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20 jun 2019

Aproveite as circunstâncias para
 falar muito melhor

por Reinaldo Polito

Acho que já ouvi pelo menos uma centena de vezes o seguinte comentário: “Quando me dirijo à tribuna só Deus sabe o que vou falar e quando chego lá e encaro a platéia nem Ele sabe mais”.
Mas, esse número parece pequeno se comparado com as incontáveis vezes em que ouvi pessoas dizendo: “O cérebro é um órgão maravilhoso que começa a funcionar quando nascemos e só pára quando precisamos usar a palavra diante de uma platéia”.
Há também uma outra com participação mais discreta, mas que vira e mexe põe a cabecinha de fora e marca sua presença. Logo após mencionarem que o maior medo do homem é o de falar em público, maior até do que o medo da morte, lá vem a pérola: “Deduz-se, então, que é mais fácil ficar dentro do caixão do que fazer um discurso fúnebre”.
Nos três casos, tirando o exagero do uso e da brincadeira, a mensagem que fica é a dificuldade que, de maneira geral, as pessoas têm de raciocinar e manter o controle do pensamento quando estão diante de uma platéia.

Por esse motivo, quando perguntei a um aluno do nosso curso de expressão verbal, que estava muito tenso e preocupado porque precisaria ir à tribuna fazer seu exercício prático, o que poderia ocorrer de pior com ele quando estivesse falando diante do grupo, a resposta foi que desse um branco e se esquecesse de tudo. E a resposta normalmente é essa porque a descarga de adrenalina é tão forte nos momentos que antecedem a apresentação que temos a impressão de que lá na frente o nervosismo será incontrolável e as idéias desaparecerão. Depois de garantir que essa possibilidade era muito remota e que, se de qualquer forma ocorresse a desgraça, eu faria algumas perguntas simples para que ele pudesse dar seqüência à exposição, o aluno ficou mais calmo e se tranqüilizou.
Como, entretanto, o objetivo do curso é preparar os alunos para que aprendam a se comunicar bem em todas as circunstâncias, não deixei passar a oportunidade, aproveitei o momento e perguntei ao grupo o que poderia ocorrer de pior com eles em uma apresentação real, fora da escola. Pelo fato de eles terem condições de se preparar de maneira conveniente para essa eventualidade, inclusive com o apoio de um roteiro escrito, a história mudou um pouco de figura e a resposta, como também normalmente acontece, foi diferente – disseram que o pior que poderia ocorrer seria preparar uma apresentação, planejando com bastante critério as diversas etapas da palestra e um outro palestrante, ou vários deles, que se apresentassem antes usassem as mesmas informações, isto é, roubassem suas idéias.

Pensando bem, essa parece ser mesmo uma terrível tragédia (se é que existem boas!): você com o coração na mão, aguardando a hora de falar, naquele momento mais angustiante para o palestrante, pois, enfatizo, quase sempre, o instante de maior nervosismo é o que antecede o início da apresentação, e, um após o outro, os palestrantes que o precedem passam a tirar nacos do conteúdo da sua mensagem que estava prontinha para ser usada. Será que daria tempo de mudar tudo e montar outra apresentação diferente? Como rebolar nessa saia justíssima e sobreviver com dignidade?
O objetivo deste texto é mostrar como você poderá contornar situações delicadas como essa e ampliar as chances de conquistar sucesso com sua comunicação.

O uso das circunstâncias

Antes de falar sobre o aproveitamento das circunstâncias, que é a técnica mais apropriada para contornar a situação que acabei de descrever, quero relatar um fato interessante que ocorreu há poucos dias. Recebi um e-mail entusiasmado do meu amigo Max Gehringer comentando um artigo que escrevi sobre o “piloto automático” na comunicação. Embora o Max fizesse alguns comentários elogiosos ao meu artigo, seu entusiasmo, entretanto, era sobre uma referência que eu fizera no texto a José Vasconcelos, um dos maiores comediantes da nossa história, e de quem ele se dizia fã desde garotinho. Não só era fã, como também possuía algumas gravações antigas do humorista, tanto que sugeriu que eu usasse uma das histórias do artista em um dos meus próximos artigos, pois, segundo ele, tinha tudo a ver com o ensino da comunicação. A história está na gravação do show “Eu Sou o Espetáculo”, de 1960, e é contada assim por José Vasconcelos:

“No meio do espetáculo apagam-se as luzes. O teatro fica na mais completa escuridão. A platéia permaneceu em seus lugares, imaginando que se tratava de um curto-circuito. E eu senti que aquela pausa forçada estava jogando o espetáculo no chão. A coisa mais importante num espetáculo é manter o ritmo sempre vivo para que o público esteja preso ao mesmo. E hiatos como aquele derrubam uma apresentação”. Aqui o meu amigo Max faz um comentário pessoal: hoje a falta de luz poderia ser isso mesmo, ou o notebook que pifa, ou a lâmpada do retroprojetor que queima. Desgraças durante uma apresentação nunca desaparecem, apenas ficam mais tecnológicas…
E então, na escuridão, o Zé (Vasconcelos) acende a vela e conta a história do velhinho e da velhinha (criada propositalmente, segundo observação empolgada do Max, para ser tão longa quanto a situação exigisse. Poderia durar 30 segundos ou dez minutos). O velhinho e a velhinha vão a um hotel, as luzes se apagam e eles recebem uma vela para ir ao quarto. Na hora de dormir, nenhum dos dois tem sopro suficientemente forte para apagar a vela. E aí começam a chamar gente para ajudá-los. Mas, sem sucesso, porque cada um dos que chegam sopram de um jeito diferente – para cima, para baixo, para o lado, com a bochecha murcha, com a cabeça torta, e a vela continua acesa. Até que chega o gerente, que toma um imenso e looongo fôlego, e aí apaga a vela com os dedos.
O que José Vasconcelos fez ao contar a história dos velhinhos tentando apagar a vela, enquanto esperava a energia elétrica do teatro voltar, foi um bom exemplo de como usar a circunstância na comunicação. E o que eu acabo de fazer, contando a história da minha conversa com o Max sobre o José Vasconcelos, foi também uma tentativa de usar uma circunstância para exemplificar e poder falar sobre…o uso das circunstâncias.

Vantagens do uso das circunstâncias

São muitas as vantagens do uso das circunstâncias. Além de nos ajudar a sair de sinucas como as do roubo das idéias, de jogar luz quando a coisa escurece, literalmente, como em situações difíceis como essa descrita por José Vasconcelos, possibilita também estabelecer rápida identidade com os ouvintes e reforça nossa autoridade sobre o assunto. É como se disséssemos, sem cabotinismo, nas entrelinhas à platéia: “Turma, estamos no mesmo barco e eu sou do ramo”.
Quintiliano, nas Instituições oratórias, ressalta os benefícios das circunstâncias quando usadas no início da apresentação, mas que, evidentemente, podem ser ampliados para qualquer momento da exposição: “Por isso que não sendo tais exórdios (introduções) compostos em casa, mas ali mesmo e nascidos das circunstâncias que ocorrem, aumentarão a reputação do orador que os faz, à vista da felicidade com que os inventa; e fazem-se mais acreditáveis, por parecerem simples e formados naturalmente daquilo que primeiro se oferece: chegando até o ponto de fazer crer que todo o discurso, não obstante ser meditado e escrito em casa, é feito de repente, por se ver claramente que o exórdio nada teve de preparado”.

É natural essa dedução, pois, ao nos valermos de uma informação do ambiente, ou do próprio contexto do assunto tratado, ali diante dos ouvintes, faremos com que a platéia julgue que toda a apresentação também esteja sendo criada naquele momento. Ora, se alguém consegue criar a mensagem e ordená-la no momento em que se apresenta é porque tem mesmo autoridade para falar sobre aquela matéria. Por isso, sugiro que principalmente a introdução, embora deva ser planejada de maneira muito criteriosa e com antecedência por ser, como já vimos, o momento mais difícil da apresentação, em virtude de significar o primeiro contato com a platéia, sempre que possível seja substituída por informações que pertençam ao próprio ambiente da exposição. Isto é, você prepara com antecedência de forma cuidadosa a introdução e deixa na manga. Ao chegar ao local da apresentação liga as antenas para verificar se há chance de aproveitar alguma informação do ambiente e usá-la no lugar do que havia preparado.

Assim, conforme observamos na análise de Quintiliano, dará a impressão de que estará construindo toda a seqüência do raciocínio e formando a mensagem no momento em que está falando. Além de todos esses benefícios, se você puder ainda usar sua presença de espírito e exagerar a informação que nasce no ambiente, transformando-a num fato bem-humorado, terá a vantagem adicional de conquistar a atenção dos ouvintes. É um recurso muito útil, especialmente quando no início da apresentação a platéia se mostra apática ou desinteressada. Os principais tipos de circunstâncias são: de pessoa, de lugar e de tempo.

