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19 dez 2018

Dicas para falar melhor

Quando cursava a faculdade de Ciências Econômicas, na década de 70, tive um professor que lecionava uma disciplina denominada Moeda e Bancos. Era um tarado. Começava a dar matéria no momento em que entrava na aula e só parava de falar no último segundo. Por mais atento que fosse o aluno, não dava para acompanhar, pois, no meio das explicações, de passagem, como se fosse uma referência irrelevante, citava livros, autores, e considerava a citação matéria dada. Só para entender melhor o sentimento dos alunos, podemos comparar essa matéria com Medicina Legal para os estudantes de direito e com Resistência de Materiais para os de Engenharia. Quando alguém fala que carregou uma dependência geralmente começa por aí. Pois bem, quase acabando o ano, às vésperas da ultima prova, esse tal professor, no finalzinho da aula, disse aos alunos que não faltassem na semana seguinte, porque ele daria algumas dicas de tudo o que cairia na prova.
Foi um alvoroço. Durante aquela semana não se falou em outro assunto, todos queriam aquelas dicas. Os alunos que tinham gravador fizeram uma completa revisão no aparelho, e quem não tinha cuidou de pedir emprestado.
Meia hora antes de começar a aula, muitos já estavam postados nas primeiras carteiras, procurando tomadas, desenrolando fios de extensão e conectando benjamins. Falar em gravador hoje é coisa muito corriqueira, mas, naquela época, em tempos dos jurássicos, o menor parecia um tijolo.
Quando o mestre pôs o pé na sala, os gravadores foram simultaneamente ligados, produzindo um ruído semelhante ao dos cintos de segurança quando são destravados depois que o avião acaba de taxiar para o desembarque. Assim que o professor percebeu aqueles aparelhos apontados para seu lado como se fossem metralhadoras, foi ficando vermelho até roxear.

Lembre-se, estávamos na década de 70, em pleno regime militar, e a maioria se pelava de medo de falar – inclusive o querido mestre. Passado o susto ele começou a aula, e, provavelmente pela primeira vez na vida como professor, não falou uma virgula sequer sobre a matéria. Passou o tempo todo elogiando os militares, enaltecendo as qualidades do regime, metendo o pau nos comunistas e pregando o nacionalismo servil que todo o cidadão de bem deveria ter.
Foi uma revolta geral. Terminada a aula, alguns foram para o corredor da faculdade e jogaram a fita gravada no lixo. Esse episódio foi um marco na minha vida – pela primeira vez percebi a magia que representa a expressão dica.
De lá para cá, essa palavrinha tem me acompanhado sempre. Em sala de aula os alunos, com freqüência, me pedem dicas; nas entrevistas que tenho dado para emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas, quase sem exceção, os jornalistas têm a mesma atitude; nas palestras, quando os ouvintes levantam o braço para perguntar, geralmente não perguntam, pedem dicas.
Nos meus artigos não poderia ser diferente. Desde o princípio tenho passado algumas dicas próprias para o assunto abordado, mas muitos me procuram para pedir que reúna as mais importantes em uma única matéria para que possam guardar e consultar.
Não vejo mal nenhum nessa aspiração dos leitores, pois o fato de serem as dicas orientações resumidas de conduta, não excluem a importância do conteúdo e a pesquisa científica de onde elas se originaram. Por isso, gravadores em punho, fitas rebobinadas, silêncio na sala, que lá vão as dicas:

1. A naturalidade pode ser considerada a melhor regra da boa comunicação

Se você cometer alguns erros técnicos durante uma apresentação em público, mas comportar-se de maneira natural e espontânea, tenha certeza de que os ouvintes ainda poderão acreditar nas suas palavras e aceitar bem a mensagem.

Se usar técnicas de comunicação, mas apresentar-se de forma artificial, a platéia poderá duvidar das suas intenções.

A técnica será útil quando preservar suas características e respeitar seu estilo de comunicação.

Apresentando-se com naturalidade, irá se sentir seguro e e confiante, e suas apresentações serão mais eficientes.

2. Não confie na memória – leve um roteiro como apoio

Algumas pessoas memorizam suas apresentações palavra por palavra, imaginando que assim se sentirão mais confiantes. A experiência demonstra que, de maneira geral, o resultado acaba sendo muito diferente. Se você se esquecer de uma palavra importante na ligação de duas idéias, talvez se sinta desestabilizado e inseguro para continuar. O pior é que, ao decorar uma apresentação, você poderá não se preparar psicologicamente para falar de improviso e, ao não encontrar a informação de que necessita, ficará sem saber como contornar o problema.

