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22 set 2019

Seu gesto fala

por Reinaldo Polito

Como entender melhor o significado dos gestos no mundo globalizado.

Pense na seguinte situação – Você cancelaria um contrato que acabara de fechar só porque o representante da empresa norte americana, com a qual estava negociando, depois de terminar a leitura olhou para você sorridente e fez o sinal de OK deles, encostando a ponta do polegar na ponta do dedo indicador, formando um círculo? Acho que não.
Ou será que você se sentiria ofendido por julgar que se trata de um gesto obsceno?
Ou será ainda que julgasse que dois líderes soviéticos eram homossexuais porque trocaram beijos ao se encontrar?

Pois é assim que a maioria das publicações tem considerado os diferentes significados dos gestos nas diversas regiões do mundo.
Contam histórias de negócios desfeitos e de crises comerciais entre as partes porque alguém, de um outro país, fez um gesto que para ele tinha um sentido, mas que para o outro foi encarado como grande ofensa.
Pode ser até que um caso ou outro, bem isolado, tenha ocorrido, mas tenho cá comigo que de forma geral essas historinhas são inventadas, só para valorizar a importância do conhecimento das diversas interpretações dos gestos em regiões ou países distintos.

Alegam alguns estudiosos que, com o avanço de globalização, os contatos com as pessoas de outros paises estão se intensificando e cada vez mais o risco de ser mal interpretado por causa de um gesto está presente.
É verdade, mas também talvez ocorra o contrário, pois com o aumento das relações entre os paises e o aperfeiçoamento dos meios de comunicação, mais as pessoas tomam consciência de que os gestos, de acordo com a cultura de um povo, possuem significado próprio.

É importante lembrar também que o gesto raramente deve ser observado de forma isolada, deve sim ser considerado dentro de um contexto mais abrangente.
Para que possamos compreender bem o sentido do gesto devemos compará-lo ao valor da palavra em uma língua. Assim como a palavra vista de maneira separada pode não se realizar em sua significação, também o gesto separado do contexto poderá não ter significado.

Tanto a palavra como o gesto precisam ser estruturados em contextos que construam idéias completas.
Para que uma atitude possa ser compreendida e interpretada há necessidade, portanto, de que ocorra a inter-relação de gestos em harmonia com outros.

Dentro de uma mesma cultura determinado gesto poderá produzir reações de hostilidade que acabam, às vezes, se intensificando numa cadeia progressiva de resistência, cuja conseqüência final nem sempre pode ser prevista e muito menos ainda compreendida.

O próprio Freud disse que “o inconsciente de um ser humano pode reagir ao inconsciente de outro sem passar pelo consciente”.

Mas é de se supor que o risco talvez esteja mais presente nos contatos de pessoas de uma mesma cultura do que entre habitantes de paises diferentes, porque entre as pessoas que convivem dentro de uma mesma sociedade o gesto é interpretado, até inconscientemente, com a acepção que conhecem e estão acostumados a observar.

Josué Montello, na sua interessante obra “Anedotário Geral da Academia Brasileira” *, conta que José Maria Paranhos, futuro Visconde de Rio Branco, possuía na tribuna um gesto característico, que se transformou numa espécie de cacoete: erguia o braço, dedo indicador em riste, nos momentos em que parecia mais arrebatado. E diz que o próprio orador deu esta explicação para ao seu gesto: “Quando a idéia não vale por si para ir bastante alto, trato de suspende-la na ponta do dedo”.

Assim, dando à diferença do significado dos gesto a importância que efetivamente existe, vale a pena observarmos alguns casos bastante curiosos e que chamam mais a atenção.
Antes de iniciarmos é bom lembrar que uma atitude pode, às vezes, não ter nenhum outro sentido, além do próprio fato em si.

É conhecido o caso em que Freud estava fumando um charuto e ao perceber que alguns dos seus discípulos confabulavam para tentar entender o que aquele fato significava, chamou-os e disse: tem momentos em que um charuto é apenas um charuto.

