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20 maio 2019

Defenda-se da inveja e dos invejosos

Reinaldo Polito

Conheça os motivos do aparecimento da inveja e aprenda a se defender dela          

Não importa o nome que você dê – inveja, olho gordo, seca pimenteira – o sentimento é o mesmo, e o melhor que temos a dizer a ele é: xô, Satanás. Quero distância dessa gente que se morde por dentro quando percebe que alguém está com a vida em ordem e conquistando sucesso.

Não tenha ilusões de que a história possa ser diferente com você. Pessoas invejosas são como tiririca – nascem em qualquer cantinho e se espalham como praga. Assim que surge alguém se dando bem na vida já desperta à sua volta esse sentimento que além de ser rasteiro e desprezível é tão antigo quanto a história da humanidade.

E quando falo em antigo estou usando a palavra no sentido literal. Basta nos lembrarmos de que Caim matou Abel por inveja.

Nem todo mundo se dá conta de que a inveja remonta a um passado tão distante.

Fiz questão de usar essa referência só para deixar bm claro que olho gordo não é invenção da moçada de hoje.  Como apareceu com uma das personagens que ocupa as primeiras páginas da bíblia seria natural que já tivéssemos aprendido algo sobre esse sentimento.

Mesmo sendo a inveja uma velha de praça, é impressionante, entretanto, como, de maneira geral, nós a estranhamos e estamos sempre nos surpreendendo com ela.

Os exemplos da presença da inveja estão a nossa volta em todos os instantes. Se você assistiu ao filme “Amadeus”, que conta a história romanceada de Mozart, um dos maiores gênios musicais de todos os tempos, deve se lembrar de como a inveja esteve presente quase o tempo todo nos 160 minutos de duração da película.

O diretor Milos Forman aproveitou de forma magistral o texto de Peter Shaffer para mostrar como Salieri, um músico que havia trabalhado na corte, não se conforma com a facilidade com que Mozart compunha suas obras, enquanto ele, com toda dedicação, estudo e paixão pela música se sentia incompetente diante do grande compositor. Essa diferença de habilidade e competência musical faz com que nasça dentro de Salieri um sentimento de admiração, mas também de uma grande inveja que o corrói até os últimos dias de sua vida. Internado em um hospício confessa a um padre que teve responsabilidade pela morte de Mozart por não suportar a inveja que sentia diante da genialidade do compositor irreverente.

Se por qualquer motivo você não assistiu ao filme, fica aqui minha sugestão para um programa que com certeza o deixará encantado. Você irá assistir a um ótimo filme e terá condições de refletir um pouco mais sobre os motivos da inveja.

De quem temos inveja

Se refletirmos melhor sobre as causas da inveja e conseguirmos identificar as formas apropriadas de nos defendermos dela, talvez possamos acrescentar um precioso ingrediente para melhorar o relacionamento com as pessoas e para o sucesso da nossa comunicação. E ousaria dizer, não só para nos protegermos da inveja dos outros, mas, quem sabe, principalmente, para nos protegermos contra a presença desse sentimento em nós mesmos.

Sim, porque se perguntarmos a 10 pessoas se elas são invejosas, talvez 11 respondam que não, pois temos a tendência de supor que os outros é que são invejosos, não nós.

Por isso, ligue as antenas e fique esperto para não ser surpreendido por esse sentimento tão negativo, que pode até impedir que nos relacionemos de forma mais harmoniosa com as pessoas.

A partir de uma reflexão aristotélica convido você, um ser humano normal, a pensar nas seguintes questões:

Você sentiria inveja do garoto aprendiz que acabou de ser admitido na empresa e anda perdido de um lado para o outro, pagando o mico de principiante, obrigado a procurar no almoxarifado a máquina de desentortar clipes? Provavelmente não.

Você sentiria inveja do velhinho australiano que quase ao apagar da última velinha ganhou o prêmio Nobel por descobrir as propriedades nutritivas das patas do rinoceronte? Provavelmente não.

