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03 jul 2018

Palavras os ventos levam, mas as câmeras e gravadores guardam

Houve uma época em que o candidato podia falar à vontade, sem
medo das conseqüências, porque as pessoas, até por falta de
tecnologia fácil e disponível, não tinham o hábito de gravar e guardar o que se dizia.
Assim, passada a época da eleição, cada um sacudia a sua poeira e ficava o dito pelo não dito.
Hoje tudo mudou. Depois da época do Cacique Juruna, com câmeras de vídeo e gravadores vendidos em qualquer esquina, todo mundo grava todo mundo, e os pronunciamentos são guardados durante anos até que surja uma boa oportunidade para que sejam usados.
Quando a gravação é exibida, mesmo que o contexto seja outro e o candidato tenha mudado de posição, não adianta, parece que as palavras estão sendo proferidas naquele momento, com resultados devastadores para o incauto político.
Por isso tenha cuidado com a língua, e ao fazer discursos pense sempre na sua carreira para a vida toda e não apenas para esta campanha.

Ao preparar as apresentações faça para si próprio essa pergunta: quais seriam as conseqüências desses comentários se forem gravados pelos meus adversários e usados no futuro? Se pelo menos tiver dúvida sobre o resultado, pense um pouco mais antes de falar.
Não estou dizendo que você deverá se despersonalizar e ficar se escondendo com as suas verdadeiras opiniões, ao contrário, estou convencido de que será mais respeitado pelas posições que adotar, do que pelas omissões e busca de neutralidade. Entretanto, tenha consciência das afirmações que fizer para que não se arrependa no futuro.

Cada vez mais os eleitores estão aprendendo a escolher seus candidatos e chegará o momento em que terão mais admiração pela coerência do que pelo oportunismo.
Portanto, prepare-se agora para o seu futuro político e faça uma campanha para a vida toda.
Se você estiver pretendendo usar uma gravação do seu adversário com pronunciamentos que ele tenha feito em passado remoto, cuidado para não soprar brasas que já se apagaram, pois as cinzas poderão sujar o seu próprio rosto.
Por exemplo, tivemos recentemente, nos Estados Unidos, no debate entre os candidatos ao senado, a exibição de uma fita de vídeo em que a candidata Hillary Clinton dizia acreditar que o seu marido era inocente da acusação de adultério. É evidente que o objetivo dessa gravação era prejudicar a imagem da esposa do presidente americano, mas o efeito pode ter sido exatamente contrário, pois esse é um caso que incomoda os americanos; que não viam a hora de colocar uma pedra sobre o assunto. Além do mais, mostrar-se fiel ao marido, mesmo sabendo que está sendo traída pode ser visto como sinal de grandeza.
Acho que quem usou o recurso da gravação não mediu bem as conseqüências.

Se desejar saber mais sobre como argumentar e refutar objeções leia o livro “Assim é que se fala” que publiquei pela Editora Saraiva.

Reinaldo Polito
nº 13

Esses e outros conceitos são desenvolvidos no curso de expressão verbal ministrado pelo Professor Reinaldo Polito.
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“Terminantemente proibida a reprodução sem autorização expressa do autor”

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