Curso de Expressão Verbal

Tudo é comunicação: Boas idéias, pronúncia clara, gestos harmoniosos e roupas bem escolhidas garantem pontos na profissão - Revista Criativa

Tudo é comunicação

Boas idéias, pronúncia clara, gestos harmoniosos e roupas bem escolhidas garantem pontos na profissão

Ana Ciccacio

Colegas, chefias, subordinados. O tempo todo, no trabalho você se comunica com alguém, usando a linguagem da fala, dos gestos e até do vestuário. Para obter bons resultados nesse ambiente, vale a pena seguir algumas dicas de Reinaldo Polito. Há 24 anos ele dá aulas de expressão verbal a empresários, políticos, artistas e executivos, e já publicou nove livros sobre o assunto (todos pela Editora Saraiva), entre eles Como Falar Corretamente e sem Inibições.

Natural e interessada

Veja alguns dos conselhos de Polito:

  • Seja você mesma: não force nada, do contrário ficará antinatural a até ridícula. Procure manter a naturalidade.
  • Demonstre interesse: fale com envolvimento, disposição e energia, evitando apenas aumentar o volume da voz. Mas não dispense as pausas quando servirem como reforço para sua fala.
  • Mostre que conhece o assunto preparando-se antecipadamente. Isso a deixará muito mais á vontade.
  • Mantenha a coerência: se falar em pontualidade, tem que ser pontual; se quiser organização, tem de ser organizada, e assim por diante.

Comunicação sem erros

  • Pronuncie bem: quanto melhor for a pronúncia das palavras (dicção), com 'r' e 's' finais, além do 'i' intermediário, melhor você será entendida e valorizada. A boa pronúncia revela o grau de preparo que a pessoa tem.
  • Cuide da gramática: erros gramaticais podem atrapalhar sua mensagem e até destruir sua imagem. Fique esperta.
  • Preste atenção ao vocabulário: evite palavras diferentes das que costuma usar no dia a dia. Você vai se sentir mais confortável. Sobretudo, elimine gírias e palavrões de sua fala.
  • Atente para o volume: ao chegar a um ambiente, verifique o tamanho. Se for grande, fale alto o suficiente para ser ouvida; se for pequeno, certifique-se de falar baixo.
  • Dose a velocidade: não fale muito rápido nem muito devagar. Que a forma de comunicar corresponda à mensagem. Por exemplo: se você tiver de dizer 'passou muito rapidamente', acelere um pouco. Já quando for a vez de contar que 'ele chegou lentamente', reduza a velocidade.
    Pense no rítmo: alterne o volume e a intensidade, evitando falar no mesmo tom de voz o tempo todo, porque isso cansa quem estiver ouvindo.
  • Evite ruídos: não preencha sua fala com meneirismos do tipo 'tá', 'percebe?', 'né?', ou 'ããã...', que indicam insegurança. Um jeito de corrigir o problema é gravar uma conversa ao telefone, ouvir e depois repetir a mesma fala várias vezes, eliminando-o.

Idéias mais organizadas

No início do discurso, procure conquistar os ouvintes, desarmando resistências e atraindo o interesse. Polito recomenda que se evite:

  • Contar piadas (já pensou se não tiver graça ou a platéia já conhecer?);
  • Pedir desculpas;
  • Tomar partido sobre um assunto polêmico;
  • Fazer perguntas quando não deseja respostas;
  • Chavões do tipo 'a união faz a força'.

O que fazer?:

  • Conte uma pequena história relacionada com sua mensagem, use uma frase de impacto ou faça a citação de um autor respeitado pelos ouvintes;
  • Avise que não gastará muito tempo;
  • Demonstre conhecer o assunto.

No fim: faça uma breve recapitulação em poucas frases. Nunca termine dizendo 'era isso que eu tinha a falar'. Procure encerrar pedindo às pessoas que reflitam e ajam de acordo com as propostas que você está dizendo.

A importância dos gestos

  • Não abuse dos gestos, e também não os despreze: se tiver de cometer algum erro, é preferível a falta de gestos ao excesso. Além disso, procure ser coerente se falar em tristeza, demonstre tristeza. Nosso semblante retrata os sentimentos. Assim, não adianta dizer uma coisa e estar sentido outra.
  • Cuidado com o olhar: procure fixar o rosto das pessoas e não o chão ou uma só direção. Assim, você demonstra que todas são importantes, ainda mais se tiver um cargo de liderança. Olhar as pessoas nos olhos demostra uma atitude bastante participativa.
  • Ao se sentar, evite ficar com os cotovelos sobre a mesa e os pés cruzados debaixo da cadeira. É como se você estivesse querendo se esconder.
  • Se tiver de ficar em pé, não se mexa de um lado para o outro o tempo todo, em movimentação desordenada. Isso demonstra ansiedade e desconforto. Procure equilibrar-se, distribuindo o peso do corpo sobre as duas pernas, com harmonia e elegância.

As roupas mais adequadas

Dizem que o hábito não faz o monge. Mas, no trabalho, faz, sim. É importante estar adequadamente vestida. 'Para isso, você precisa estar sintonizada com a cultura da empresa onde trabalha', diz a consultora de moda Glorinha Kalil, autora de dois livros publicados pela Editora Senac: Chique, Guia Básico de Moda e Estilo, destinado ao público feminino, e Chique, um Manual de Moda e Estilo, para tirar dúvidas do público masculino.

Se o ambiente for informal, como o de uma produtora de vídeo, agência de publicidade ou editora, o traje de trabalho também poderá ser descontraído, sem problemas. No entanto, se for mais compenetrado, como na maioria das multinacionais, escritórios de advocacia ou diretorias de bancos, evite as roupas espalhafatosas, decotes e fendas, saias muito curtas, saltos altíssimos, barriga de fora, bijuterias barulhentas, maquiagem de palco, exagerada, ou nenhuma maquiagem.

Idependentemente da formalidade ou informalidade dos ambientes, para não cometer gafes, conheça o significado da cores, segundo Glorinha Kalil. Assim, ficará mais fácil escolher a roupa apropriada para as situações a serem enfrentadas. O preto inspira autoridade; o cinza, respeito; o azul marinho detona seriedade; o bege e o cáqui, maior proximidade; o marrom, humildade; as cores vivas, extrema proximidade, e os tons pastel, fragilidade.