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18 fev 2019

A história do meu primeiro livro

Por Reinaldo Polito

Levei 9 longos anos escrevendo o livro “Como falar corretamente e sem inibições”. Fui perfeccionista. Na época em que eu me dediquei a escrevê-lo havia em São Paulo duas grandes escolas de oratória que concorriam comigo, a do Professor Oswaldo Melantonio e a do Professor Admir Ramos. Quem os conheceu sabe o que significavam essas duas feras da comunicação. Para que nada saísse errado no livro, eu escrevi cada um dos capítulos imaginando que os dois mestres concorrentes estavam postados em pé ao meu lado me observando escrever e aguardando que qualquer deslize fosse cometido para fazer uma crítica. Lógico que só pude revelar essa história agora, passados 20 anos.
Eu era muito ingênuo e pensava que terminado o livro encontraria inúmeras editoras disputando a tapas o “privilégio” de publicá-lo. Para aumentar ainda mais minha autoconfiança, no princípio da década de 80, Nilson Lepera, hoje diretor comercial da Editora Saraiva, era meu aluno no curso de Expressão Verbal, e pediu que o procurasse assim que o livro estivesse concluído. Cerca de dois anos depois, com o último capítulo finalizado, liguei para avisá-lo e percebi que a história mudara de rumo: Polito, disse-me ele, verifiquei com o pessoal da editora sobre a possibilidade de publicar seu livro, mas há pouco interesse.
Fiquei sem chão. Aí começou a minha peregrinação mandando partes dos originais para diversas editoras e na maioria dos casos nem resposta recebia. Depois de esgotar todas as possibilidades, como última e única solução, fiz o levantamento de custos para composição do texto, diagramação, fotolito e impressão. No dia em que eu estava para bater o martelo e me comprometer com os diversos fornecedores, sem saber bem o motivo, resolvi ligar novamente para o Nilson e avisar que faria a publicação do livro por minha própria conta.
O resultado desse telefonema, porém, foi surpreendente – ele me disse de maneira veemente: não faça isso. E explicou: O fato de o assunto não estar em nenhuma das nossas áreas não significa que eu tenha desistido, ao contrário, acho que seu livro poderia dar início à publicação das obras de interesse geral e, cá entre nós, tenho certeza de que será um sucesso histórico.

Só que a história não estava concluída. Ele passara os originais que tinha em mãos para o editor responsável para que fizesse uma análise mais criteriosa e esse profissional aproveitaria o final de semana para dar um parecer.

Na segunda-feira, às 9 em ponto liguei para o Nilson. Conversa vai, conversa vem e em pouco tempo eu estava em sua jugular: e aí, qual foi o parecer do editor? E o Nilson me respondeu com toda a naturalidade: rapaz, você não sabe o que aconteceu. Na correria ele acabou saindo e deixou os originais na gaveta. Mas, fica tranqüilo que ainda este mês vamos ter uma resposta. Agradeci, desliguei o telefone e fui dar uma volta de carro para atenuar minha frustração.
Três dias depois recebi o telefonema que tanto esperava, com o Nilson me dizendo que estava peitando o projeto e assumia a responsabilidade pela publicação.

Desde o seu lançamento o livro caminhou bastante e chegou agora na 109ª edição. Entre suas proezas, além de ser publicado em diversos países, está o fato de ter permanecido três anos nas listas dos mais vendidos e ser selecionado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, Governo do Paraná e Governo Federal.
Depois do seu lançamento publiquei mais 15 títulos que concorrem com ele nos espaços das vitrinas das livrarias. E lá do alto das estantes, garboso, ele parece dizer aos novos livros que escrevo: sejam bem-vindos, mas não esqueçam que fui o primeiro, o iniciador dessa história. É uma fabulação, mas, afinal, se seu próprio título é Como falar, por que ele também não poderia contar essa vantagem, ainda que em silêncio?

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