Mencione uma pessoa

Aproveitar uma circunstância de pessoa é fazer referência a alguém presente na platéia ou que acabou de se apresentar. De preferência devemos citar pessoas que sejam conhecidas e que tenham representatividade no grupo. Essa atitude demonstrará à platéia que conhecemos e admiramos a mesma pessoa e que, por isso, temos identidade. Ainda que a pessoa citada não possua essa representatividade, os resultados são positivos em vista dos conceitos de Quintiliano, pois ao mencionarmos uma informação do ambiente induziremos os ouvintes a pensar que estamos mesmo construindo a seqüência do raciocínio ali no instante em que nos apresentamos. A possibilidade de conversarmos com algumas pessoas que estarão presentes durante nossa apresentação é uma das vantagens de chegarmos um pouco antes do horário de início do evento. Ficará mais fácil e natural fazermos referência à pessoa com quem acabamos de conversar.

Mesmo que a pessoa não esteja presente, se ela for conhecida e respeitada pelos ouvintes, o fato de citá-la também produzirá um bom efeito, pois estaremos nos referindo a alguém que a platéia conhece e admira. Neste caso, seria conveniente fazer a citação de uma frase ou de uma ação dessa pessoa que corresponda a nossa forma de pensar, para que a mensagem que transmitimos tenha respaldo e obtenha maior credibilidade.
Lembre-se, entretanto, de que não seria recomendável fazer referência a pessoas que sejam muito polêmicas ou possuam comportamento criticável, pois, se os ouvintes não gostarem ou tiverem resistência com relação àquele que foi mencionado, talvez também passem a não gostar de quem o mencionou.
Imagine, apenas como exemplo bem extremo, um palestrante falando sobre terrorismo para uma platéia americana e citando uma frase de Bin Laden: “Como dizia o grande líder guerrilheiro Bin Laden…” Por maior que seja a autoridade do terrorista sobre o tema é evidente que o resultado dessa referência seria catastrófico. Em caso de dúvida sobre a reputação daquele que deseja citar, prefira sempre não mencioná-lo.

Mencione o lugar

Aproveitar uma circunstância de lugar é fazer referência à sala, ao prédio, ao bairro ou à cidade onde nos apresentamos. Ao mencionarmos informações físicas, concretas, que sejam conhecidas do público estaremos demonstrando que conhecemos os mesmos locais e que, portanto, temos identidade. As vantagens desse recurso são basicamente as mesmas mencionadas no aproveitamento da circunstância de pessoa. Neste caso, entretanto, redobre o cuidado com a interdependência que deverá existir entre a citação e o conteúdo da mensagem. Se não puder estabelecer ligação entre a citação e o tema da apresentação poderá parecer um recurso forçado que dificultará a conquista dos ouvintes.
Mesmo que você tenha de construir algumas pontes de pensamento, procure fazer a ligação. Por exemplo, talvez a arquitetura do prédio onde se realiza o evento não tenha nenhuma ligação com o assunto que é, por hipótese, qualidade de vida, mas, se essa arquitetura for semelhante a do edifício da escola onde você fez o curso básico lá no Interior, época em que passou os melhores momentos da sua vida, esse comentário complementar servirá como ponte natural para ligar a citação ao assunto da palestra.

Mencione um fato

Aproveitar uma circunstância de tempo é fazer referência a um fato que tenha ocorrido, que esteja ocorrendo, ou que venha a ocorrer. Ao mencionarmos a informação conhecida dos ouvintes, entendida como um fato no tempo, estaremos estabelecendo identidade com o público. Também neste caso os benefícios são os mesmos já mencionados nos dois recursos anteriores.
Aqui também cabem algumas precauções. Evite fazer referência a fatos muito antigos, distantes da realidade da platéia, a não ser que a ligação seja bastante estreita, ou que o conhecimento histórico justifique a citação. Fique muito atento ainda com a saturação do fato. Se um episódio for exaustivamente comentado pela imprensa a ponto de desgastá-lo, evite fazer referência a ele, pois os resultados poderão ser negativos. As pessoas já estarão cansadas de ouvir falar sobre aquele tema e tenderão a deixar de acompanhar sua mensagem. Se mesmo assim julgar muito importante usar a informação, procure encontrar algum dado inédito, que possa servir de gancho, e justificar a menção daquele fato.
Observe que todos esses recursos, as circunstâncias de pessoa, de lugar e de tempo, têm o poder de aproximá-lo ainda mais dos ouvintes, estabelecer identidade com eles e reforçar sua autoridade, pelo fato de se valer de informações que nascem do próprio ambiente, no instante em que faz sua apresentação.

E o roubo das idéias?

