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23 jan 2019

Eu avisei. Bem que eu avisei!

Reinaldo Polito

Na última semana eu havia prometido falar um pouco sobre o trabalho e as características de alguns palestrantes. Mas, um fato importante, a entrevista de Suzane Richthofen ao programa Fantástico na semana passada, me levou a adiar este projeto para o próximo domingo. Conforme você deve saber, durante a entrevista, sem que Suzane percebesse, os repórteres da Globo gravaram toda sua conversa com o advogado, Mário Sergio de Oliveira. Os dois não notaram que o microfone estava aberto e planejaram como ela deveria se comportar. No domingo o Fantástico revelou como o advogado estava orientando sua cliente para agir diante das câmeras. A Globo informou que ao perceber que Suzane e o advogado estavam montando uma farsa não hesitou em desmascará-los.

E o que tudo isso tem a ver comigo? Bem, nada além do fato de Suzane, o ex-namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, terem participado do assassinato dos pais dela, numa casa a poucas quadras de onde eu moro, no Campo Belo, em São Paulo.

Entretanto, em vários artigos que escrevi, chamei a atenção para o risco de as pessoas falarem o que não devem e acabar se comprometendo. Aqui mesmo na Tribuna escrevi dois: “De leve no celular” e “As lições da Hoechst”. Só para relembrar, no primeiro fiz o seguinte alerta: “Quando tiver de tratar de um assunto muito importante, que não possa ser ouvido por ninguém prefira falar pessoalmente, e se não for possível, por causa da distância ou da urgência, troque de aparelho e sugira que o seu interlocutor  faça o mesmo. Mas, se posso dar um bom conselho, evite sempre tratar de qualquer assunto mais delicado pelo telefone, pois além do perigo do grampo há ainda o risco das ligações cruzadas que também são muito comuns”.

No outro comentei: “Fique atento para essas situações, pois às vezes pensamos que estamos tão sozinhos e protegidos que nem percebemos a presença de outras pessoas e podemos descobrir mais tarde que alguém estava nos fazendo companhia e ouvindo o que não poderia ouvir”.

E mais, se Suzane e seu advogado tivessem lido o artigo que publiquei na Revista Vencer há pouco mais de três anos, na edição nº 41 “As paredes têm ouvidos, não ficariam tão encrencados como estão. Observe só o que eu disse:” Quando você estiver em emissoras de rádio ou de televisão, em auditórios ou salas de evento evite fazer comentários que de alguma maneira poderiam prejudicá-lo ou provocar mal-entendidos. Esses locais estão empestados de microfones com todas as sensibilidades possíveis e o risco de estar sendo ouvido por alguém nunca pode ser descartado. E o mais grave é que nesses momentos de descontração, dependendo de quem nos acompanha, às vezes acabamos por falar o que na verdade nem temos tanta convicção, mas, como no caso do ministro Ricupero, falou está falado, e pior, gravado, e aí não adianta mais querer explicar “.

  Hoje estou com uma grande dúvida. Se os dois tivessem lido o meu texto e se precavido, talvez ninguém saberia do que estavam tramando, e, segundo as afirmações da Globo, seríamos enganados por uma encenação. Por outro lado, quantas pessoas poderiam ser prejudicadas por se despoliciarem em circunstâncias semelhantes, sem que tivessem culpa.

Pelo sim pelo não, fique esperto. E se sentir algum tipo de perigo nas imediações, siga as orientações de minha avó: em boca fechada não entra mosquito.

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