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23 jan 2019

Que regra é essa?

Reinaldo Polito

De vez em quando aparece alguém determinando algumas regras de conduta ou procedimento que acabam se cristalizando. A turma entra na onda e vai repetindo tudo do jeito que ouviu ou leu, sem refletir se a informação procede ou não.

Lembro-me de um caso emblemático. Lá pelos anos 70 uma professora de Português produziu uma apostila com algumas dicas de boa redação. Era raro encontrar um gerente de treinamento nas mais diferentes organizações que não soubesse da existência desse livreto. Entre as recomendações da ilustre professora havia uma muito curiosa – “Não inicie uma redação dizendo: como todos nós sabemos”. Ela explicava que se as pessoas soubessem da informação, não havia motivo para dar o aviso. Se não soubesem,  não caberia o alerta.

Pois bem, o povo aprendeu e divulgou o conceito para os quatro cantos.

Um belo dia fui visitar uma aluna que era craque em redação, Maria Amália. Ela atuou como jornalista na Veja, na Exame e foi a primeira diretora de Redação da Revista Você S.A.

Durante a nossa conversa eu lhe disse que uma das suas matérias publicadas na Revista Exame ensinando executivos a redigir textos eficientes estava excelente. Mas, estranhara o fato de ela ter embarcado no velho conceito da professora e tê-lo dado como orientação aos leitores. Ela confessou que também questionava a regra e que depois que a registrou no seu artigo toda vez que censurava suas redações quando queria iniciar com “como todos nós sabemos” se sentia meio desconfortável.

Você também segue essa regra de redação? Se a resposta for positiva, cuidado, pois talvez esteja cometendo um equívoco.

Reflita comigo. Se passarmos uma informação que seja conhecida do leitor, como se fose uma grande novidade, podemos enfraquecer nossa posição. Por isso, quando iniciamos um texto dizendo ”como todos nós sabemos”, estamos revelando ao leitor que temos consciência de que ele conhece a informação, mas que a estamos repetindo porque se trata de um dado importante para o acompanhamento e compreensão do raciocínio. Desta forma, passamos uma informação conhecida do leitor, mas não como se fosse algo inédito e preservamos assim nossa imagem.

Por isso, fique atento para não fazer das regras um dogma.

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