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04 mar 2018

E se eu não souber a resposta?

Essa é uma questão recorrente em sala de aula: Polito, como deverei agir se o ouvinte fizer uma pergunta e eu não souber a resposta?

 

Quando as pessoas não estão diretamente envolvidas, costumam dizer que nessas circunstâncias revelam honestamente não saber a resposta. Entretanto, cuidado para não embarcar nesse barco sem leme, pois uma coisa é o que as pessoas dizem, e outra é o que efetivamente fazem.

 

Fica bonito dizer que a sinceridade deve prevalecer e que, portanto, basta fazer aquela cara de bom cristão e confessar a ignorância na frente do público. Embora essa seja uma das atitudes que podemos tomar, outras também precisam ser consideradas.

 

Para que você possa avaliar todas as possibilidades de resposta e tenha condições  de compreender bem qual a conduta que deverá adotar, vou relacionar antes os motivos que levam um ouvinte a formular uma pergunta.

 

Um ouvinte formula uma pergunta ao orador por vários motivos:

  1. Por dúvida — quando não compreende bem o que está sendo transmitido.
  2. Por vontade de aprender — quando assimila as informações fornecidas, mas deseja saber mais sobre o assunto.
  3. Por necessidade de se destacar no ambiente — quando deseja ser notado pelas outras pessoas que formam o auditório, independentemente de ter entendido ou não o que está ouvindo.
  4. Para provocar — quando deseja atrapalhar o desenvolvimento da apresentação por causa da hostilidade que nutre contra o tema ou contra o próprio orador.
  5. Para testar os conhecimentos de quem fala — quando deseja certificar-se da segurança do orador sobre a matéria.

 

Note que a situação é bastante complexa e exige muita reflexão antes de nos decidirmos por um ou outro caminho. Cada circunstância poderá ser contornada de forma diferente, desde que seja possível manter a tranqüilidade e identificar o objetivo da indagação.

 

Atenção – você não é mentiroso, portanto, em todas as situações, nunca invente respostas, pois esse artifício poderá ser percebido pelo auditório, que deixará de acreditar nas suas palavras. Por outro lado, talvez não seja conveniente dizer que não conhece a resposta, porque sua autoridade poderia ser enfraquecida. Muitos acreditam que a franqueza de dizer “sinto muito, mas não sei a resposta” é reconhecida como grande qualidade, mas quem já se defrontou com episódios semelhantes sabe que isso nem sempre é verdadeiro. Apenas não se devem preocupar muito com as conseqüências dessa afirmação os oradores que possuem larga e inquestionável reputação no campo do assunto que tratam. Afora estes, antes de utilizar o último recurso – a confissão de que não sabe a resposta –, alguns procedimentos poderiam ser adotados:

 

  1. Se conseguir identificar no ouvinte que faz a pergunta alguém que deseja demonstrar conhecimento, destacar-se no ambiente, provocar ou testar seus conhecimentos, uma alternativa que geralmente apresenta bons resultados é devolver a questão ao interlocutor. Por exemplo: “O que você pensa a respeito?”. Existe boa possibilidade de receber a resposta da própria pessoa que formulou a pergunta. Se ainda assim a resposta for negativa, isto é, se o ouvinte não souber responder, aja de acordo com a sugestão dada na hipótese seguinte.

 

  1. Se perceber que a pergunta tem como origem a dúvida ou a vontade de aprender, poderá devolvê-la ao grupo. Por exemplo: “O que vocês pensam desta questão?”. Também haverá chances de que alguém possa ajudá-lo com a resposta. Como o tema abordado numa apresentação é familiar a você, uma sugestão da platéia poderá ser suficiente para que se encontre uma saída para o problema formulado. Mesmo que ninguém tenha respondido, haverá uma divisão da responsabilidade com o grupo e, nesse momento, você poderá prontificar-se a pesquisar a solução em nome de todos, preservando assim a sua imagem.

 

Se julgar que a circunstância é desfavorável para adotar uma dessas sugestões e que no transcorrer da exposição poderá encontrar uma saída, avise que em seguida voltará ao tema. Dificilmente alguém discordará e você ganha tempo ou para uma resposta mais apropriada ou para depois, a sós com quem fez a pergunta, dizer que irá pesquisar.

 

Agora, se sentir que tais procedimentos não serão convenientes, não hesite em confessar que desconhece a resposta.

 

Veja que antes de revelar que não sabe a resposta  há um extenso trajeto a ser percorrido. Tudo dependerá da tranqüilidade que você possa ter e da habilidade em identificar os motivos que levaram o ouvinte a fazer a pergunta. É um longo aprendizado que exigirá paciência, perseverança e capacidade de observação.

 

Superdicas da semana:

– Aprenda a identificar os motivos que levam um ouvinte a perguntar

– Se a pergunta for muito complexa, há grande chance de o próprio ouvinte saber a resposta

– Nunca caia na armadilha de inventar respostas, pois poderá ser fatal para sua reputação

– Se prometer pesquisar a resposta para uma pergunta, cumpra sempre a promessa

 

Livro de minha autoria que trata desse tema – “Como falar corretamente e sem inibições”, publicado pela Editora Saraiva.

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