Sabe por quê? Segundo Aristóteles, porque “invejamos os que nos são iguais por nascença, parentesco, idade, disposição, reputação, bens em geral”, e tanto o boy como o velhinho cientista são avaliados num nível tão distante de inferioridade ou de superioridade aos nossos olhos, ou aos olhos dos outros, que não os consideraríamos iguais a nós.

Por isso, sentimos inveja daqueles que almejam os mesmos objetivos que nós, e não daqueles que estão com a cabeça voltada para outros horizontes. Daqueles que venceram com facilidade nas situações em que fracassamos, ou tivemos que fazer muito sacrifício para atingir o mesmo resultado, e não daqueles que fracassaram nas situações em que nos tornamos vencedores. Daqueles que conseguiram vantagens que um dia foram nossas, ou que julgamos que deviam nos pertencer, e não daqueles que obtiveram benefícios que nunca aspiramos a possuir.

Resumo da ópera: Sentimos inveja de quem nasce ou vive na mesma casa ou no mesmo bairro, freqüenta o mesmo clube, trabalha na mesma empresa ou na mesma atividade, disputa o mesmo mercado. Isto é, parente, amigo, colega e concorrente. Você não? Ok, já estou alterando a estatística de 11 para 12.

Outro filme que fez enorme sucesso e que apresenta cenas de inveja que ilustram bem os conceitos que acabei de expor é “Guarda Costas”. Embora o filme tenha sido sucesso de bilheteria em todo o mundo, foi muito criticado pelos analistas mais rigorosos, especialmente pela fraca interpretação de Whitney Houston, uma ótima cantora, mas atriz que deixa a desejar. Ela contracenou com Kevin Costner, que fez o papel do guarda costas.

Na trama escrita por Lawrence Kasdan e dirigida por Mick Jackson, por inveja do sucesso da cantora Rachel (Whitney Houston) sua própria irmã contrata um assassino profissional para matá-la.

Independentemente de o filme ter ou não qualidade, a história da inveja de uma das irmãs por causa do sucesso da outra não se limita apenas à ficção. É um fato que está presente com mais freqüência do que podemos imaginar.

Observe pois que os invejosos estão mais próximos do que supomos. É claro que não é para ficar paranóico e começar a tomar banho com sal grosso ou andar com galho de arruda na orelha, mas sim saber quem são, onde estão e como agir com eles da maneira mais adequada.

Combatendo a inveja

Embora eu tenha iniciado este texto fazendo uma espécie de prece para ficar sempre longe dos invejosos, você percebeu que, por eles estarem muito próximos de nós, até debaixo do mesmo teto, não há como evitá-los. Precisamos compreendê-los e aprender a conviver com eles da forma mais positiva possível.

Veja também como esse conhecimento pode ser útil no resultado da sua comunicação. Ao fazer uma apresentação será possível, a partir dos parâmetros que acabamos de destacar, saber se os ouvintes poderiam ou não se mostrar resistentes por causa da inveja ou de uma rivalidade mais acentuada.

Se entre os ouvintes houver uma boa parcela de pessoas que se enquadram nesse “grupo de risco”, a melhor tática para quebrar essa resistência é identificar as qualidades que elas possuem e enaltecê-las com elogios sinceros que possam, sem nenhum tipo de desconfiança, parecer verdadeiros. Essa atitude poderá fazer com que a platéia se desarme, afaste as resistências e passe a ouvi-lo com maior benevolência.

Assim, se ao falar em público, concluir que a inveja é o verdadeiro motivo da resistência dos ouvintes, seja compreensivo e entenda esse sentimento sem mágoa ou revanchismo, pois compreendendo as pessoas como elas são, com suas carências, seus medos, suas inseguranças e defeitos, haverá de sua parte um movimento favorável que poderá ser o caminho mais curto e eficiente para conquistá-las.

E mais um cuidado. Se, por acaso, começar a criticar alguma pessoa sem nenhum motivo, faça um boa reflexão para descobrir se não está possuído do sentimento de inveja. Espero que esse fato nunca ocorra com você, mas lembre-se de que ser atacado pelo sentimento da inveja pode em determinadas circunstâncias fazer parte da nossa vida. Por isso, todo cuidado é pouco.

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