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21 maio 2019

Tiradas geniais:
 Lições e ousadias de um craque

por Reinaldo Polito

Na história da comunicação conheci um verdadeiro expert em sair do lugar comum. Pendurava chuteira na porta, trocava sapatos de pés e conseguia estar sempre na primeira página dos principais jornais do País.

Se você está pensando em conquistar um lugar na galeria dos vencedores, prepare-se para sair da mesmice e se destacar. Essa história de seguir trilhas batidas dá muita segurança, mas é o caminho de todos e, por isso, não tira ninguém do limbo. Na história da comunicação conheci um verdadeiro craque em sair do lugar comum, Jânio Quadros. Quando todos pensavam que ele seguiria numa determinada direção, lá estava ele fazendo suas traquinagens e encontrando novas formas de se promover. Um de meus alunos, João Mellão Neto, que foi seu secretário da administração, me contou que ao despachar com o prefeito ficava impressionado com a lucidez e a visão política do ex-presidente. Sabia exatamente as conseqüências de cada uma das decisões tomadas e antecipava com perfeição milimétrica as reações da oposição e da imprensa. Só que na hora de pôr em prática o que tinham decidido com tanto critério se transformava em notícia. Pendurava chuteira na porta, trocava sapatos de pés, vestia camisa do Corinthians e conseguia estar permanentemente na primeira página dos principais jornais do País.

Venceu as eleições à prefeitura de São Paulo em 1985, graças a sua criatividade e capacidade de comunicação. Enfrentou Fernando Henrique Cardoso, que era muito admirado e respeitado pela elite intelectual, mas pouco conhecido pela maioria da população. Fernando Henrique tinha quase 30 minutos de tempo na televisão e podia utilizá-lo como bem entendesse para se promover e deslanchar sua campanha. Jânio tinha menos de um terço desse tempo, não chegava a 10 minutos. Mas, por causa do seu jeitão engraçado de falar e de suas tiradas sarcásticas e sempre bem-humoradas, fascinava os telespectadores e conquistava excelente receptividade. Sabendo que sua audiência era elevada e que Fernando Henrique lutava para se destacar e ficar conhecido, toda vez que se referia a ele usava um artifício para confundir ainda mais o eleitorado, tratava-o por Senhor Cardoso. Ora, se as pessoas ainda não sabiam bem quem era Fernando Henrique, Senhor Cardoso, então, não passava de um ilustre desconhecido.

Assim, com pequeno jogo de palavras, evitava fazer a propaganda do opositor. Certa vez fui convidá-lo para ser paraninfo de uma das turmas do nosso curso de expressão verbal. Combinei de encontrá-lo numa palestra que ele faria para uma associação de distribuidores de derivados de petróleo. Atrasou quase uma hora. Quando chegou, a platéia já estava impaciente e aguardando algum tipo de explicação pelo atraso. Ao entrar caminhando com dificuldade, ainda no corredor, parou bem no meio do auditório, olhou com calma para todas as pessoas e disse com voz arrastada: “Os senhores estão diante de um paletó surrado a procura de um cabide”. O público explodiu numa gostosa gargalhada, enquanto ele se encaminhava para a mesa de honra. Ao se sentar, ninguém queria saber mais de desculpas, todos já estavam dispostos a ouvir sua mensagem.

Ele aceitou meu convite e foi paraninfar a turma de formandos. Nessa formatura os alunos recebiam o certificado de conclusão e se dirigiam à tribuna para dizer algumas rápidas palavras, como último exercício, aproveitando a oportunidade para falar diante de uma platéia numerosa. Após sua chegada à solenidade teve de aguardar quase 100 formandos que um a um foram se apresentando antes dele. Quando chegou sua vez de discursar, as pessoas já estavam cansadas de tanto ouvir discursos. Por esse motivo, depois que começou a falar, em poucos minutos a platéia naturalmente começou a perder a concentração. Com sua experiência e extraordinária habilidade conseguiu reverter a situação que caminhava para o fracasso e fazer com que todos o acompanhassem até o final, como se fosse o primeiro orador daquela manhã. Num determinado momento, interrompeu o que estava dizendo e contou esta história que obrigou a todos a se prender a sua comunicação:

“Recorda-me, por exemplo, quando eu fazia uma conferência em uma das faculdades de São Paulo – e chamo conferencia pomposamente a uma palestra – aluno que me interpelou pouco mais ou menos assim, ‘você poderia dizer-me?’ Eu cortei o cerce. Você é uma contração do pronome Vossa Mercê, muito usado pelos Senhores para se dirigir aos seus escravos. Já ouviu falar em Benjamin Franklin? Não, eu não me refiro ao inventor do pára-raios, mas sim ao pensador, ao diplomata, ao orador. Pois, ele disse certa vez,com muita propriedade, que a intimidade só produz aborrecimentos e filhos. E com o Senhor não desejo nem uma coisa nem outra”.

Enquanto as pessoas riam a ponto de perder o fôlego, ele saboreava sua façanha, convicto de que naquele momento havia conquistado o público e que teria a atenção de todos até o final. São atitudes ousadas, espirituosas, inteligentes como essas que fazem uma pessoa sobressair e se destacar nas suas atividades. Se você tiver presença de espírito, sensibilidade para entender as pessoas e tocar a emoção delas, não se imponha limites restringindo-se às atitudes comuns adotadas pelo comodismo da maioria. Seja ousado e use seus atributos para ter sucesso e se tornar um vitorioso. Pare para pensar, talvez você descubra que a solução que imaginava estar tão distante, depende apenas da sua mudança de atitude. Quem sabe não tenha chegado sua hora de pendurar um par de chuteira

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