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04 abr 2018

Citações, máximas e provérbios na medida certa

Há uma dúvida recorrente: até que ponto os pensamentos, máximas, provérbios e citações contribuem para o sucesso ou fracasso de uma apresentação? As opiniões se dividem com defensores ardorosos de um lado e críticos implacáveis do outro. De maneira geral, quando encontramos duas correntes tão distintas a melhor saída é o equilíbrio, a moderação.

 

‘Há uma medida em todas as coisas, existem afinal certos limites’
Horácio

Em quase tudo se condena o excesso. Assim também ocorre com as citações. Não podemos transformar uma apresentação num repertório de citações. Inicia-se com uma idéia aqui e dá-lhe uma citação. São feitas afirmações ali e lá vem outra citação. Recomenda-se um procedimento mais à frente e aparece uma nova citação. São tantas, e usadas com tal freqüência, que os ouvintes se cansam delas e tendem a se desinteressar pela mensagem.

 

Por mais apaixonado que você esteja pelas citações, evite seu uso excessivo, pois ainda que sejam aparentemente apropriadas para suas idéias farão muito mais mal que bem. Usadas na medida certa, as citações produzem surpresas interessantes e instigam o ouvinte a acompanhar o raciocínio.

 

Lembre-se sempre, portanto, de que os pensamentos, máximas e provérbios devem ser usados como apoio, complemento ou ilustrações para as idéias mais importantes da mensagem, e não se transformar por si no conteúdo, a não ser em casos excepcionais, como o deste texto em que eles são a própria razão da sua existência.

 

‘A entrada em momento oportuno vale por meia vitória’
Coelho Neto

Em tese, a citação pode ser usada em qualquer lugar e em qualquer tempo, desde que cumpra bem seus objetivos de ilustrar a mensagem, tornando-a mais clara e compreensível. De instigar o ouvinte a refletir sobre seu conteúdo, recordando-se dele por tempo prolongado e interessando-se em conhecer a obra do autor. De dar maior credibilidade à informação. De valorizar a estética da exposição. De demonstrar sutilmente o bom preparo e a formação do orador.

Entretanto, o lugar mais apropriado para a citação, geralmente, é a introdução e a conclusão da fala. No início, auxilia no processo de conquista dos ouvintes, pois é na introdução, logo nos primeiros momentos da exposição, que o orador deverá se dedicar com maior empenho para tornar a platéia benevolente, torcendo pelo seu sucesso. Atenta, interessada no assunto. Dócil, desarmada de resistências.

 

A citação feita de maneira oportuna na introdução pode ajudar o orador a atingir simultaneamente vários desses objetivos, como a atenção, pelo impacto que produz; a benevolência, pela demonstração de sensibilidade; e a docilidade, por fortalecer a credibilidade.

 

O cuidado que se deve ter é o de preservar a coerência da citação com o conteúdo da mensagem. Todas as informações deverão sempre guardar interdependência, isto é, o início precisa estar relacionado com o corpo da fala e com a conclusão.

 

Por isso, não caia na armadilha de usar uma citação só com objetivos estéticos, pois se não fizer parte naturalmente de todo o contexto da apresentação poderá prejudicar o resultado final.

Quando usada de forma adequada na conclusão possibilitará aos ouvintes compreenderem melhor a mensagem e a refletirem ou agirem de acordo com a proposta sugerida.

 

‘Muitos pensam que sabem; poucos sabem que não sabem; quem sabe, sabe que sabe muito pouco’
Alexandre Canalini

Afinal, onde devemos buscar os pensamentos para as citações? Bem, o ideal seria ler toda a obra do autor, compreendê-la na sua plenitude e extrair dela a essência transformada num pensamento. Entretanto, sabemos que esse ideal jamais poderá ser conquistado, por mais dedicada que a pessoa seja.

 

Por isso podemos recorrer aos livros de citações e frases célebres, tomando sempre o cuidado de afastar aquelas vulgarizadas pelo uso excessivo ou de autores comprometidos.  Por melhor que seja o livro consultado, lembre-se de que a responsabilidade da citação será sua, sempre sua. Algumas obras, na  introdução, alertam que o fato de reproduzirem os pensamentos não significa que concordem com a mensagem.

Uma boa sugestão é a de anotar frases que encontre nas leituras de livros, jornais e revistas, ou pronunciadas em filmes, palestras e peças de teatro. Com o tempo irá montando seu próprio repertório e, no futuro, poderá contar com frases inéditas para fazer as citações.

 

Até lá, não tenha constrangimento, recorra aos livros e saiba que estará em boa companhia, inclusive a minha, pois foi nos livros de citações que pesquisei todas as frases usadas neste texto.

 

‘E digo isto para que ninguém vos engane com palavras persuasivas’
Epístola do apóstolo S. Paulo aos Colossenses – 2.4

Não se esqueça da bíblia. Cá entre nós, se você sair por aí citando a bíblia a torto e direito acabará passando a imagem do chato religioso, a não ser que a sua proposta seja realmente a da pregação religiosa. Principalmente se você não tiver o hábito de tocar em assuntos de religião, ao fazer uma citação bíblica sua fala terá um impacto ainda maior.

 

Fonte se sabedoria milenar em nossa cultura, a Bíblia tem citações para todas as ocasiões. Cuidado, entretanto, para não dar a entender que está apenas tirando proveito da Bíblia, pois sua mensagem poderá encontrar resistências desnecessárias.

 

O sentimento religioso é tratado quase sempre com muita seriedade e toca as pessoas tão profundamente que qualquer deslize poderá resultar em fracasso. Para não errar é muito simples, seja sempre sincero nas citações que fizer, e muito mais sincero ainda (se esse superlativo fosse possível) quando se referir à Bíblia.

 

Superdicas da semana:

– Use citações que correspondam à essência da sua mensagem

– Evite citações desgastadas pelo excesso de uso

– Surpreenda os ouvintes com citações curiosas e interessantes

– Desenvolva o hábito de anotar e colecionar citações

– Dê preferência às citações que encontrar em suas leituras

 

Para ver outras dicas entre no meu site https://reinaldopolito.com.br/portugues/dicas.php?id_nivel=15

 

 

Livros de minha autoria que tratam desse tema: “Como falar corretamente e sem inibições”, “Assim é que se fala” e “Superdicas para falar bem” (também em audiolivro), publicados pela Editora Saraiva.

 

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