Alguns gestos que possuem diferença acentuada de um país para outro

Apertar a ponta da orelha

No Brasil
É um sinal de aprovação

Na Índia
É uma forma de se desculpar, ou de mostrar arrependimento por uma falha ou erro cometido.

Na Itália
Indica que a pessoa que está sendo apontada é homossexual

Apontar com o polegar para cima, com os quatro outros dedos fechados na palma

No Japão
Significa o número 5

Na Alemanha
Significa o número 1

No Brasil
Significa que está tudo certo e serve também para pedir carona

Na Europa e EUA
É o pedido de carona

Na Turquia
Significa uma cantada para sair com homossexual

Na Nigéria e Austrália
É um gesto obsceno.
O mesmo significado que tem no Brasil o gesto de encostar a ponta do polegar na ponta do indicador, formando um círculo. Por sinal, o significado que esse gesto tem no Brasil é o mesmo na Turquia e na Rússia.

Falando um pouco mais desde gesto, que é tão obsceno no Brasil, vamos ver que significado possui em outros países.

Nos EUA
Significa que está tudo certo, positivo.

No Japão
Significa valor financeiro – moeda, dinheiro.

Na França
Significa que é algo sem valor, zero.

Na Turquia
Significa que alguém é homossexual.

Mão em forma de figa

No Brasil
Significa fato auspicioso, de boa sorte.

Na Croácia
Bem diferente do que ocorre no Brasil, o significado é de algo sem valor ou de um não.

Na Turquia e Grécia
Tem significado obsceno.
É o mesmo significado que tem no Brasil o gesto de bater no círculo formado com o indicador e o polegar, quase fechados, com a palma da outra mão.

Na Tunísia e Holanda
Significa o pênis.

Raspar o queixo com a ponta dos dedos (como se estivesse jogando algo grudado embaixo do queixo para fora)

No Brasil
Significa sei lá, não tenho essa informação.

Na Itália (região Sudeste)
Significa sem chance.

Na França
Significa sai daqui

Mover a cabeça no sentido lateral, de uma lado para o outro

Talvez seja a diferença mais gritante que poderíamos encontrar no significado de um gesto entre os diversos países.

Em quase todos os países do ocidente
Significa não.

Na Bulgária, Grécia, Irã e Turquia
Significa, por incrível que possa parecer, sim.

Movimentar o dedo indicador esticado em círculos na região da têmpora

No Brasil e EUA
Significa que alguém não está batendo bem da cabeça, que pirou, está doido.

Na Argentina
Significa que uma pessoa está querendo falar com a outra

Na Alemanha
Significa que alguém fez barbeiragem no trânsito.

O chifre feito com o dedo mínimo e indicador, enquanto o médio e o anular ficam fechados

No Brasil e na Itália
Significa que o marido está sendo traído, corneado pela mulher.

Na Venezuela
Significa conquista, sorte, futuro promissor.

Nos EUA – região do Texas
Significa que o torcedor está solidário e dando apoio ao seu time.

O gesto precisa ser observado e entendido sempre dentro de um contexto maior, que inclui o significado específico do gesto em si, as palavras, o conteúdo da mensagem, as circunstâncias e os outros gestos que participaram do processo de comunicação.

O fato de estarmos nos comunicando com pessoas de cultura diferente da nossa não deve nos inibir ou provocar constrangimento.
Primeiro porque se um ou outro gesto transmitir uma mensagem distinta daquela que estávamos pretendendo, provavelmente o interlocutor irá compreender, assim como nós compreendemos o OK do americano ou os beijos dos soviéticos, pois é quase certo que tenha consciência das diferenças culturais; depois, dificilmente essa situação ocorrerá, porque, como vimos, a comunicação se dará, normalmente, não por um gesto isolado, mas sim por um conjunto de informações que precisa ser considerado.
Mesmo assim, convém não negligenciar para não correr o risco de comprometer a qualidade ou o sentido da comunicação por causa de um gesto impensado.

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