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04 abr 2018

Como falam os candidatos à presidência

Nas últimas semanas os três principais candidatos à presidência, José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva foram entrevistados no programa Roda Viva da TV Cultura. Cada um com seu estilo, com suas qualidades e defeitos tentaram convencer os telespectadores de que estão preparados para chegar ao Palácio do Planalto.

 

Fiz uma avaliação técnica da comunicação dos candidatos e procurei identificar em cada um quais são suas características mais importantes, seus pontos fortes e onde está o calcanhar de Aquiles. Acompanhe esta análise e compare com sua opinião. Se não ajudar a escolher o melhor candidato, pelo menos servirá como aprendizado para a comunicação.

 

Durante a entrevista todos procuraram usar o humor e a descontração. Esse é um dos melhores recursos para demonstrar naturalidade e um importante ingrediente para conquistar credibilidade. Eu estava curioso para ver como se sairiam, pois os três nunca foram muito chegados a fazer gracinhas.

 

Fiquei surpreso com a desenvoltura do trio. Todos acertaram nesse aspecto, pois as brincadeiras foram na medida certa e no momento oportuno, sem risco de caírem na vulgaridade. Ponto positivo para os três.

 

Os três também abordaram os assuntos relevantes com envolvimento e boa dose de emoção. Demonstrar interesse e envolvimento pelo assunto tratado é essencial para o orador. Afinal, como poderiam conquistar os eleitores se eles mesmos não demonstrassem interesse pelo tema que tratavam?!

 

Nesse quesito também houve acerto. Ninguém ultrapassou a linha amarela e colocaram tempero na dose apropriada para a importância do tema abordado. Falar de maneira emocionada sobre assuntos triviais pode ser visto como teatro e comprometer a credibilidade. Mais um ponto positivo para os três.

 

Por melhor que tenha sido a participação dos três candidatos nem tudo são flores. Com relação aos aspectos negativos todos foram contemplados. Alguns podem ser considerados mais ou menos graves que outros e até influenciar na decisão de eleitor. Caberá a cada candidato se aplicar para corrigir os problemas e aperfeiçoar ainda mais sua comunicação.

 

Dilma tem um problema que só a experiência poderá sanar. Quando trata de assuntos que fogem um pouco do seu conhecimento fala de maneira hesitante, procurando com dificuldade as palavras para compor o pensamento. Até consegue falar sobre o tema, mas deixa claro que aquela matéria não é bem a sua praia.

 

Essa é uma questão delicada e que precisa ser encarada com determinação pela candidata. Nos debates com os adversários e com o público não será possível escolher as perguntas e os temas. Saber como se sair das situações mais delicadas é importante para não demonstrar insegurança ou fragilidade.

 

O problema da Marina está no fato de desviar com frequencia os olhos dos interlocutores para se concentrar na mensagem e no vocabulário excessivamente politizado, com poucas alternâncias no volume da voz e na velocidade da fala. Em determinados momentos a falta de ritmo chega a tornar a fala cansativa. Sem contar que é quase um discurso de uma nota só, pois gira sempre em torno de temas ambientalistas.

 

A candidata tem consciência dessa sua característica e tenta enveredar por outros temas que fogem do meio ambiente, mas seu envolvimento com a matéria é tão intenso que não resiste à tentação e sempre volta às questões ambientais. Quem deseja ser presidente da república, porém, precisa transitar com facilidade sobre a diversidade dos assuntos.

 

Serra tem fama de ser carrancudo. Em determinados momentos, quando é contrariado, fala de forma ríspida, mas faz grande esforço para frear esse ímpeto até com tiradas bem-humoradas. Entretanto, deixa evidente que está se esforçando para não ser agressivo.

 

O candidato também demonstra ter consciência desse seu pronto frágil e procura se mostrar mais suave no momento de contestar as questões mais contundentes e brincar com a circunstância e com o entrevistador, mas sua atitude ainda não é natural. Vai precisar se exercitar bastante para se mostrar simpático sem fazer esforço.

 

Superdicas da semana:

– Descubra seus pontos fracos na comunicação e trabalhe para eliminá-los.

– Fale sempre com energia e envolvimento.

– Use o humor na medida certa, sem excesso nem falta.

– Se for atacado num debate procure manter a serenidade para não perder o controle.

 

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Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: “Assim é que fala” “Como falar corretamente e sem inibições” e “O que a vida me ensinou”, publicados pela Editora Saraiva.

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