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19 dez 2018

Circule, veja e seja visto

Reinaldo Polito

Há um velho ditado popular que diz: quem tem amigo não morre pagão. Realmente, conhecer gente é o melhor patrimônio que alguém pode desejar.

Antes de introduzir este tema, deixe-me contar uma história rápida e curiosa a respeito da minha chegada à capital de São Paulo vindo de Araraquara, minha cidade natal, localizada lá no interior do estado. Eu precisava fazer a transferência de faculdade, mas as inscrições já estavam encerradas. A situação era vital. Se não encontrasse vaga na faculdade, teria de voltar e continuar tocando a minha vidinha de sempre. Na verdade, eu já estava conformado, pois ouvira do próprio secretário da instituição de ensino que para aquele ano não havia nenhuma possibilidade. O pai da minha namorada se chamava Mauro Eid, e por causa da sua atividade como funcionário do City Bank tinha um bom relacionamento com o Renato Costivelli, gerente geral da Arthur Andersen. Por isso, me convidou para ir com ele visitar o amigo na empresa de consultoria. O escritório central da organização ficava bem no centro velho de São Paulo, na Rua Direita 250. Fomos muito bem recebidos e o amigo do Mauro disse que poderia me contratar como estagiário no ano seguinte. Ao saber dessa possibilidade de contratação fiquei ainda mais desapontado, já que sem a matrícula na faculdade nada poderia ser concretizado. Enquanto eu comentava com ele sobre a impossibilidade de me matricular, um dos sócios da empresa, descendente de orientais, entrou na sala e ficou ouvindo nossa conversa. No final, Costivelli olhou para o sócio e perguntou: e aí, você pode fazer alguma coisa pelo garoto?

Sem hesitar, ele tirou um cartão de visitas do bolso do paletó e me disse: sou professor da faculdade há muitos anos e eles me devem uns favores. Entregue este cartão ao Pardini e diga que eu pedi para atendê-lo.
Agradeci ao seu gesto simpático, mas imaginei que não adiantaria muito, pois, segundo o próprio Pardini, que era o secretário da escola, o período de matrículas estava encerrado. Sem ter o que perder, voltei à faculdade e entreguei o cartão ao secretário. Pardini espumou, vociferou, praguejou até não poder mais. Andando de um lado para o outro da sala com o cartão de visitas na mão, dizia em voz bem alta: esses caras querem me matar. Como é que eu posso abrir a matrícula para você se não existe mais nenhuma vaga? E ironizando, com os olhos voltados para o teto, falava entre os dentes: só se eu enfiar você num canto desta secretaria. No final, para grande surpresa minha, ele disse: está certo, não posso dizer não a um pedido como este. Você tem três dias para me trazer toda a documentação.
Eu saí de lá meio atordoado. Nem sabia o nome da pessoa que havia resolvido o meu problema. Mas, aprendi muito cedo que ser bem relacionado vale tanto quanto o conhecimento que adquirimos ao longo da vida. Se não fosse pela interferência do Mauro Eid, pela colaboração do Renato Costivelli, com quem afinal nem acabei trabalhando, e pela ajuda do sócio dele, que até hoje não sei o nome, é quase certo que a minha vida teria tido um rumo muito diferente.

Circulando

Nunca foram realizados tantos eventos como nos tempos atuais. As feiras, os congressos, as jornadas, além de fornecer informações atualizadas, que mostram as conquistas e o desenvolvimento dos setores que se concentram nessas reuniões, possibilitam o encontro de profissionais que atuam nas mesmas atividades. É também uma oportunidade excepcional para aproximar pessoas e estreitar relacionamentos.

A necessidade de ter uma extensa rede de contatos, embora não seja novidade, de alguns anos para cá, tornou-se fundamental para o sucesso da carreira e da projeção social.

Vamos imaginar que você tenha um determinado problema para resolver e que a solução dependa de um trabalho profissional competente. Você precisa resolver o problema e não sabe bem como se virar. Pega sua agenda telefônica, revira os nomes de A até Z e não consegue encontrar um filho de Deus que possa colaborar. Desanimado, recosta-se na cadeira e pergunta a si mesmo: por que não conheço ninguém para me socorrer em momentos difíceis como este?

Ser bem relacionado significa abrir portas para uma vida mais descomplicada, mais fácil, melhor. Se você não for bem relacionado, as saídas para as questões que surgem à sua frente talvez se fechem e até nem sejam encontradas. Por isso, invista em novos relacionamentos e deixe de rodar sempre dentro do mesmo lugar. Saia da toca, perambule, circule, conheça gente nova, resgate velhos contatos, vá a lugares onde possa ver e ser visto por pessoas interessantes. Amplie suas amizades. Estabeleça uma meta desafiadora em sua vida, como, por exemplo, estreitar o relacionamento com pelo menos uma pessoa por semana. Pode parecer pouco, mas você acrescentará no mínimo quatro novos contatos por mês e cerca de cinqüenta por ano. E falo “no mínimo”, porque existe a chance de essas novas amizades se multiplicarem, pois cada pessoa o aproximará de várias outras. Assim, quando você consultar sua agenda telefônica terá um número maior de contatos para se relacionar.

