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22 nov 2019

Porque aprender a falar em público

por Reinaldo Polito

Havia um preconceito enorme sobre o aprendizado da oratória. Essa expressão carregava o ranço do artificialismo. Lembrava velhos políticos e advogados com o dedo em riste, olhos voltados para cima, entoando seus trinados com voz gritada e chorosa. Entretanto, tudo já havia mudado na maneira de falar, mas o preconceito persistia. Por isso, não fundei meu curso com o nome de oratória, substitui por expressão verbal. Imaginei que essa nova denominação ajudaria a dar idéia de “modernidade”. Ajudou, mas não resolveu. Lembro-me de que lá pela década de 1970 os alunos saiam do meu curso com a pasta escondida e a capa do livro com uma sobrecapa para que ninguém soubesse que estavam aprendendo a falar em público. Quando um executivo pedia à empresa que patrocinasse o curso, ouvia uma resposta sarcástica: largue mão dessa besteira, onde já se viu fazer um curso para aprender a falar?! Assim, aqueles que se aventuravam a aprimorar sua comunicação verbal sempre eram obrigados a pagar do próprio bolso.

Até que algumas pessoas lúcidas e corajosas tomaram a iniciativa de revelar que aprender a falar em público era importante para o desenvolvimento da carreira profissional. Peter Schrer, quando era presidente da Kibon, deu uma entrevista à Revista Exame em 1986 sobre seu sucesso na carreira. Contou que ao participar de um workshop promovido pela General Foods nos Estados Unidos, aproveitou a presença dos psicólogos, especializados em comportamento profissional, para fazer uma avaliação das suas necessidades pessoais. O diagnóstico foi que ele deveria procurar profissionais competentes que o ensinassem a falar em público. Segundo ele, ao voltar para o Brasil procurou profissionais que atuavam nessa área e optou pelo nosso curso. Disse que em poucas semanas aprendeu a organizar o raciocínio de maneira lógica, a participar de reuniões com mais eficiência, a falar de improviso e a se comportar diante de platéias com mais confiança. Foi uma revolução. Afinal, um executivo de peso confessava numa entrevista para uma revista com a importância da Exame que tinha aprendido a falar em público numa escola. Não demorou muito e outro aluno nosso, Léo Wallace Cochrane Júnior vice-presidente do Banco Noroeste e um de seus donos deu entrevista semelhante à Folha de São Paulo. Esses dois depoimentos romperam aquele véu preconceituoso que impedia as pessoas, especialmente os executivos das grandes empresas, de procurar orientação especializada para aperfeiçoar a comunicação. De lá para cá o que era causa de vergonha e constrangimento, passou a ser motivo de orgulho e demonstração de preparo refinado no desenvolvimento da carreira. Hoje, ministros, senadores, governadores, presidentes de multinacionais fazem questão de dizer que se prepararam para falar bem em público, e que após um período de treinamento são mais objetivos nas suas exposições e mais claros e organizados na forma de raciocinar. Um exemplo que marcou muito foi a entrevista do Senador Eduardo Matarazzo Suplicy às páginas amarelas da Veja, quando dedicou uma coluna inteira para falar do treinamento que havia feito comigo. E ao justificar sua iniciativa de procurar o curso respondeu com as seguintes palavras:

Há algum tempo, li uma entrevista com o Reinaldo Polito (autor do livro Como Falar Corretamente e sem Inibições) em que ele dizia que, se eu fizesse o curso dele, poderia melhorar muito. Há dois meses, decidi procurá-lo. Foi ótimo. Aprendi, sobretudo, a usar bem o tempo definido. Fiz exercícios de expor uma idéia em trinta minutos, depois a mesma idéia em vinte, e assim sucessivamente, até chegar a três minutos. Veja – Dois meses atrás foi justamente quando o senhor lançou sua pré-candidatura. Uma coisa tem a ver com a outra? Suplicy – Tem a ver com o fato de eu estar querendo me preparar para a missão que considero ser a mais importante da minha vida.

A própria Veja, em agosto de 2001, em nota especial na sessão holofote aproveitou para dar destaque ao fato e revelar o nome de outras personalidades que haviam procurado nosso curso:

HOLOFOTE
Discursos empolgantes

Com muito a melhorar em suas entrevistas e intervenções no Senado, Eduardo Suplicy decidiu procurar ajuda especializada. Desde o início do ano ele tem aulas de expressão verbal com o professor Reinaldo Polito, que já ensinou seus truques para os ex-ministros Alcides Tápias e Antonio Cabrera. O senador, cuja marca eram as longas divagações, agora chama a atenção pela maior objetividade e desenvoltura. Já aprendeu a organizar melhor os argumentos e a se expressar de forma, dizem, empolgante.

Além dos políticos e executivos, que poderíamos enumerar aos milhares, outras atividades exigem o aprimoramento da comunicação. Dançarinas e apresentadoras de televisão como Sheila Melo, Feiticeira, Sabrina, assim como esportistas do gabarito de Gustavo Borges, Fernando Meligeni, Robert Scheidt, Christian Fittipaldi. Com todos esses exemplos, agora ninguém mais contesta a importância de aprender a falar em público. As pessoas, independentemente da sua posição social ou hierárquica, comparecem às aulas sem nenhum constrangimento, comentam com amigos e colegas de trabalho, destacam essa conquista nos seus currículos e, cada vez mais, mandam os filhos para aprender bem cedo e não passar pelo mesmo constrangimento bobo e desnecessário que eles próprios sofreram no passado.

Não há atividade hoje que não exija uma boa comunicação. Vamos começar pela escola, onde o estudante precisa com freqüência cada vez maior fazer apresentações orais dos seus trabalhos na frente dos colegas e dos professores. Depois que se forma e busca o exercício da profissão, é obrigado a enfrentar entrevistas e dinâmicas de grupo para vencer a concorrência pesada. E quando consegue uma colocação profissional, quanto mais sobe na hierarquia, mais precisa participar de reuniões, de processos de negociação, fazer apresentações de projetos, ministrar palestras em convenções e seminários. Enfim, todo mundo precisa falar bem o tempo todo.
Se você for um desses que ainda resistem à idéia de aprender a falar bem, saiba que outros já deram a partida e estão levando boa distância de vantagem. Comece a correr que ainda dá tempo.

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