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25 ago 2019

A angústia diante do papel em branco

Reinaldo Polito

Já disseram que um dos momentos de maior sofrimento do escritor é seu encontro com a folha em branco. Realmente é duro olhar para o papel limpo, virgem, intocado e tentar descobrir quais serão as primeiras palavras de um novo texto. Nesse momento de verdadeira impotência as idéias estão vazias, tão brancas quanto o próprio papel.

A folha, entretanto, não tem pressa. Ela fica inerte aguardando tranqüila o momento de ser tocada. Para o papel parece que tanto faz receber a tinta em segundos, minutos, horas ou até em alguns dias. Dá a impressão que se continuar em branco ficará resignado com o destino que lhe foi atribuído.

Para o escritor dos dias atuais, entretanto, o papel se tornou apenas uma lembrança, pois saiu de cena para dar lugar a um novo personagem, o computador. A tela trouxe com ela um novo ingrediente que torna a vida de quem escreve ainda mais angustiante – o cursor.

Ao contrário da aparência plácida do papel, a presença do cursor é ansiosa e enervante. Ele fica ali o tempo todo impaciente, piscando, cobrando iniciativa, exigindo ação. Você não diz, mas pensa, calma, já vou, só estou tentando encontrar uma boa idéia para iniciarmos uma nova jornada. E ele incansável, intermitente, indo e vindo, indo e vindo, não como um cúmplice ou um companheiro solidário, mas sim como um frio e insensível cobrador de atitudes. Ele não vai sair do lugar se não for acionado, mas enquanto os pensamentos do escritor não brotam, o cursor age como o tamborilar dos dedos ou o bater dos pés que sinalizam o tempo quase esgotado.

Na verdade, o piscar do cursor revela apenas de maneira mais acintosa a dificuldade experimentada para corporificar com palavras os pensamentos que nem mesmo o próprio escritor identificou.

Se o computador for desligado, nenhuma alteração ocorrerá. Mesmo sem o cursor à vista, a busca das idéias seguirá seu trajeto normal. Até que lá longe um pensamento vago começa a mostrar uma pequena brecha por onde a criatividade se expressará. Nesse momento, uma espécie de luz ilumina o que há pouco era só treva e uma nova fonte de inspiração mostra os caminhos que podem ser percorridos.

Pronto. Agora não importa mais o meio que servirá de transporte para a mensagem. Pode ser o velho e assustador papel em branco ou a tela acompanhada do impaciente cursor. Tanto um quanto o outro era apenas a desculpa para esperar o momento difícil e saboroso da criação.

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