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04 abr 2018

Era uma vez…

A maravilhosa arte de contar histórias

Tenho quatro filhos. Três filhas e um filho. Todos estão bem encaminhados na vida, trabalhando, produzindo e sendo úteis à sociedade. Na formação deles só sinto não terem tido a oportunidade de passar pela experiência que passei quando era criança e morava no interior de São Paulo.

Tirando a Times Square em New York, a Sete de Abril, com
o Viaduto do Chá em São Paulo e a Rua Carajás dos anos 50,
no Jardim Primavera em Araraquara, talvez não possamos encontrar muitos outros locais com movimentação parecida. Parece exagero? Só na família do Bonani havia 11 filhos – nunca vi a Izaura sem estar grávida. Cada um deles tinha uma penca de amigos de todos os bairros.

Lá pelas quatro e meia, cinco horas da tarde aquela pequena rua de 100 metros de comprimento se transformava numa Disney World. Futebol, esconde-esconde, bolinha de gude, pião, papagaio, botão, figurinha, tudo, tudo o que você imaginar para brinquedo e brincadeira de crianças poderia ser visto naquele paraíso infantil. Eram tantos atrativos que as crianças de todos os outros bairros iam para lá.

O Alemão andando de costas na bicicleta era um espetáculo à parte. Devia trabalhar no circo do Negrito Landa, diziam os admiradores mais empolgados. O corredor de entrada da casa do Zé Bonavina era o local preferido para o campeonato de botão, com jogos narrados de maneira empolgada pelo Bertão. E naquela época feitos de botões mesmo, tirados do casacão do avô e lixados até ficarem lisinhos.

O quintal de terra onde moravam o Seró e o Decião Mantegassi era excelente para um tipo especial de jogo de bolinhas de gude, a biroca. A casa do Carlão e Miguel Jafelice, quando a mãe Linda deixava, era o canto ideal para jogar figurinha. Virando a esquina ficava a casa do Marquinho, perfeita para treinar embaixadas.

Os bons momentos daquela rua continuavam à noite, depois das oito. A prefeitura acabara de instalar luz elétrica na rua e nós aproveitávamos a maravilhosa novidade. Um dos meninos, Nim, dos poucos que já trabalhavam, durante o dia era assistente em uma oficina mecânica e à noite saia da Rua Tupi, que ficava nas proximidades, sentava-se com a garotada toda a sua volta, e fazia o que mais gostava – contar histórias.

Seu repertório era inesgotável. Todas as noites, como se fosse um velho índio rodeado pelos guerreiros da tribo – em que o mais velho não chegava aos dez anos – encostado no poste, debaixo da luz, com voz pausada e envolvente começava com sua frase preferida: era uma vez.

Naquela época nós não tínhamos televisão e precisávamos nos contentar com os programas de rádio. Por isso, as histórias cativantes contadas pelo Nim eram uma diversão imperdível. Muitas delas não vinham de lugar nenhum, eram só fruto de sua impressionante criatividade.

Não sei se o Nim continuou trabalhando como mecânico ou se explorou sua habilidade para contar histórias e interpretar personagens para se dedicar ao teatro ou a algum outro ramo da comunicação. Ele também não sabe, mas ainda hoje, mesmo contando histórias diferentes me oriento na lembrança de suas performances para fazer minhas palestras e ministrar muitas das minhas aulas.

Infelizmente está cada vez mais difícil encontrar crianças contando histórias numa roda de amigos. É uma pena que não existam mais Ruas Carajás como naquela época. Uma época em que todos nos sentíamos seguros, alegres e muito livres.

A Rua Carajás ainda está ali no mesmo lugar e algumas das antigas famílias continuam morando nas mesmas casas, mas as histórias do Nim e os jogos da molecada naquele chão de terra batida são apenas lembranças de um passado que nunca mais voltará.

Superdicas da semana:

– Aprenda a contar histórias curtas e interessantes

– Inclua as boas histórias em suas conversas e apresentações

– Quando ouvir uma boa história tome nota para não esquecer

– Na primeira oportunidade conte a história que acabou de aprender

 

Para ver outras dicas entre no meu site (https://reinaldopolito.com.br/portugues/dicas.php?id_nivel=15 )

 

Livros de minha autoria que tratam desse tema: “Como falar corretamente e sem inibições”, “Oratória para advogados e estudantes de direito” e “Superdicas para falar bem” (também em audiolivro), publicados pela Editora Saraiva.

 

 

 

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