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23 jul 2019

Xô, Satanás

Conheço pessoas, e não são poucas, que se especializaram no “chororô”. Passam o dia todo sempre reclamando de alguma coisa: do governo que cobra muito imposto, da taxa de juros que inviabiliza qualquer atividade, do desemprego que provoca aumento da criminalidade, da falta de tempo para cumprir suas tarefas profissionais, da falta de tempo para o lazer, do excesso de liberdade das mulheres, do chauvinismo grosseiro dos homens, da ejaculação precoce do gafanhoto. O que não falta é motivo para reclamar. Alguns se especializaram com tanta competência nessa arte de chorar com os olhos enxutos, que estou quase certo de que resmungam até quando estão dormindo.

Problemas sempre existiram e continuarão a existir. Meu bisavô, que tive a felicidade de conhecer, reclamava da situação do país, meu avô também embarcou no mesmo discurso da análise negativista, meu pai fez jus ao DNA, eu não reneguei a tradição familiar e, para meu espanto, além dos meus quatro filhos resmungões, já tenho a Letícia, uma neta que nos primeiros aninhos ensaia suas primeiras esperneadas. Bem, uma reclamaçãozinha aqui, outra ali, acho que até ajuda a abrir um pouco as artérias e a dar mais leveza ao espírito. Agora, viver com a boca impregnada de bílis já é outra história. Sinto também que o “chororô” acaba se transformando numa espécie de doença contagiosa, pois quem vive muito ao lado das carpideiras acaba contaminado pela mesma ladainha, e quando menos se dá conta lá está pregando as desgraças da vida. Vou abrir meu coração com você – estou escrevendo este texto também para mim, porque acredito que com esta pregação me junto aos leitores e passo a refletir melhor sobre o meu comportamento. E antes de concluir já me penitenciei por algumas atitudes que tenho tomado nos últimos tempos. Então, vamos participar da mesma roda e nos juntar para dar um xô, satanás e afugentar a mania de só enxergar o que pode ser lamentado. Não estou dizendo que deveríamos adotar uma filosofia Poliana e passar a ver apenas o lado cor-de-rosa das coisas, pois você deve concordar comigo que essa atitude pode ser tão irritante quanto a choradeira, mas que dá para colorir um pouco mais o cinzento da vida, isso dá. Se você está trabalhando demais, pense naqueles que se levantam cedo para bater de porta em porta na busca de um emprego e voltam à noite desanimados por mais um dia sem resultados. Sem contar que, provavelmente, trabalhar mais ou menos pode ser apenas sua opção. Se você reclama da falta de tempo, procure administrar melhor as horas do dia e a se concentrar nas atividades que sejam prioritárias. É incrível como perdemos tempo com tarefas que poderiam ser adiadas.

Considerando ainda que aqueles que reclamam da falta de tempo não aprenderam a delegar. Lógico que você faz tudo muito melhor do que os outros, mas mesmo que não saia com a perfeição desejada, de um jeito ou de outro a vida vai em frente e seu tempo poderá ser dedicado ao que for mais relevante. Ah, e depois não comece a reclamar do outro que não fez tudo do jeitinho que você gostaria que fizesse.
Assim, se ao atender ao telefone, depois de cumprimentar, você já estiver respondendo à pergunta de “Como vai?” com o carimbo de todos os dias: “Na correria”, comece a mudar de atitude e adote outro discurso. Ninguém vai se condoer pelo fato de você estar trabalhando muito ou estar constantemente ocupado, muito ao contrário, lá no fundo estarão criticando: lá vem ele de novo com aquela conversa chata de sempre.
Fique bem atento, porque nós não percebemos como essa praga vai se alastrando na nossa comunicação. Começa com um pequeno suspiro de impotência pela grande quantidade de afazeres que vem pela frente e progride muito rápido, até chegar ao hábito arraigado de reclamar de tudo, independentemente de o assunto ser ou não importante – xô, satanás.

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