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24 ago 2019

Não concordo

Reinaldo Polito

Sei que sou uma voz quase solitária em meio a tantas certezas e convicções que circulam por aí. Ouço gente dizendo que a juventude de hoje é alienada, que não conversa, não se relaciona, não interage.

Entretanto, minha experiência com a garotada é muito distinta. Por exemplo, há cerca de 15 ou 20 anos só freqüentavam meu curso de expressão verbal executivos acima dos 35 anos. Hoje, são meninos e meninas com pouco mais de 20 anos que já disputam gerências e até diretorias nas organizações. Que juventude alienada é essa que muito mais cedo que seus pais estão à frente de grandes corporações?!

Toda semana encontro adultos criticando também a forma como as crianças se comunicam pela internet. Dizem que não sabem escrever e que ficam abreviando palavras e substituindo as sílabas por letras como tb no lugar de também, vc no lugar de você, entre outras semelhantes. Minha leitura nesse caso também vai contra essa maré. Com a difusão generalizada dos computadores, a rede de contatos desses meninos e meninas se multiplicou. Relacionam-se de forma natural com amigos de todas as regiões do país, e, não raro, de diversos países. Como é que podemos dizer que eles não se relacionam, não interagem, se estão sempre se comunicando uns com os outros?! Além disso, usam a internet para marcar encontros, avisar sobre eventos, e, como eles mesmo dizem, ficar antenados com o mundo.

Sei que muitos vão dizer que estou errado e fazendo uma análise enviesada da realidade. A esses críticos peço uma pouco de reflexão. Que por um instante se afastem das idéias pré-concebidas que talvez estejam  defendendo e vejam o desenvolvimento dessas crianças e desses jovens por outros ângulos. O arroubo, a irreverência, a voluntariedade, a resistência às regras são atributos dos jovens. Bons motivos para seguirmos em frente.

Tomara que eu esteja certo, porque, afinal, o futuro de todos nós em pouco tempo estará nas mãos dessa mesma juventude que hoje é vista com desconfiança.

Infelizmente nós não gostamos muito das mudanças, e quando as pessoas agem de maneira diversa da que estamos acostumados, a tendência é a de achar defeitos no novo comportamento para que possamos defender e justificar nossa forma de pensar e agir.

Sempre foi assim e, provavelmente, nunca será diferente. Daqui a vinte anos esses mesmos jovens que hoje se apresentam com atitudes tão estranhas para nós, talvez estejam também censurando o comportamento de uma nova geração que pensa e age de maneira distinta da que foram acostumados.

Por isso também a vida é bonita de se viver. Nada será como é ou como sempre foi. Só a resistência às mudanças continua e seguirá sendo a mesma.

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