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20 maio 2019

Como se paquerava em Araraquara

    Por Reinaldo Polito*

Este é o serviço de alto-falante que abrilhanta as festividades da quermesse da igreja Nossa Senhora das Graças. Aqui você ouve as mais belas canções de ontem, de hoje e de sempre. Dando início à programação desta noite vamos ouvir na voz de Ângela Maria, Babalu, que o rapaz de camisa azul oferece à moça de vestido rosa como prova de admiração e muito interesse.

Era assim que iniciávamos os trabalhos no serviço de alto-falante em Araraquara até meados dos anos 60. Tudo muito simples, primário, ingênuo, bem de acordo com a vida tranqüila e sem sofisticação que se levava no interior. A comunicação perfeita para a época certa.

Mas não se iluda pensando que só tocávamos Babalu. Não, entre um Babalu e outro giravam, com todos os chiados que tinham direito, “Quero beijar-te as mãos” , com Anísio Silva e “Carinhoso”, com Orlando Silva, e…dá-lhe Babalu.    

O “footing” começava por volta das 19h e terminava no máximo às 22h30. Os rapazes enfileiravam-se dos dois lados da calçada, enquanto as moças, como se fosse um cortejo, em duplas ou em trios, de braços dados, passeavam entre eles, fazendo o mesmo trajeto o tempo todo. Nessa caminhada elas “flertavam” com aqueles que lhes despertavam interesse, e como não fazia parte do costume a mulher tomar a iniciativa de conversar com os rapazes, ficavam na torcida para que eles as procurassem. Por isso, os mais tímidos usavam o recurso do alto-falante para revelar suas intenções. Algumas moças que não eram tão bonitas freqüentavam o footing todos os finais de semana e voltavam sozinhas para casa. Jovem ainda, eu ficava com dó delas e de vez em quando inventava que alguém que não existia lhes oferecia uma música.

Falar em footing, serviço de alto-falante e quermesse nos dias de hoje soa como se fossem informações de um outro século – e na verdade eram. A maioria dos leitores, e muito provavelmente você, ainda não havia nascido.

Se observarmos bem, vamos verificar que o que era feito na época das quermesses interioranas ocorre hoje com uma roupagem diferente. As músicas que os rapazes ofereciam às moças identificando-se apenas pela cor da roupa nada mais são que  os “modernos” e “revolucionários” torpedos enviados pelos telefones celulares, com ou sem imagem. Os footings que as moças faziam todas as semanas, na esperança de encontrar alguém com quem pudessem namorar, nada mais são que os passeios descontraídos que as meninas e meninos fazem pelos corredores dos shoppings, ou barzinhos, com o mesmo objetivo de encontrar o parceiro ou a parceira com quem possam “ficar”, “dar um rolo”, ou até namorar (essa expressão não precisa de aspas).

Algumas coisas voltam exatamente como eram. Quase caí das pernas quando outro dia, num badaladíssimo programa de televisão, vejo nada mais, nada menos que Ângela Maria interpretando de forma magistral…Babalu. Fiquei ali diante da tela, matando a saudade daquele tempo em que as pessoas viviam com tanta simplicidade, movidas por objetivos tão ingênuos para os dias de hoje. Emocionado, olhei dos lados para me certificar de que estava sozinho e disse, estalando os dedos – dá-lhe Babalu!

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