Use um roteiro com as principais etapas da exposição e frases que contenham idéias completas. Assim, diante da platéia, leia a frase e a seguir comente a informação, ampliando, criticando, comparando, discutindo, até que essa parte da mensagem se esgote. Depois, leia a próxima frase e faça outros comentários apropriados à nova informação, estabeleça outras comparações, introduza observações diferentes, até concluir essa etapa do raciocínio.

Aja assim até encerrar a apresentação.

Uma grande vantagem desse recurso é que você se sentirá seguro por ter um roteiro com toda a seqüência da apresentação, ao mesmo tempo e que terá a liberdade para desenvolver o raciocínio diante do público.

Se a sua apresentação for mais simples, poderá recorrer a um cartão de notas, uma cartolina mais ou menos do tamanho da palma da mão, que deverá conter as palavras-chave, números, datas, cifras e todas as outras informações que possam mostrar a seqüência das idéias.

Com esse recurso você bate os olhos nas palavras que estão no cartão e vai se certificando de que a seqüência planejada está sendo seguida.

3. Use uma linguagem correta

Uma escorregadinha na gramática aqui, outra ali, talvez não chegue a prejudicar sua apresentação. Afinal, quem nunca comete erros gramaticais que atire a primeira pedra. Entretanto, alguns erros grosseiros poderão prejudicar a sua imagem e a da instituição que estiver representando.

Tenho relacionado alguns erros comuns cometidos até por aqueles que ocupam posições hierárquicas importantes e sinto que as platéias que os ouvem duvidam da formação e da competência de quem os comete. Os mais graves são: “fazem tantos anos”, “menas”, “a nível de”, “somos em seis”, “meia tola”, entre outros.

Mesmo que você tenha uma boa formação intelectual, sempre valerá a pena fazer uma revisão gramatical, principalmente quanto à conjugação verbal e às concordâncias.

4. Saiba quem são os ouvintes

Se você fizer a mesma apresentação diante de platéias diferentes, talvez até possa ter sucesso, mas por acaso, porque a previsão é de que não atinja os objetivos pretendidos.

Cada público possui características e expectativas próprias, que precisam ser consideradas em uma apresentação.

Procure saber qual é o nível intelectual das pessoas, até que ponto conhecem o assunto e a faixa etária predominante dos ouvintes. Assim poderá se preparar de maneira mais conveniente e com maiores chances de se apresentar bem.

5. Tenha começo, meio e fim

Guarde essa regrinha simples e muito útil para organizar uma apresentação: anuncie o que vai falar, fale e conte sobre o que falou.

Depois de cumprimentar os ouvintes e conquistá-los com elogios sinceros, ou mostrando os benefícios da mensagem, conte qual o tema que irá abordar.

Ao anunciar qual o assunto que irá desenvolver, a platéia acompanhará seu raciocínio com mais facilidade, porque saberá aonde deseja chegar.

Em seguida, transmita a mensagem, sempre facilitando o entendimento dos ouvintes. Se, por exemplo, deseja apresentar a solução para um problema, diga antes qual é o problema. Se pretende falar de uma informação atual, esclareça inicialmente como tudo ocorreu até que surgisse a nova informação.

Use toda a argumentação disponível: pesquisas, estatísticas, exemplos, comparações, estudos técnicos e científicos, etc.

Se, eventualmente, perceber que os ouvintes apresentam algum tipo de resistência, defenda os argumentos refutando essas objeções.

Finalmente, depois de expor os argumentos e defendê-los das resistência dos ouvintes, diga qual foi o assunto abordado, para que a platéia possa guardar melhor a mensagem principal.

6. Tenha uma postura correta

Evite os excessos, inclusive das regras que orientam sobre postura.

Alguns, com o intuito de corrigir erros, partem para os extremos e condenam até atitudes que, em determinadas circunstâncias, são naturais e corretas.

Assim, cuidado com o “não faça”, “não pode”, “está errado” e outras afirmações semelhantes. Prefira seguir sugestões que dizem “evite”, ” é desaconselhável”, “não é recomendável” e outras que se pareçam com essas.