Mesmo que você não conheça pessoas que saibam como resolver determinada questão, com um relacionamento mais extenso as chances de que alguém abra as portas certas se ampliam. Se você analisar algumas de suas mais importantes vitórias, verá que elas talvez tenham tido início a partir de uma conversa despretensiosa com algum conhecido.

Sei também que nem sempre é simples modificar a rotina de vida cristalizada às vezes por hábitos confortáveis e repetitivos há décadas. Até as pessoas mais próximas – marido, esposa, filhos que estão acostumados com a mesma rotina – talvez fiquem resistentes diante das suas novas atividades sociais. Mas, devagar irão perceber que você não se afastará deles. Ao contrário, os aproximará de uma rede de relacionamento que proporcionará a todos uma vida mais intensa e muito mais gratificante.

Não perca a oportunidade de participar dos eventos que envolvem profissionais que atuam em sua atividade. Você só terá benefícios e multiplicará suas chances de conhecer novas pessoas e de reencontrar velhos amigos. Reforce a quantidade de cartões de visita e acrescente novos nomes na sua agenda de endereços e telefones. Amplie suas possibilidades de ver e ser visto.

Vendo e sendo visto

Nos últimos anos tenho desenvolvido um trabalho voluntário muito gratificante. Como presidente do Conselho Fiscal e de Administração da ONG Via de Acesso, ao lado do talentoso superintendente geral Ruy Leal e de um renomado corpo de conselheiros, ajudo jovens a se relacionar com pessoas que serão importantes no futuro profissional deles. Até por ter recebido tanta ajuda no início da minha carreira profissional, sinto que hoje posso dar a minha contraprestação. Além do trabalho de capacitação para que os jovens universitários sejam inseridos no mercado de trabalho, nossa ONG promove freqüentemente eventos com os mais importantes palestrantes do país, que mostram como as pessoas devem se preparar para ter uma vida profissional mais promissora. Nesses eventos, os jovens universitários se encontram com responsáveis pelos departamentos de recursos humanos de importantes organizações, com dirigentes de instituições de ensino, com executivos das mais diferentes atividades e com estudantes das mais diversas faculdades. Antes do início das palestras, fazemos um café da manhã com o objetivo de promover essa interação. O resultado é estimulante, pois nesses encontros aprendem muito mais do que o conteúdo das palestras a que assistem, aprendem a se relacionar e começam a entender a importância de conhecer novas pessoas. Muitos deles se conscientizam de que participar de eventos e estreitar o relacionamento com um número maior de pessoas aumenta sensivelmente a oportunidade obter novas chances na carreira.

Encontros como esses passaram a receber tanta atenção que é comum os organizadores pedirem aos participantes que coloquem crachás com os nomes bem destacados. Assim, poderão conversar e interagir com mais facilidade. Muitos negócios, associações de profissionais e contratações têm início nesses eventos.

Já que estou falando da ONG e das palestras, vale a pena comentar como o Ruy Leal, um mestre na arte do relacionamento pessoal, a partir do conhecimento que desenvolveu ao longo da sua trajetória profissional consegue levar gratuitamente para os nossos eventos palestrantes que cobram uma fortuna para se apresentar. Por exemplo, para a campanha de doação de sangue, uma das bandeiras do nosso trabalho, ele levou como padrinhos nada mais nada menos do que atletas campeões do porte de Fernando Meligeni, Gustavo Borges e Magic Paula. Sem esse relacionamento do Ruy muitas dessas atividades não poderiam ser realizadas. Além dos palestrantes profissionais, ele consegue levar para essas palestras presidentes das maiores e mais importantes empresas multinacionais. Tudo na base da amizade, do conhecimento, sem envolver nenhum tostão. Os eventos são tão bem-sucedidos que outros palestrantes e presidentes de empresas se oferecem para colaborar, aumentando ainda mais o contato com novas organizações e novos profissionais. E não só nesse contexto, pois, ainda sem pôr a mão no bolso, ele consegue também que os mais importantes jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão se interessem por fazer a divulgação desses encontros. É um exemplo admirável. Eu, que já cultivava o network, tenho aprendido muito com o Ruy nos últimos anos.

Guarde o nome das pessoas

É comum ouvir pessoas dizendo que sofrem por não conseguirem guardar nomes. Com poucas variações, a conversa é mais ou menos assim:

– Polito, não sei mais o que fazer, pois não consigo guardar o nome da pessoa com quem converso. Chego ao cúmulo de terminar a conversa sem saber o nome dela. E o pior de tudo é que tenho consciência de que aquele contato poderia ser importante para mim.

Se você sofre do mesmo mal, vou dar o conselho que o Dr. Lair Ribeiro tem dado em suas palestras: ouça, repita e associe. Esse é o segredo que você pode começar a pôr em prática a partir de agora.

