírias, assim por diante. Caí do cavalo. A palestra do professor Polito é muito mais do que isso: é verdadeira lição de vida. Um pouco eu havia antecipado esta importância quando na saudação ao ilustre convidado fiz referência da magnitude de seu trabalho em propiciar ensinamentos para que as pessoas melhor pudessem se relacionar. Ainda mais no mundo moderno, egoísta e competitivo, pensar em alguém que há mais de 30 anos se dedica a ajudar pessoas a falar melhor em público é realmente consolidar uma visão de vida interessada no relacionamento humano do qual todos dependemos para a busca da felicidade interior e coletiva. Ademais, ele preside a ONG Via de Acesso, que tem por finalidade primeira inserir a juventude melhor formada no mercado de trabalho. Vale a pena olhar o site www.viadeacesso.org.br.

Foram centenas de lições em uma só palestra, com destaque absoluto para duas das principais 'dicas': falar bem significa falar com naturalidade, sem invencionismos, sem malabarismos; e o orador tem que ser ele próprio e tem que portar coerência entre a palavra e sua vida. Coerência, lealdade para com o ouvinte é uma das principais regras para encantar uma platéia.

Assim, professor Polito descaracteriza ele próprio a falsa imagem que podem fazer de sua profissão. Muitos imaginam que aprender com Polito significa de pronto encantar platéias, pois ele tem as receitas para tal. É verdade, ele tem dicas importantes, mas o principal ele próprio anuncia não estar com ele, e sim com o aluno, com o ser humano, que somente passará respeitabilidade se for natural e honesto consigo mesmo. Oratória, assim, não é desenvolvimento da consolidação da mentira e sim do ser humano mais humano e coerente.

Ao final, a professora Yolanda entrega ao ilustre aluno o cartão de Natal de 1967, recebido de Polito, o qual ela bem guarda como relíquia. São emoções verdadeiras de quem ensina, e ensinando vai formando uma sociedade mais justa e mais fraterna.