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04 abr 2018

Seu corpo diz o que você pensa

Criança tem cada uma! Essa história movimentou a garotada da minha rua durante um bom tempo, e até hoje respinga nas conversas entre aqueles que protagonizaram cenas que dariam inveja aos mestres da ficção.

Tive um amigo de infância, Ariovaldo, que durante um bom tempo sofreu porque achava que as outras pessoas conseguiam ouvir seus pensamentos. Se estivesse conversando com alguém e surgisse um pensamento negativo, rápido cuidava de pensar em algo diferente porque tinha certeza de que o interlocutor ouvia tudo o que se passava em sua cabeça.

Como não tolerou a pressão, caiu na besteira de abrir a alma e contar essa sua insegurança para um ‘capetinha’ do grupo, Serjão. Sua vida que já andava de cabeça para baixo virou de vez um inferno. Serjão anunciou a esquisitice do Ari a todo ser que respirava.

Depois dessas inconfidências, assim que ele aparecia na esquina sempre havia um moleque para azucrinar seu sossego: – Ari, se você continuar pensando essas besteiras sobre minha irmã, vou te encher de porrada. E o Ari que até então ficava vermelho, daí para frente começou a ficar roxo.

Encheram tanto a paciência do pobre do Ari, que, de repente, num estalo, ele percebeu o tamanho da asneira que havia criado para si mesmo, e se juntou ao grupo fazendo autogozação. Antes que alguém dissesse alguma coisa ele se antecipava: – Meus pensamentos são um livro aberto. Aí perdeu a graça e deixaram o Ari em paz.

Nossos pensamentos não têm voz, não falam independentemente de nossa vontade. Entretanto, todo o nosso corpo fala – e muito!

Nossos pensamentos não falam, como imaginava o Ari, contudo, é possível perceber a partir dos sinais dados pelo corpo o que estamos verdadeiramente sentindo e se a mensagem transmitida pelas palavras é ou não consistente, se possui ou não coerência.

Na obra Human Communication, Stewart L. Tubbs e Sylvia Moss dizem: ‘uma interessante questão levantada por Ekman é se as pistas dadas pelos movimentos do corpo são diferentes daquelas dadas pela cabeça e pelos movimentos faciais.

Suas descobertas indicam que a cabeça e o rosto sugerem qual emoção está sendo experimentada enquanto o corpo dá pistas a respeito da intensidade dessa emoção. As mãos, contudo, podem nos dar as mesmas informações que nós recebemos da cabeça e do rosto’.

Pelo que disseram esses estudiosos, se não houver coerência e harmonia entre as palavras, os sentimentos transmitidos, a entonação usada, os sutis movimentos do corpo, a expressão facial, os gestos – enfim a coerência e harmonia nos traços de uma mesma linguagem – nossa comunicação estará seriamente prejudicada e o nosso preparo, confiança e credibilidade questionados.

Todos esses aspectos estão relacionados à competência da comunicação. Nas diferentes fases da formação as pessoas aprendem a usar de maneira adequada o tom da voz, os gestos, a comunicação facial (http://economia.uol.com.br/planodecarreira/artigos/polito/2008/08/25/ult4385u79.jhtm), as reações do corpo, enfim, desenvolvem habilidades que as preparam para conviver naturalmente em sociedade.

De acordo com a cultura em que são educadas, as sutilezas são incorporadas na maneira de se comunicar e de se expressar: um discreto levantar de sobrancelha, que indique surpresa. Uma quase imperceptível mordida no lábio inferior, que demonstre ansiedade. Um rápido tamborilar com os dedos que informe impaciência.

Ainda nessa fase de aprendizado a pessoa descobre até que ponto pode ou não tocar ou se aproximar fisicamente dos outros, qual o tom de voz apropriado para as mais diferentes situações e todas as reações próprias para uma boa convivência. Com o passar do tempo esse comportamento é naturalizado e constantemente monitorado.

Anthony Giddens na obra Modernidade e identidade, afirma que ‘Aprender a tornar-se um agente competente – capaz de se juntar aos outros em bases iguais na produção e reprodução de relações sociais – é ser capaz de exercer um monitoramento contínuo e bem-sucedido da face e do corpo’.

Deduz-se, portanto, que para o indivíduo se sentir competente precisa manter o domínio sobre o corpo em todas as situações sociais. Além disso, o autor afirma que ‘ser um agente competente significa não só manter tal controle contínuo, mas ser percebido pelos outros quando o faz’.

Se, por acaso, a primeira condição não puder ser atendida, ou seja, a pessoa não conseguir manter o controle do corpo, ela perderá sua proteção e sua confiança básica será ameaçada. Conseqüentemente a segunda condição será afetada, pois os outros perceberão este descontrole e poderão desconfiar da sua competência.

Por isso, vale a pena investir no autoconhecimento, no aprimoramento da comunicação para que possa dominar suas ações e ser visto como uma pessoa segura e confiante. Com esses atributos você conquistará mais credibilidade e admiração ao falar e se relacionar com as pessoas.

Por incrível que pareça, então, o Ari não era tão esquisito assim. Seu corpo, realmente, podia revelar seus pensamentos – até que ele bem era normalzinho!

Superdicas da semana:

– Invista no aprimoramento da comunicação

– Aprenda a dominar as ações do seu corpo

– Procure levar para todas as situações seu comportamento natural

– Aprenda a “ler” a linguagem do seu corpo e das outras pessoas

– Observe sempre se há coerência entre o que as pessoas falam com as palavras e com o corpo.

 

Para ver outras dicas entre no meu site (https://reinaldopolito.com.br/portugues/dicas.php?id_nivel=15 )

 

 

 

Livros de minha autoria que tratam desse tema; “Oratória para advogados e estudantes de direito”, “Como falar corretamente e sem inibições” e “Superdicas para falar bem” (também em audiolivro), publicados pela Editora Saraiva.

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