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19 dez 2018

Lula mudou e venceu

por Reinaldo Polito

O Lulinha Paz e Amor mudou, e não é de hoje. Você percebeu que o Lula não usa mais termos como “menas”, “insenta”, “meia complicada”, nem usa outras pérolas que agridem nosso vernáculo? Percebeu também que ele passou a se vestir bem, a conjugar verbos de maneira correta e a fazer concordâncias de forma apropriada?

Há cerca de 10 anos li uma entrevista com o já falecido Napoleão Mendes de Almeida, autor de uma tradicional gramática da língua portuguesa, em que ele revelava que o Lula havia feito inscrição em um de seus cursos. Não me lembro se ele apenas fez a inscrição ou se chegou a freqüentar as aulas. O importante é o fato de que há mais de 10 anos Lula já estava preocupado em se aprimorar, pois tinha consciência de que se desejasse atingir patamares mais elevados em sua trajetória política deveria se mostrar à altura dessas pretensões.

Para ser um líder sindical bastava ser determinado, honesto, bem intencionado e conhecer as causas operárias. Essas qualidades também foram suficientes para que se elegesse deputado federal constituinte. Mas, para chegar à presidência da república – ulalá, quero dizer, Lulalá, – outros fatores passaram a ser considerados. Para um cargo dessa envergadura o candidato precisaria além de estar preparado, também parecer estar preparado. O conceito de comunicação não se restringe apenas às palavras, mas envolve principalmente a interação com as outras pessoas e o contexto em que ela ocorre. Por isso, esse preparo do Lula não deveria se restringir ao significado das palavras em si, mas ser também demonstrado por um subtexto que convencesse o eleitorado. E o que significa esse subtexto?

Freud afirma que o nosso inconsciente pode receber a mensagem do inconsciente do outro, sem que ela passe necessariamente pelo nosso consciente. E é verdade, pois no dia-a-dia ouvimos pessoas transmitindo mensagens de maneira correta, com toda técnica, mas que não nos convence. E temos essa desconfiança porque sem que percebamos conscientemente algum detalhe está em desarmonia no conjunto da sua comunicação. São esses detalhes que constituem o subtexto: a maneira como nos vestimos, nos comportamos à mesa, cumprimentamos as pessoas, construímos as frases, pronunciamos as palavras, sentamos, andamos. Essas atitudes e comportamentos contam muito da nossa história, formação e educação.

Assim, para que Lula demonstrasse aos eleitores que estava preparado para ser o presidente da república precisaria apresentar um subtexto que o credenciasse ao cargo.

Mas o que tudo isso tem a ver com você?

Tem tudo a ver. Dependendo da função que você ocupa, ou que deseja ocupar, precisa verificar se a sua comunicação, não só como conteúdo, mas também como expressão, está de acordo com essa atividade. Se você fosse um jogador de futebol ou um boxeador poderia pensar que sua carreira não seria prejudicada se não soubesse falar muito bem, ou se vestir de maneira elegante. E não seria mesmo se ficasse restrita apenas à sua atividade.
Entretanto, tenho recebido esportistas das mais diferentes áreas que descobrem com o tempo que os patrocinadores desejam apoiar atletas que tenham boa comunicação e projetem uma imagem positiva do seu produto. Assim, se você for um executivo, profissional liberal, ou estiver se preparando para essas funções, essa preocupação mais ampla com a comunicação, com esse subtexto, deverá ser ainda maior. Parece tudo tão óbvio, e é mesmo, mas Lula perdeu três eleições antes de adotar definitivamente uma postura apropriada a um presidente. Mesmo tendo se preparado ao longo de todos esses anos teimava em continuar com o mesmo comportamento da época em que era líder sindical, e por isso encontrava sempre muita resistência de boa parte da população. Somente depois que se propôs a mudar e a se comportar de maneira diferente é que conseguiu conquistar a maioria dos brasileiros e se eleger. Ele se rendeu ao fato de que comunicação é interação e é também a avaliação que os outros fazem de você.

Seria impossível relacionar aqui todos os detalhes que deveriam compor o subtexto adequado para funções de nível mais elevado, mas algumas atitudes prioritárias podem ser planejadas imediatamente:

Cuide da sua linguagem. Conjugue bem os verbos, acerte nas concordâncias e pronuncie corretamente as palavras.

Valorize seu estilo pessoal e tenha em conta o ambiente em que você atua. Vista-se e corte os cabelos de maneira adequada, considerando sua forma de ser e a expectativa que as pessoas têm de um profissional da sua área.

Use o volume e o tom de voz de acordo com a circunstância.

Escolha o vocabulário apropriado.

Tenha uma boa expressão corporal. Se você enfrentar uma multidão exagere nos gestos e na comunicação fisionômica. Ao contrário, se falar para um pequeno grupo, formado de pessoas bem preparadas intelectualmente, gesticule com moderação.

Complete as frases e não trunque as idéias.

Conheça tudo o que estiver relacionado com seu trabalho.

Prepare-se e se concentre sempre para não ser agressivo, nem se perder emocionalmente.

Amplie seu conhecimento para outras áreas, mesmo que não perceba aplicação imediata na sua atividade.

Comporte-se o tempo todo de maneira íntegra para que tudo o que disser encontre apoio e respaldo nas suas atitudes.

Haja com naturalidade. Qualquer artificialismo poderá comprometer sua credibilidade.

Busque o tempo todo o aperfeiçoamento – lembre-se de que foi a partir de uma lista de procedimentos semelhantes a esses que Lula chegou à presidência. E você, aonde deseja chegar? E o que está fazendo para atingir seus objetivos?

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