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22 jul 2019

O sonho de publicar um livro no exterior

Por Reinaldo Polito*

Gosto da Espanha. Do Museu do Prado em Madri, feito no tamanho certo, com as belíssimas obras de Velásquez, Goya, El Greco. Passo um tempão “mirando Las Meninas”, de Velásquez, lógico. De Barcelona, com as curiosas obras de Gaudi, e Las Ramblas. De Sevilha, com seus contagiantes shows de sapateado e a universidade localizada na antiga fábrica de tabacos que inspirou Prosper Merrimée a escrever a imortal Carmem. De Córdoba, com seu templo similar a uma floresta de colunas e casas com paredes enfeitadas com vasos de flores. Gosto especialmente da época das “rebajas” em que é possível comprar no El Corte Inglés produtos de excelente qualidade pela metade do preço. Gosto de visitar as livrarias da Espanha, começando pelo próprio El Corte Inglés, passando pela majestosa Fnac, até àquelas especializadas em obras específicas. Foi daí que veio um sonho, que por parecer impossível sempre me deu uma pontinha de frustração. Ao passar pelas bem montadas prateleiras das livrarias, imaginava como seria gratificante ver um de meus livros expostos junto àquelas obras tão bem feitas. Não que eu não tivesse tentado. Mandei cartas, e-mails, fiz telefonemas para as mais importantes editoras, mas nem resposta recebi. Era mesmo impossível. Mas, como dizer que essa era uma conquista impossível se eu continuava sempre tentando. Ora, se eu estava insistindo era porque alguma esperança existia, por mais remota que pudesse parecer.

Um belo dia recebi a visita do Tomás Pereira, diretor da Editora Sextante, uma das mais importantes do Brasil. Durante o almoço, falei de meu interesse em publicar um de meus livros no exterior. Ele disse que falaria com a Kátia Schumer, agente literária com quem tinha muito bom relacionamento. No dia seguinte, recebi uma mensagem eletrônica com telefone e e-mail da agente literária. Ela havia entrado no meu site e ficara impressionada com os números dos meus livros. Queria falar comigo com urgência. Ela estava de malas prontas para viajar até Frankfurt, onde participaria da maior feira de livros do mundo. Assim, eu precisaria mandar em três dias, sem falta, a versão em inglês da quarta capa, introdução, orelhas e de dois capítulos de quatro de meus livros, principalmente do “Como falar corretamente e sem inibições”, pelo fato de já estar na 106ª edição. “Ufa! Vai ser um sufoco”, pensei. Pus a mão na massa e no domingo de madrugada enviei tudo por e-mail. “Ficou excelente, Polito”, ela respondeu.

Uma semana depois recebi nova mensagem da Kátia Schumer com o título de “boas notícias”. A mensagem dizia que uma das melhores editoras espanholas estava interessada em publicar o “Como falar corretamente e sem inibições”. Pagariam direitos autorais antecipados e distribuiriam para Espanha, México, América do Sul e parte dos Estados Unidos. Gritei, esperneei, plantei bananeiras, acordei a família toda, liguei para os amigos. Estava feliz. Iria realizar um sonho que parecia impossível. Só que o livro não poderia ser publicado como estava, com aqueles exemplos regionais sem nenhum interesse para os europeus. Pedi 30 dias para fazer uma revisão. Não fiz uma revisão. Aproveitei e fiz um novo livro. Um livro que sempre tive vontade de publicar. Quando os temas coincidiram, substitui os capítulos mais pesados pelos textos mais arejados. Funcionou, os espanhóis ficaram entusiasmados com as mudanças. Disseram que havia ficado muito melhor do que a encomenda e que apostam no sucesso. Está pronto, deve ser lançado entre junho e agosto deste ano. Já recebi os direitos autorais antecipados da primeira edição. Foi muito bom reescrever o livro com uma cara mais universal. Já estou assinando contrato também com a Índia e Portugal, além de ter adiantado bem as negociações com a China, Japão e Coréia.

Ao ver o primeiro livro saindo completamente de controle, ensinado gente do mundo inteiro a falar melhor, fico pensando como é bom não desistir nunca do sonho. No segundo semestre já estou programando uma nova viagem para a Espanha. Quero visitar livraria por livraria e ver como estão expondo meu livro. Sei que vou chorar de alegria, pois esta será uma das conquistas mais importantes que um dia idealizei. Depois vou para a Ásia presenciar a realização de um sonho que nunca sonhei.

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