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19 dez 2018

Você acha ou tem certeza?


por Reinaldo Polito

Esse tema vai mexer com muita gente. Mas, se motivar a uma reflexão sobre o assunto já vou me dar por satisfeito. Vou me referir ao uso da expressão acho.

Algumas pessoas ficam indignadas quando ouvem alguém usar a expressão acho. É comum em sala de aula os alunos se voltarem para mim com o intuito de criticar um colega que ao se apresentar na tribuna fez uso da expressão acho. Dizem:

— Polito, ele usou o acho. Essa expressão não diminui a autoridade, ou tira a força da convicção de quem fala?

Outros, nem usam intermediários e criticam diretamente:

— Você acha ou tem certeza?

Essa opinião manifestada de maneira tão contundente e com tanta freqüência teve, provavelmente, a mesma origem de alguns outros dogmas que se alastraram como praga pelo mercado como “não inicie uma redação dizendo conforme sabemos”, ou, a regra imutável “nunca passe na frente do aparelho de projeção quando ele estiver ligado”. Sobre a impropriedade dessas regras falarei nas próximas semanas.

Mas, o que deve ter ocorrido foi o seguinte: algum especialista, guru, ou similar apareceu um dia dizendo que a expressão acho não poderia ser usada, pois enfraqueceria a personalidade ou a convicção de quem estivesse falando. As pessoas aprenderam a regrinha e se transformaram em arautos desse “ensinamento”. Assim, hoje, quando ouvem a expressão reagem quase instintivamente para criticar o que consideram um erro de comunicação.

Precisamos analisar o emprego dessa expressão de acordo com a circunstância e observar se as características da mensagem recomendam ou não seu uso.

Na verdade, expressões como acho, julgo, suponho, acredito, penso e outras da mesma família se constituem quase sempre em excelentes recursos diplomáticos para evitar o confronto com pessoas que possuem opiniões diferentes daquela que defendemos. Ao dizer que eu acho, estou também informando nas entrelinhas aos ouvintes que tenho consciência de que outras pessoas talvez pensem de maneira distinta e que, portanto, não existe apenas a minha opinião. Assim, aqueles que não concordam com o que está sendo exposto não se sentem confrontados e podem pelo menos ouvir uma opinião contrária sem levantar resistência precipitada.

Entretanto, o uso do acho já não seria recomendado se alguém estivesse, por exemplo, sugerindo ou determinando soluções para um problema que não pudesse dar margem a erros.
Não seria admissível que um ministro baixasse um pacote de medidas que iria exigir o sacrifício de toda população e dizendo que achava que aquele era o melhor caminho.

Recomendo, no entanto, que no limite entre o uso diplomático e o uso que exigiria obrigatoriamente a convicção a expressão seja evitada. Em algumas situações, embora existam opiniões contrárias porque as pessoas podem se sentir prejudicadas pela mensagem o acho não seria recomendável, pois reforçaria ainda mais o temor de que aquela sugestão produzisse prejuízos para sua causa.

Há, portanto, situações em que o uso dessa expressão deveria ser evitado para não prejudicar o trabalho de persuasão, e outras em que o efeito é exatamente o contrário, evita confrontos e ajuda a persuadir.

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