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19 dez 2018

Bateu a “invejera”

Caim matou Abel por inveja.
Calma aí, eu sei que essa passagem bíblica não é nenhuma novidade. É só para lembrar que olho gordo não é invenção da moçada de hoje – já vem desde o primeiro homem que pisou na terra e que, portanto, já deveríamos ter aprendido algo sobre esse sentimento seca pimenteira. Mas, por incrível que possa parecer, como, de maneira geral, o conhecemos muito pouco, estamos sempre nos surpreendendo com ele.
Saber os motivos da inveja e quais são as formas apropriadas de combatê-la é fundamental para ter sucesso na comunicação. E ousaria dizer, não só para nos defendermos da inveja dos outros, mas, quem sabe, principalmente, da presença desse sentimento em nós mesmos. Sim, porque se perguntarmos a 10 pessoas se elas são invejosas, talvez 11 respondam que não, pois temos a tendência de supor que os outros é que são invejosos, não nós.

Por isso, ponha as barbichas de molho e fique esperto para não ser surpreendido por esse sentimento tão negativo e tão antigo quanto a própria existência humana.
A partir de uma reflexão aristotélica, e supondo que você, como um ser humano normal, sinta inveja, pense nas seguintes questões: Você sentiria inveja do boy que acabou de ser admitido na empresa e anda perdido de um lado para o outro, pagando o mico de principiante, obrigado a procurar no almoxarifado a máquina de escrever em inglês ou o carbono transparente? Provavelmente não. Você sentiria inveja do velhinho australiano que quase ao apagar da última velinha ganhou o prêmio Nobel por descobrir as propriedades nutritivas das patas do rinoceronte? Provavelmente não. Sabe por quê? Segundo Aristóteles, porque “invejamos os que nos são iguais por nascença, parentesco, idade, disposição, reputação, bens em geral”, e tanto o boy como o velhinho cientista são avaliados num nível tão distante de inferioridade ou de superioridade aos nossos olhos, ou aos olhos dos outros, que não os consideraríamos iguais a nós. Da mesma forma, sentimos inveja daqueles que almejam os mesmos objetivos que nós, não daqueles que estão com a cabeça voltada para outros horizontes; daqueles que venceram com facilidade nas situações em que fracassamos, ou tivemos que fazer muito sacrifício para atingir o mesmo resultado, não daqueles que fracassaram nas situações em que nos tornamos vencedores; daqueles que conseguiram vantagens que um dia foram nossas, ou que julgamos que deviam nos pertencer, não daqueles que obtiveram benefícios que nunca aspiramos possuir. Resumo da ópera: Sentimos inveja de quem nasce na mesma casa ou no mesmo bairro, trabalha na mesma empresa ou na mesma atividade, disputa o mesmo mercado. Isto é, parente, amigo, colega e concorrente. Você não? Ok, já estou alterando a estatística de 11 para 12.

Foi por isso que eu disse para ligar as antenas, pois os invejosos estão mais próximos do que imaginamos. É claro que não é para ficar paranóico e começar a andar com galho de arruda na orelha, mas sim para saber quem são, onde estão e como agir com eles da maneira mais adequada. Ao fazer uma apresentação será possível, a partir dos parâmetros que acabamos de destacar, saber se os ouvintes poderiam ou não se mostrar resistentes por causa da inveja ou de uma rivalidade mais acentuada. Se entre os ouvintes houver uma boa parcela de pessoas que se enquadram nesse “grupo de risco”, a melhor tática para quebrar essa resistência é identificar as qualidades que elas possuem e enaltecê-las com elogios sinceros que possam, sem nenhum tipo de desconfiança, parecer verdadeiros. Essa atitude fará com que a platéia se desarme, afaste as resistências e passe a ouvi-lo com maior benevolência. Se concluir que a inveja é o verdadeiro motivo da resistência dos ouvintes, seja compreensivo e entenda esse sentimento sem mágoa ou revanchismo, pois compreendendo as pessoas como elas são, com suas carências, seus medos, suas inseguranças e defeitos, haverá de sua parte um movimento favorável que poderá ser o caminho mais curto e eficiente para conquistá-las.

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