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23 jan 2019

A história dos três pontinhos

Reinaldo Polito

Nesses 30 anos ministrando cursos e palestras em todos os cantos do país tenho alertado sempre para um cuidado especial – seja precavido com o palavreado vulgar.

Especialmente a gíria e o palavrão precisam ser vistos com bastante critério, pois seu uso gratuito, sem objetivo, ou sem contextualização pode prejudicar a imagem de quem fala ou de quem escreve.

Imagine, por exemplo, um executivo numa reunião de negócios, diante de profissionais de outras organizações, sem um relacionamento muito próximo, partindo para a baixaria e se comunicando com vocabulário do cais do porto! Correria o risco de comprometer o resultado da apresentação e os objetivos da instituição que representa.

Por outro lado, ir a um campo de futebol e xingar o bandeirinha de “filho da mãe”, só para não se valer de um palavrão, ou como diziam nossas mães e avós, não sujar a boca com porcaria, é falta de senso de circunstância. É o mesmo que ir de terno e gravata a um churrasco. Vai depender sempre do momento, do tipo de público, do assunto e, acima de tudo, do estilo de quem se apresenta.

Na semana passada fui pressionado por uma enorme dúvida. Mandei um texto para a Tribuna e fiquei diante de um dilema – uso a palavra “puta” por extenso, ou escrevo o “p” com três pontinhos?

Considerando ainda a diversidade das pessoas que lêem meus textos, tomei uma decisão que me ajudaria a acertar. Reuni minha família, quase que totalmente formada de pessoas conservadoras, e expus minha dúvida. Fiquei surpreso com a reação – por unanimidade decidiram que a palavra já faz parte do vocabulário de tantas pessoas que não haveria nenhum problema se fosse encaixada dentro do contexto que seria utilizada. Até porque com ou sem pontinhos a mensagem na cabeça do leitor seria a mesma.

Conversei com o Max Gehringer, que foi o autor da história que coloquei no texto. Ele foi taxativo. Polito, estamos em 2007, não acredito que essa palavra tenha censura. Fiz uma aposta com ele – se sair no texto por extenso, pago o almoço. Se sair com três pontinhos, você morre com a grana. Fechado. Ganhei a aposta. Prevaleceram os três pontinhos.

Vou reproduzir o pedaço do artigo para você que não teve a chance de ler. Algo me diz que desta vez a palavra sairá completa, reproduzindo o bom-humor e a ironia daqueles torcedores:

Jogo Ceará x Fortaleza, em 1984. Antes do jogo, um minuto de silêncio pela morte da mãe do juiz. Aos 5 minutos, o juiz anula um do gol do Ceará. E a torcida começa a gritar: “Órfão da puta! Órfão da puta!”.

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