Ouça – Já percebeu como muitas pessoas não se preocupam em ouvir o nome daqueles que lhes são apresentados? Ora, como você vai guardar o nome de alguém se nem ao menos o ouviu. Por isso, quando for apresentado a alguém, preste atenção no nome. Se por acaso não entender, não tenha vergonha de perguntar até mais de uma vez. Por inibição ou por hábitos culturais, algumas pessoas falam tão baixo que fica difícil mesmo entender o nome quando se apresentam. Assim, não se constranja e pergunte até entender.

Repita – Depois de ouvir e entender o nome da pessoa, procure repeti-lo pelo menos três vezes logo no início da conversa. Por exemplo: quer dizer que o Carlos Roberto organizou toda a reunião? Carlos Roberto, mate uma curiosidade minha, o que dá mais trabalho para a organização do evento? Ouvindo o Carlos Roberto falar parece tudo muito simples, mas só quem põe a mão na massa é que sabe como essa tarefa é desafiadora. Ao longo da conversa, se você tiver oportunidade de repetir o nome da pessoa mais vezes, será ainda melhor.

O cuidado da repetição ampliará as chances de guardar nomes.

Associe – Dificilmente encontramos pessoas com nome estranho, que nunca havíamos ouvido. Por isso, enquanto estiver repetindo o nome do novo conhecido, procure associar a fisionomia dele com a de alguém que você conheça e que tenha o mesmo nome. Se não desejar correr riscos de esquecer, imagine essa pessoa que você conhece, e que tenha o mesmo nome, sentada ou sapateando na cabeça dele. Esse exagero fará com que você se recorde do nome mesmo muito tempo depois do encontro.
Um caso folclórico. Tive uma aluna, gerente de uma organização financeira, que não conseguia se lembrar do nome de uma pessoa que lhe era apresentada, mesmo que o repetisse dezenas de vezes. Como era muito extrovertida e brincalhona, adotou um método que a retirava de situações embaraçosas. Sempre que conversava com uma pessoa, ela a tratava de lindinho ou lindinha. Esse tratamento carinhoso funcionava tão bem quanto se a chamasse pelo nome.

Cartão de visitas

Não existe nada mais barato e eficiente do que cartões de visitas para melhorar o relacionamento com as pessoas. Por isso, vá para os eventos sempre com um bom estoque de cartões. Se o contato for muito importante, depois de receber o cartão, antes de entregar o seu, faça um gesto que demonstre como você considera a outra pessoa, como, por exemplo, colocar o número do seu celular ou da sua residência à mão. Pense como você se sentiria lisonjeado se alguém fizesse o mesmo ao entregar o cartão de visitas. Provavelmente, você o guardaria com cuidado redobrado. Para que a pessoa não fique constrangida por não ter feito o mesmo, explique que você transita muito de um lado para outro e que assim será mais fácil localizá-lo.

Ao receber o cartão, se você estiver sentado à mesa, deixe-o à sua frente o tempo todo. Especialmente quando diversas pessoas nos são apresentadas num encontro ou numa reunião, é prudente dispô-los sobre a mesa na direção em que o dono do cartão está sentado. Essa precaução evitará que você se esqueça do nome da pessoa já no momento em que ainda estiverem conversando.

Faça anotações – Os cartões de visitas são ótimos para anotações, pois geralmente um dos lados está em branco. Um bom hábito é o de escrever tudo o que puder a respeito da pessoa na primeira oportunidade que tiver. Falo isso porque se você receber muitos cartões, depois de algum tempo não se lembrará de quem se trata. Por isso, anote no cartão a data e o local onde se encontrou com a pessoa, quem os apresentou, se ela tem interesse por algum assunto específico, enfim, todos os dados que julgar conveniente para que possa saber quem é o dono do cartão, mesmo depois de um bom tempo transcorrido.

E-mail

Logo depois de ter conhecido uma pessoa, procure encontrar um motivo para mandar um e-mail a ela. Redija uma mensagem simples e curta, apenas para marcar presença e fazer com que ela não se esqueça de você. Para não parecer uma atitude invasiva, durante a conversa avise que enviará um e-mail dando algum endereço ou complementando algum tema que tenha surgido naquele momento. Assim, ao receber sua correspondência a pessoa entenderá como uma iniciativa natural, já que você estará cumprindo uma promessa feita.

Seja sincero

Ter bom relacionamento não significa manter contato com pessoas para se aproveitar do fato de conhecê-las. Para que um relacionamento seja interessante é preciso existir uma troca, em que você e a pessoa com qual passou a manter contato se sintam à vontade para continuar conversando, se correspondendo e apresentando novas pessoas que conheçam. Procure ser útil às pessoas que conhecer, pondo seus contatos e informações à disposição delas. Pode ter certeza de que os outros procurarão fazer o mesmo por você. Não existe nada mais repulsivo do que perceber que uma pessoa só se aproximou tentando estreitar o relacionamento para levar algum tipo de vantagem. Agindo com transparência e sinceridade, se no futuro um precisar da ajuda do outro, naturalmente o auxílio será prestado.

Invista na arte de conhecer e se relacionar com outras pessoas. Você ficará surpreso ao verificar como a vida se torna mais interessante e as possibilidades de novos projetos surgem com maior facilidade. Não custa nada, dá muito prazer e é extremamente motivador.

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