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04 abr 2018

Somos um país de proletários intelectuais

Fiquei estarrecido. Há pouco tempo foram abertas inscrições para um concurso público que deveria selecionar 1400 garis no Rio de Janeiro. Pasme. Segundo a Companhia Municipal de Limpeza Urbana, 45 candidatos tinham doutorado, 22 mestrado, 1026 nível superior completo e 3180 superior incompleto.

Não há duvida, portanto, de que somos um país de “proletários intelectuais”. Coisa dos novos tempos. Há muita gente com canudo debaixo do braço e vivendo o desespero de não ter onde aplicar seus conhecimentos. Dê uma volta na primeira quadra movimentada de sua cidade e veja a quantidade de médicos, engenheiros e advogados.

Quando lancei o livro “Oratória para advogados e estudantes de direito” pesquisei alguns dados que me intrigaram: além dos cerca de três milhões de estudantes de direito, segundo levantamento da OAB nacional há no Brasil 571.360 graduados. Ainda que os números sejam pouco maiores ou menores, merecem reflexão e análise.

Independentemente de qualquer observação complementar os números absolutos são quase assustadores, mesmo levando em conta que nem todos exerçam a profissão. Basta dizer que o nosso país fica atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. O primeiro se explica pela força da sua riqueza. Este por causa do elevado número de habitantes.

Devido a esses dados vou me ater no momento à profissão dos advogados. Para refletirmos se há um número exagerado de advogados, e não ficarmos apenas com as minhas informações, vamos analisar um trecho deste discurso do paraninfo de um curso de direito:

“Mas, haverá realmente advogados em demasia?
Estamos aqui diante da maior turma de bacharéis formados pela Faculdade de Direito de São Paulo. Constituirá isto um indício de que há advogados em demasia? Ou um sinal de que em nosso meio social ainda há lugares para os profissionais das letras jurídicas?

Os sábios professores João Arruda e Azevedo Marques puseram em foco a questão do proletariado intelectual em nosso país, encarando-a, porém, sob prismas diversos e apresentando soluções também dissidentes.

Não resta dúvida de que há no Brasil um grande proletariado intelectual. Há falta de braços nas indústrias e na lavoura; mas há muitos letrados sem emprego, sendo grande a proporção dos necessitados”.

Sem dúvida, as palavras do paraninfo são uma constatação do que temos notado todos os dias na profissão do advogado. O orador mostrou de forma clara as dificuldades que o advogado vai encontrar para desenvolver suas atividades no momento em que deixa os bancos da academia.

O fato curioso desse discurso, entretanto, é que ele foi proferido pelo Professor Noé Azevedo, como paraninfo da turma de bacharelandos de 1938 da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Portanto, dizer que temos advogados demais não é nenhuma novidade, mas sim uma história que se conta há mais de 70 anos. Assim como em todas as profissões, seja dos médicos, seja dos engenheiros, seja dos economistas, seja dos administradores, também no direito vamos encontrar advogados e advogados.

Em todas as atividades os profissionais competentes, que se dedicam aos estudos, ao aprimoramento, à atualização, à prática encontrarão campo de trabalho. Todos os bons advogados, médicos, engenheiros que conheço estão sempre com agenda tomada, precisando de tempo extra para dar conta dos seus processos, cirurgias, consultas e projetos. Portanto, este é o caminho a ser seguido: não importa a profissão que tenha abraçado, seja muito bom naquilo que faz.

Superdicas da semana:

– Estude todos os dias temas da sua atividade.

– Faça cursos de aperfeiçoamento e de especialização.

– Nunca se sinta pronto e preparado para sua profissão. Saiba cada vez mais.

– Seja o melhor que puder ser e não precisará se importar com crises.

– Fuja dos “resmungões”. Na sua atividade sempre haverá gente bem sucedida.

 

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Livro de minha autoria que ajuda a refletir sobre esse tema: “O que a vida me ensinou”, publicado pelas Editoras Versar e Saraiva.

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