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04 abr 2018

Seu semblante revela o que você pensa

Certa vez uma jornalista me entrevistou para falar sobre a mentira. Ela queria saber como seria possível identificar um mentiroso novo. Isto porque, dizia ela, os velhos mentirosos, principalmente os que atuam na política, já são muito conhecidos, mas os novos não. Estão chegando agora para nos enganar.

Não titubeei na resposta: pela fisionomia. Sim, é pela fisionomia que as pessoas normalmente se traem. Podem até interpretar muito bem a personagem, mas em algum momento serão traídas pela fisionomia.

Nem sempre percebemos conscientemente o detalhe do jogo fisionômico, mas algo lá no nosso inconsciente, como disse Freud, identificará essa mensagem do inconsciente do outro.

A fisionomia possui duas funções muito importantes na comunicação – a expressividade e a coerência. Deve ser expressiva para auxiliar na condução da mensagem e na complementação das informações. E precisa ser coerente para que a mensagem transmitida pelas palavras tenha respaldo e legitimidade na comunicação do semblante.

Se você falar de tristeza, a sua fisionomia deverá demonstrar esse sentimento. Tanto assim que, em algumas circunstâncias, você precisará interpretar sua própria verdade, pois, ao falar de um sentimento, mesmo que esteja sentindo o que está dizendo, a fisionomia deverá mostrar de forma expressiva essa mensagem. Você sente, diz que sente e interpreta o que efetivamente sente.

Na minha dissertação de mestrado, publicada em livro pela Editora Saraiva, com o título de A influência da emoção do orador no processo de conquista dos ouvintes, recorri à teoria de Wilhelm Reich na obra Análise do caráter, para falar da maneira como percebemos a emoção do outro:

‘A linguagem humana atua, interfere na linguagem da face e do corpo. Por isso, a expressão total de um organismo deve ser literalmente idêntica à impressão total que o organismo provoca em nós’.

Essa expressão total, que caracteriza a coerência da comunicação, é confirmada ou negada especialmente pela fisionomia. Por isso procure sempre sentir o que está dizendo e analise se a sua fisionomia está sendo coerente com esse sentimento.

Fazendo parte da fisionomia, os olhos também são um excelente indicador da coerência entre a mensagem transmitida com as palavras e o sentimento. Durante uma apresentação, os olhos cumprem dois objetivos: o de receber o retorno, analisando como os ouvintes reagem e se comportam diante da mensagem, e o de valorizar a presença das pessoas no ambiente.

Se, ao olhar para a platéia, você perceber que as pessoas estão desatentas, movimentando a cabeça de um lado para outro, distraídas com objetos ou com qualquer outro sinal de desinteresse, talvez haja tempo de trazê-las de volta à realidade e estimulá-las a continuar prestando atenção.

Você poderá, por exemplo, mudar o ritmo da fala, alterar a gesticulação, incluir novas informações, leves e interessantes, e quem sabe até resgatar uma apresentação praticamente perdida.

Se você não olhar para os ouvintes, não terá condições de saber se eles estão ou não gostando, se estão acompanhando o desenvolvimento do seu raciocínio, se estão interessados e assimilando a mensagem.

Quando você olha para a platéia, mesmo que não consiga ver cada um dos ouvintes, as pessoas se sentem olhadas, prestigiadas, incluídas no ambiente. Por isso, distribua a comunicação visual para todos os lados do auditório, olhando ora para quem está sentado à esquerda, ora para quem está sentado à direita.

Há dois tipos de ouvintes que atrapalham muito a apresentação – aquele que se mostra hostil, balançando negativamente a cabeça e fazendo caretas de desaprovação, e o bonzinho, que está sempre concordando com o orador acenando com o sim de aprovação.

Não caia nessa armadilha. Evite olhar a maior parte do tempo para o ouvinte hostil com a intenção de fazê-lo mudar de opinião, e também não olhe muito para o ouvinte bonzinho só porque sentiu o conforto do seu consentimento.

Nas duas situações estaria se escravizando a esses ouvintes e deixando de olhar a platéia toda, correndo o risco de que os demais dispersassem a atenção.

A fisionomia, incluindo aí a comunicação visual, é um aspecto de importância fundamental para o sucesso da arte de falar em público ou nas conversas do dia a dia. Por isso, observe bem como tem usado o semblante na sua comunicação para melhorar ainda mais o resultado de suas apresentações.

Superdicas da semana:

– Observe se há coerência entre suas palavras e seu semblante.

– Há casos em que o semblante pode complementar a mensagem sem apoio dos gestos.

– Evite exageros com o semblante para não se tornar caricato

– Ao falar procure olhar para todos os ouvintes

– Não se escravize ao ouvinte que só concorda, nem se abale diante de reações negativas.

 

Para ver outras dicas entre no meu site (https://reinaldopolito.com.br/portugues/dicas.php?id_nivel=15 )

 

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Livros de minha autoria que tratam desse tema: “Como falar corretamente e sem inibições”, “Superdicas para falar bem” e “Oratória para advogados e estudantes de direito”, publicados pela Editora Saraiva.

 

 

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