“Polito, e o roubo das idéias? Como é que o aproveitamento das circunstâncias pode me ajudar?”
A história do José Vasconcelos, sugerida pelo Max Gehringer, serve como excelente exemplo para que possamos refletir sobre como estar preparados para essas eventualidades.
Quando participo de encontros em que vários palestrantes tratam de temas semelhantes, sempre que posso, procuro assistir às outras palestras para me certificar de que alguns dos meus tópicos não estão sendo antecipados. Não foram poucas as ocasiões em que tive de suprimir ou alterar algumas informações. O caso mais grave ocorreu em um encontro de fonoaudiólogos, em que uma das palestrantes fez sua palestra utilizando praticamente a mesma seqüência que eu tinha planejado. Embora eu pudesse fazer uma outra palestra diferente, optei por inverter o raciocínio. Ela falou o tempo todo sobre as regras que deveriam ser usadas para falar em público. Eu fiz minha palestra modificando a proposta e falando sobre os cuidados que devemos ter na aplicação das regras. Não a contrariei, mas ampliei a reflexão sobre o tema, mostrando as circunstâncias em que essas regras poderiam ser desconsideradas. O resultado foi bom, o suficiente para sair vivo do local.

Mas, nem sempre temos uma outra palestra no bolsinho do colete, ou estamos preparados suficientemente para abordar o tema por ângulos distintos. Nessas circunstâncias a melhor atitude é primeiro não nos desesperarmos e em seguida usarmos as próprias informações dos palestrantes que acabaram de se apresentar, para montar a seqüência da exposição.
Por exemplo: “Gostaria de refletir com os senhores sobre os conceitos que foram tratados pelo professor Pasquale Cipro Neto. Na sua palestra, o renomado professor se referiu aos cuidados que devemos ter com a gramática para que nossa imagem não seja prejudicada. Esse é um ponto extremamente relevante no aprendizado da nossa língua, pois se cometermos erros primários de gramática estaremos demonstrando nossa falta de preparo e as lacunas que deixamos na nossa formação educacional. E como bem disse o professor, dependendo da função que exercemos, essa falha poderá ser fatal para nossas pretensões profissionais”.

Trata-se apenas de um exemplo hipotético, mas que demonstra bem como é possível contornar situações semelhantes a essa fazendo uso das próprias informações transmitidas pelos outros palestrantes. Dificilmente também as pessoas irão usar todas as informações que planejamos para nossa palestra, o que nos possibilitará intercalar informações novas, ainda não mencionadas ao público, com comentários críticos ou complementares sobre os tópicos já revelados. Dependendo da maneira como a apresentação for conduzida, produzirá excelente impressão na platéia, que entenderá a espontaneidade dos comentários sobre as informações já mencionadas pelos outros palestrantes como indicação de conhecimento e autoridade, pois deduzirão que apenas aquele que conhece o assunto com profundidade teria condições de aproveitar as circunstâncias nascidas ali, no momento da apresentação.

Alguns conselhos finais

Se você participar de eventos em que outros palestrantes sejam convidados para falar do mesmo tema, tome as seguintes precauções:

Dê um jeitinho de assistir às outras palestras para se certificar de que não estarão antecipando assuntos que estavam incluídos na sua apresentação.

Se você não puder assistir a essas palestras por qualquer motivo, peça a alguém de sua confiança que assista e o inteire do que foi tratado antes da sua apresentação.

Por mais difícil que seja, e tenho consciência de que não é fácil, monte uma segunda palestra diferente para o caso de anteciparem tudo o que pretendia dizer. Mesmo que a qualidade da segunda palestra não seja a mesma, pelo menos você terá uma tábua de salvação. Essa é uma questão muito séria, pois mesmo os grandes palestrantes, acostumados há muitos anos a enfrentar todo tipo de platéia, têm dificuldade para preparar uma palestra de reserva. Em todo o caso vale a pena tentar.

Procure diversificar sua palestra com exemplos visuais diferentes, especialmente vídeos ilustrativos, pois ao mudar a ilustração será possível alterar mais facilmente os comentários, além de passar a impressão de que se trata de temas novos.

Colecione histórias para entreter a platéia e ilustrar sua mensagem. Se alguém que falou antes de você, por coincidência ou não, usou informações que normalmente usa nas suas palestras, a nova história poderá fazer toda a diferença. Entretanto, não tenha a esperança de que essas boas histórias surjam no momento em que estiver falando, colecione e prepare-as com antecedência e deixe-as na regra três, esperando o melhor momento para colocá-las em jogo.

Prepare exercícios para estimular a participação dos ouvintes. Assim, se outros palestrantes fizerem uso do que pretendia dizer, transforme a apresentação que seria teórica em uma exposição prática e interativa.

Vá para os eventos desarmado e preparado ao mesmo tempo. Desarmado de preocupações, sabendo que sempre encontrará uma maneira de contornar as situações que surgirem; e preparado para não deixar que essas soluções sejam apenas obra do acaso. Lembre-se sempre da história do José Vasconcelos sugerida pelo Max Gehringer – ele estava completamente preparado para aquela eventualidade. Quando a chance surgiu foi só acender a vela e depois simular a dificuldade de apagá-la de acordo com o tempo que necessitou.

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