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09 dez 2018

O improviso é cúmplice da gafe

Por Reinaldo Polito*

Ninguém escapa. Vacilou e pimba – mais uma pisada na bola indo para a coleção do mortal. Sim, porque basta estar vivo para cometer gafes. Embora a gafe seja democrática, pois não escolhe sexo, condição social, política ou econômica, o certo é que os mais poderosos e mais aquinhoados são as maiores vítimas. Se nós, pessoas normais, cometermos uma gafe, provavelmente, suas conseqüências se limitarão ao fato em si, ou seja, se restringirão às linhas confortáveis da nossa cozinha. É só passar a régua e fechar a conta. Com a elite, aqueles que freqüentam a tribo de cima, não. Bastou errar na escolha do talher, ou trocar o nome do visitante ou do anfitrião que já vira manchete. A situação se agravou ainda mais com os sites de busca na Internet. Com esse recurso as gafes se transformaram em estrelas de primeira grandeza. Meses, anos a fio, a notícia se junta às outras já existentes e unidas numa irritante solidariedade persistem em acompanhar a biografia da vítima. Como curiosidade fiz algumas pesquisas nos principais sites de busca. Mesmo tendo esmagado inúmeros tomates com memoráveis pisadas e escorregadelas, não encontrei nenhuma minha, assim como estava limpinha a ficha do meu primo Carlos Roberto Paçoca. Entretanto, bastou mencionar o nome do Lula e do Bush para que páginas e mais páginas saltassem na tela do computador. E os freqüentadores da ponta da pirâmide, às vezes, são vítimas das gafes que cometem e das gafes cometidas contra eles. O Lula, por exemplo, assim que tomou posse como presidente, logo nos primeiros dias de governo, foi prestigiar a posse do presidente do Equador, Lúcio Gutierrez. Fico imaginando como Lula estaria se sentindo. Naturalmente orgulhoso, envaidecido por ser o presidente do país mais importante abaixo da linha do equador e aguardando os salamaleques todos, enquanto caminhasse pelos tapetes vermelhos do evento. Pois não é que o mestre de cerimônia cometeu uma gafe, poderia dizer literalmente, federal, referindo-se ao presidente brasileiro como José Inácio Lula da Silva. E não foi só isso, ello metió la pata dos veces en la pelotita, pois mais à frente insistiu pomposamente no José. Lula ficou quieto lá no fundo da sala, mas balançou negativamente a cabeça, de maneira moderada na primeira vez, e meio irritado na segunda.

Bem, Lula também não tem do que se queixar. Logo no primeiro ano de governo conseguiu desfilar um rosário de gafes que daria para completar um álbum inteiro e ainda deixar algumas de reserva. Uma das mais famosas ocorreu durante a visita que fez aos países africanos. Ao discursar de improviso em Windhoek, a capital da Namíbia, declarou que não esperava encontrar na África uma cidade tão limpa como aquela. E que não parecia estar num país africano. Nem é preciso dizer o mal-estar que essa declaração provocou.
Todos esses deslizes têm um selo de falta de qualidade chamado improviso. Em todas essas situações as gafes apareceram porque a mensagem surgiu inesperadamente, de maneira improvisada, sem planejamento. Não que seja sempre errado falar de improviso. Mas, em circunstâncias mais formais, é preciso redobrar os cuidados para evitar conseqüências constrangedoras. Assim, se for preciso falar de improviso, evite mensagens que ainda não tenham sido discutidas e muito menos que não tenham sido submetidas a um processo de filtragem. Se tiver preparado um discurso e meditado sobre a propriedade e adequação de seus termos, evite fazer mudanças de última hora. E, se precisar mesmo promover alguma alteração, tenha certeza de que a nova mensagem passaria pelo crivo de uma criteriosa reflexão preliminar. Na dúvida, siga o velho trilho batido, que o levará ao destino com segurança, sem surpresas.

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