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07 nov 2018

You can’t go home again

Reinaldo Polito

Thomas Wolfe escreveu um romance intitulado “You can’t go home again” (Não se pode voltar de novo para casa). Nesta obra o romancista conta a história de um escritor que publica um livro de grande sucesso narrando a vida das pessoas com as quais conviveu na sua cidade natal quando ainda era muito jovem. Ao retornar àquele local se sentiu como um estranho, pois tudo estava mudado. Tenho pensado muito nas reflexões de Wolfe, porque por mais que desejemos reencontrar tudo do jeito que deixamos no antigo lar, o próprio curso natural da vida modificou aquele cenário – as pessoas mudam, a paisagem se transforma, o contexto social é outro, diferente. Hoje, quando relato nos meus artigos uma época distante no tempo em que vivi em Araraquara, sei que se trata apenas das minhas lembranças, pois a realidade não é mais aquela. O campo da baianinha, onde jogava minhas peladas, só permanece na minha memória, ali  se construíram algumas casas. Os cinemas que freqüentei e que serviram de ponto de encontro para as trocas de gibis, agora são templos religiosos. Não é possível mais encontrar a Casa Barbieri ou Casa Esmeralda. O IEBA não é mais o mesmo. Comentei há poucas semanas que visitei meu amigo Gilmar Margonar em seu escritório de seguros na rua 2. Depois de matar a saudade dos bons tempos ele me convidou para comer uns “quibinhos” na Kibelanche, bem em frente de onde estávamos. Senti uma grande emoção ao entrar naquela lanchonete. Lembrei-me de que há 45 anos era o ponto de encontro da garotada. Pensei: “ainda consigo me sentir em casa”. Agora fiquei sabendo que o Aparício Dahab  fechou  as portas da Kibelanche naquele local. Fiquei triste. Era uma importante referência para as minhas reminiscências. Mesmo que reabra em outro lugar, aquele cenário se apagou com uma época que nunca mais voltará.  Será que um dia também desaparecerá a sorveteria do Kawakami que freqüento há mais de 50 anos lá no alto da Rua 2? Ou o Parque Infantil Leonor Mendes de Barros? Tomara que não, mesmo sabendo que não se pode voltar de novo para casa.

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