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23 jan 2019

Mantendo uma empresa de pé

Meu avô paterno, que até os últimos anos de vida cultivou a arte da sedução, me dizia que três motivos levam um homem a se perder: mulher, jogo e dívida. Essa é uma sábia filosofia, pois homem quando vira a cabeça por causa de um rabo de saia não há reza que o faça reencontrar o norte; da mesma maneira, nunca conheci alguém que tivesse ficado rico com jogo, mas me lembro de uns par deles que perderam até as calças em cima do pano verde; dívida que não seja para investimento só conheço duas, a ruim e a pior. Questão de bom senso.
Parodiando o Velho Polito, dá para transportar essa sabedoria do CPF para o CNPJ e identificar alguns motivos que levam uma empresa a quebrar ou fechar as portas: manter estrutura para o pico, trabalhar sem capital e desfocar.

Fico de cabelo em pé quando um amigo empresário, que vivia tranqüilo com aquele faturamento nosso de cada dia, abre champanhe para comemorar um excepcional aumento nas vendas. A primeira pergunta que faço é – desde quando as vendas passaram a escalar o gráfico azul? Se a resposta não incluir um período que ateste um crescimento sustentado e coerente, meu coração dispara. Aumentar vendas é sempre muito bom, desde que a empresa não precise montar uma estrutura pesada para atender aquela demanda pontual. Porque depois que você contratou mão de obra, ampliou as instalações e adquiriu mais algumas máquinas, provavelmente, se sentirá na obrigação de continuar segurando os números lá em cima. Só que passado aquele momento as vendas voltam à velha marcha, e a luz passa de amarela para vermelha. Na expectativa de que o mercado reaja, você vai segurando a nova estrutura, gastando muito mais do que recebe. Se não tiver lucidez, coragem, presença de espírito e iniciativa para desmontar tudo rapidinho, a chance de fazer com que o boy mude o itinerário do caixa do banco para o balcão do cartório é de 1 para 1.

As novas instalações ficaram belíssimas, as modernas máquinas estão super azeitadas, as recepcionistas ficaram uns docinhos com os novos uniformes. Tudo prontinho para arrebentar o mercado e deixar a concorrência andando de muletas. E a grana? Não vai me dizer que você deixou tudo muito bem montado e agora pretende andar com borderozinho debaixo do braço para financiar banqueiro? Última forma, capitão. Sem dinheiro no bolso esse maravilhoso barco tem tudo para ir a pique. De vez em quando descontar umas duplicatas para acertar o fluxo de caixa faz parte do jogo. Mas, transformar essa prática, que deveria ser eventual, no único recurso para acertar as contas, é só questão de tempo para você deixar de dormir ou pegar no sono só com pesadelos.
Antes de começar a atirar para todos os lados, analise bem o foco do seu negócio. Para ganhar dinheiro é preciso ralar de sol a sol. Em algumas épocas é difícil e em outras praticamente impossível. Por isso, nada de pôr dinheiro bom em cima de negócio ruim. Faça o possível para se manter na sua praia. Eu sei que a tentação é grande, pois, em alguns momentos surgem oportunidades que se mostram imperdíveis. Só que se esse canto da sereia exigir novos contatos, abertura de outros mercados, contratação de pessoal com especialidades distintas, vai demandar tempo que talvez você não tenha, desviar sua atenção e se transformar num verdadeiro sumidouro para aquele seu dinheirinho suado.

Não estou dizendo que novos negócios não devam ser tentados, ao contrário, devemos estar sempre atentos a todas boas oportunidades que forem surgindo. Entretanto, analise muito bem os aspectos favoráveis e negativos. Seja um crítico severo dos números e muito desconfiado. Lembre-se de que papel sempre aceita qualquer resultado. Você é que precisa ser cauteloso, principalmente quando se tratar de iniciativas fora do seu foco de negócios. Questão de bom senso e de sobrevivência.

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