Portanto, evite apoiar-se apenas sobre uma das pernas e procure não deixá-las muito abertas ou fechadas. É importante que se movimente diante dos ouvintes para que realimentem a atenção, mas esteja certo de que o movimento tem algum objetivo, como, por exemplo, destacar uma informação, reconquistar parcela do auditório que está desatenta, etc. Caso contrário, é preferível que fique parado.

Cuidado com a falta de gestos, mas seja mais cauteloso ainda com o excesso de gesticulação.

Procure falar olhando para todas as pessoas da platéia, girando o tronco e a cabeça com calma, ora para a esquerda, ora para a direita, para valorizar e prestigiar a presença dos ouvintes, saber como se comportam diante da exposição e dar maleabilidade ao corpo, proporcionando, assim, uma postura mais natural.

O semblante é um dos aspectos mais importantes da expressão corporal, por isso dê atenção especial a ele. Verifique se ele está expressivo e coerente com o sentimento transmitido pelas palavras. Por exemplo, não demonstre tristeza quando falar em alegria.

Evite falar com as mãos nos bolsos, com os braços cruzados ou nas costas. Também não é recomendável ficar esfregando as mãos, principalmente no início, para não passar a idéia de que está inseguro ou hesitante.

7. Seja bem-humorado

Nenhum estudo comprovou que o bom humor consegue convencer ou persuadir os ouvintes. Se isso ocorresse, os humoristas seriam sempre irresistíveis. Entretanto, é óbvio que um orador bem-humorado consegue manter a atenção dos ouvintes com mais facilidade.

Se o assunto permitir e o ambiente for favorável, use sua presença de espírito para tornar a apresentação mais leve, descontraída e interessante.

Cuidado, entretanto, para não exagerar, pois o orador que fica o tempo todo fazendo gracinhas pode perder a credibilidade.

8. Prepare-se para falar

Assim como você não iria para a guerra municiado apenas com balas suficientes para acertar o número exato de inimigos entrincheirados, também para falar não deverá se abastecer com conteúdo que atenda apenas ao tempo determinado para a apresentação. Saiba o máximo que puder sobre a matéria que irá expor, isto é, se tiver de falar 15 minutos, saiba o suficiente para discorrer pelo menos 30 minutos.

Não se contente apenas em se preparar sobre o conteúdo, treine também a forma de exposição. Faça exercícios falando sozinho na frente do espelho, ou se tiver condições, diante de uma câmera de vídeo. Atenção para essa dica – embora esse treinamento sugerido dê fluência e ritmo à apresentação, de maneira geral, não dá naturalidade. Para que a fala atinja bom nível de espontaneidade fale com pessoas. Reúna um grupo de amigos, familiares colegas de trabalho ou de classe, e converse bastante sobre o assunto que irá expor.

Acredite, se conseguir falar de maneira semelhante na frente da platéia, será um sucesso.

9. Use recursos audiovisuais

Esse estudo é impressionante – se apresentar a mensagem apenas verbalmente, depois de três dias os ouvintes irão se lembrar de 10% do que falou. Se, entretanto, expuser o assunto verbalmente, mas com auxílio de um recurso visual, depois do mesmo período, as pessoas se lembrarão de 65% do que foi transmitido. Mais uma vez, tome cuidado com os excessos. Nada de Power Point acompanhado de brecadinhas de carro, barulhinhos de máquina de escrever e outros ruídos que deixaram de ser novidade há muito tempo e por isso podem vulgarizar a apresentação.

Um bom visual deverá atender a três grandes objetivos: destacar as informações importantes, facilitar o acompanhamento do raciocínio e fazer com que os ouvintes se lembrem das informações por tempo mais prolongado. Portanto, não use o visual como “colinha”, só porque é bonito, para impressionar, ou porque todo mundo usa. Observe sempre se o seu uso é mesmo necessário.

Faça visuais com letras de um tamanho que todos possam ler.

Projete apenas a essência da mensagem em poucas palavras.

Apresente números em forma de gráficos.

Use cores contrastantes, mas sem excesso.

Posicione o aparelho de projeção e a tela em local que possibilite a visualização da platéia e facilite sua movimentação.

Evite excesso de aparelhos. Quanto mais aparelhos e mais botões, maiores as chances de aparecerem problemas.

10. Fale com emoção

Fale sempre com energia, entusiasmo, emoção. Se nós não demonstrarmos interesse e envolvimento pelo assunto que estamos abordando, como é que poderemos pretender que os ouvintes se interessem pela mensagem?

A emoção do orador tem influência determinante no processo de conquista dos ouvintes.

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